sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Em um lugar qualquer.

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The Last Supper, by Peter Howson

Hoje, em salas fechadas deste país, pequenos grupos confabulam.

Fazem contas, analisam possibilidades, descartam hipóteses e abraçam esperanças.

Os que perderam, nervosos. Os que pensam ter ganho, ansiosos.

Ninguém está indiferente.

Se a eleição fosse hoje, 65% dos paulistanos não votariam em Lula.

Notícia boa para quem quer o melhor para o Brasil.

Principalmente se em alguma das salas onde hoje se confabula, estiverem reunidos homens de bem.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

O "x" da questão.

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A pendenga entre a senadora Ideli Salvatti e o procurador da República Celso Antônio Três começou em função de uma campanha de outdoors - realizada logo que o governo Lula aprovou as obras de duplicação da BR-101.

Acima, o leitor conhece, com exclusividade, um dos 389 cartazes que foram colados ao longo daquela rodovia federal. Na chamada principal da peça lemos: " Duplicação da BR-101. É o governo Lula em Santa Catarina."

Segundo o procurador, a senadora teria mandado retirar os outdoors das ruas assim que eclodiu a atual crise política.

Ideli desmente as acusações e diz que a CPI não recebeu qualquer requerimento.

Em entrevista à rádio CBN/Diário, na manhã desta quarta-feira, a senadora Ideli Salvatti disse que o procurador Celso Antônio Três faz ataques pela imprensa, quando deveria processá-la para que ela pudesse se defender.

"Não tenho como responder pela imprensa porque ele (Celso Três) não diz do que eu sou acusada, em processo legal nenhum. Falei com (Osmar) Serraglio e não foi entregue documento nenhum (à CPI dos Bingos). Ele está mentindo, não foi entregue nada ao Serraglio" afirmou a senadora. "Tem algum problema? Me processa, me processa, que eu me defendo", completou ela.

De "Dama dos Dossiês" à Investigada.

A edição de hoje do Diário Catarinense, diz que Ideli Salvatti corre o risco de ser chamada a depor na CPI dos Correios.

Pelo menos é o que pretende o procurador da República Celso Antônio Três, que encaminhou uma representação àquela CPI, pedindo que a senadora seja convocada a fim de explicar a origem do patrimônio adquirido depois de sua eleição. A CPI deverá se pronunciar nas próximas semanas.

Ao que parece, os problemas de Ideli Salvatti começaram com a colagem de 389 outdoors alusivos à duplicação da BR101 - que creditavam, muito equivocadamente, a aprovação da obra à competência do governo Lula e aos esforços da senadora. A propaganda, demagógica até a medula, causou protestos, chamando a atenção do Ministério Público Federal de Tubarão (SC).

Como a lider da tropa de choque governista afirmou ter pago os cartazes com dinheiro do próprio bolso, seguiu-se uma investigação a respeito de seus bens. Na opinião do procurador Celso Antônio Três o caso envolve contratos de publicidade alusivas ao governo federal e deve ser tratado pela CPI dos Correios.

O procurador afirma também que, quando quando eclodiu a atual crise - e a CPI dos Correios foi instalada - , a senadora teria mandado retirar os outdoors das ruas.

A manobra é curiosa, porque lembra aquela outra questão: o requerimento de retirada, em 17 de agosto de 2005, do Projeto de Lei do Senado nº 188, de 2003. O projeto, como já foi dito aqui, ampliava a tipificação dos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.

Ao longo desta crise, a senadora Ideli Salvatti tem sido pródiga em apresentar dossiês - sempre com o intuito de arrastar o PSDB e o governo Fernando Henrique para o olho do furacão. Veremos, agora, como ela se comporta quando o dossiê diz respeito à sua pessoa.

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Ainda sobre pseudônimos.

Às vezes a gente recebe apoio de onde menos espera.

Não sei quem é Axel. Mas já gostei da pessoa.

Numerologia

206 dias de crise.

Três mil reais em propina.

Milhões de dólares em denúncias.

Uma cueca.

Sete defuntos.

Um careca.

Um apostador de rinha.

Um deputado cassado.

Duas caixas de Johnnie Walker.

Uma caixa de Havana Club.

Três bengaladas.

Outro deputado cassado.

Um milhão de reais em camisetas.

Meia tonelada de cocaína.

Arcano 13.

Na numerologia, desapego e renovação.

No tarot, morte e renascimento para algo novo.

Estamos mesmo precisando

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Um partido afônico.

Uma vez que perdeu a bandeira da ética, o PT ameaça adentrar o ano eleitoral sem um discurso consistente que, possa, a exemplo do que aconteceu na campanha de 2002, diluir as diferença entre as muitas facções que compõem o partido e agradar aos simpatizantes. Isto todo mundo já sabe.

Só que, considerando o que se viu nos últimos dias, as lideranças do partido não estão conseguindo encontrar outro discurso além daquele ensaiado no alvorecer desta crise: de que o PT está sendo perseguido pelas "elites" - que, não raro, vem acompanhado daquele que fala de preconceitos em relação às origens humildes do presidente Lula. E a cassação de Dirceu apenas acrescentou um igrediente a mais ao pacote: agora, as carpideiras do ex-ministro todo poderoso falam também em "uma campanha contra o regime de liberdades democráticas".

Não vai colar.

Em janeiro de 2003, exceto por raríssimas exceções, o país babou de satisfação ao ver um ex-operário subir a rampa do Palácio do Planalto. Desde maio de 2005, o povo tem assisitido a um festival de dirigentes petistas desmentir no almoço aquilo que haviam afirmado no café da manhã. E, na semana passada, algumas bengaladas levaram o Brasil verdadeiramente ético ao delírio - de modo que a Câmara dos Deputados decidiu-se, fialmente, por ouvir a voz das ruas.

O PT perdeu, há alguns meses, a única saída capaz de garantir alguma dignidade ao seu discurso eleitoral para o próximo ano: deveria ter promovido uma verdadeira faxina na legenda, expulsando todos os envolvidos na crise.

Ao ignorar que aquele era o momento do "tudo ou nada", o Partido dos Trabalhadores acabou por arriscar as cordas vocais. E, a menos que ocorra alguma grande reviravolta, chegará ao pleito de 2006 sem um discurso convincente. Entrará na campanha presidencial afônico.

domingo, 4 de dezembro de 2005

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By Nariz Gelado

"Quanto a mim, quando sinto a mão do poder pesando em minha fronte, pouco me importa saber quem me oprime, e não me sinto mais disposto a enfiar a cabeça debaixo do jugo porque um milhão de braços o oferecem a mim."

(Alexis de Tocqueville)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Pequeno e Letal

Todo mundo sabe que, às vezes, num conjunto de grandes denúncias, as mais definitivas podem vir acondicionadas em pequenos frascos.

Quase perdido em meio ao tsunami de valores espetaculares, o empréstimo de Paulo Okamoto ao presidente Lula poderia parecer, aos marinheiros de primeira viagem, como algo insignificante. Mas alguns - talvez lembrando de um fatídico Fiat Elba - não se deixaram iludir: a CPI dos Bingos acabou chamando Paulo Okamoto para depor.

Diante do depoimento - considerado insatisfatório pela maioria daqueles o presenciaram -, era de se esperar que fosse encaminhada a quebra do sigilo bancário de Okamoto. No mínimo porque a origem de 29,4 mil reais não é algo difícil de ser identificado em uma conta pessoal. Logo, é um pouco incompreensível que não se tenha solicitado tal coisa. Aliás, é curioso que próprio Okamoto não tenha se apressado em abrir, espontaneamente, seu sigilo bancário - o que o livraria, de imediato, de qualquer suspeita.

Contudo, parece que a ordem do dia em relação a este caso é embaralhar as peças do jogo. Pelo menos é isso que eu deduzo quando leio, no Painel da Folha, que alguém no Supremo recomendou a Okamoto que peça para que seu depoimento seja desconsiderado, sob a alegação de que ele foge ao objeto de investigação daquela CPI.

Se emplacar, a estratégia acabará por deixar a CPI dos Bingos de mãos amarradas em relação a outros depoentes importantes como, por exemplo Gilberto Carvalho.

Mas, seja ou não vitoriosa, a manobra evidencia que há algo de muito letal no pequeno frasco de Okamoto.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

50 mil

Hoje pela manhã, este blog atingiu a marca de 50 mil visitas desde sua inauguração, em março de 2003.

Hora de lembrar, então, de gente muito bacana que tem aparecido por aqui.

Amigos da primeira hora - como o Cláudio, a Lele, o Flamarion, o Jorge Nobre, o Nemerson e o Carl -, que tiveram paciência suficiente para aguardar que eu começasse a entender o que é um blog.

Há também os mestres. Em especial Ruy, César e Nibelunga - cujo humor sofisticado valeu-me por iniciação.

Ao meu amado Coronel, agradeço as sugestões de pauta, sopradas, todas as manhãs, entre um beijo e um gole de café.

Mas é significativo que, destas mais de 50 mil visitas, cerca de 29.000 tenham ocorrido a partir de agosto deste ano - quando este blog, no embalo da atual crise política, começou a marcar uma média que ultrapassa as 7.000 visitas mensais.

Nisso devo reconhecer as graças concedidas pelo santo padroeiro deste blog. Tal qual Santo Antônio, ele às vezes precisa ser colocado de cabeça para baixo, no freezer, pra se comportar. Mas aprendi a gostar dele mesmo assim.

Chegaram, pois, mais leitores. Muitos deles se tornaram amigos valiosos, com quem dividido momentos impagáveis lá na Sala de Justiça. Soube, Kika, Mãe da Sofia, Sergio, Cristal, Marcos, Fora Lulla, Hagg, Lorenza, Aline e Artemus: é muito bom caminhar com vocês.

E como sei que vou acabar esquecendo alguém pelo caminho, termino este post agradecendo a preferência daqueles que, comentando ou não, passam por aqui para ler o que penso. Nada é mais valioso do que uma boa companhia.