Muitos leitores preferem manter contato comigo por e-mail ao invés de usar a área de comentários. Tento responder a todos os e-mails que recebo e, que eu me lembre, nunca utilizei o blog para fazê-lo.
Mas hoje cedo recebi um e-mail interessante, de uma leitora que se assina "Belita" e que me pergunta o que eu penso a respeito do voto nulo. Diz ela, acertadamente, que não raro votamos para eleger o "menos pior". Ela também quer saber se adiantaria alguma coisa termos uma grande quantidade de votos nulos na próxima eleição.
Então vamos lá...
Ouço e leio por aí que se os votos nulos somam 50% mais um, o pleito é anulado. Neste caso, chama-se novas eleições para dali a trinta (ou sessenta ou noventa, não sei ao certo) dias - estando vetada a participação de qualquer um que tenha se candidatado na primeira.
Não sei se a informação acima está correta - há muita discussão sobre o tema na internet. E não sei se está correta porque nunca me interessei pelo assunto. E nunca me interessei pelo assunto simplesmente porque isto é uma loucura que, na minha opinião, não tem a menor possibilidade de se concretizar.
É uma loucura. Está certo que o Congresso deixa muito a desejar - pois, ontem mesmo, eles não se deram belas férias remuneradas? Agora, se já é difícil escolher candidatos com toda a informação que deles circula na mídia, imaginem como seria escolher às pressas, entre pessoas desconhecidas, num delírio inovador que abriria possibilidades para inúmeros aventureiros?
Sem a menor possibilidade de se concretizar. Ora bolas, se um candidato que tinha o apoio de toda a imprensa, dos empresários, das igrejas, dos movimentos socias e da torcida do Flamengo - como aconteceu com Lula na eleição passada -, não conseguiu atingir um patamar percentual destes, sendo obrigado a ir para o segundo turno, vocês acham que "candidato algum" conseguiria? Logo, é uma ilusão.
O problema é que esta ilusão tem seus efeitos no mundo real: quem vota nulo reforça as chances de eleição do candidato favorito. Hoje, por exemplo, quem vota nulo, vota em Lula.
Vou repetir: hoje, quem vota nulo, vota em Lula. Aliás, dizem por aí que os petistas estão justamente pregando o voto nulo. Eles sabem que cada vez que alguém se exime de escolher um presidente, Lula se torna mais forte.
Eximir-se de escolher. Eis, aqui, a única possível vantagem do voto nulo. É uma vantagem mesquinha e egóica: aquela satisfação pessoal de poder dizer, diante dos possíveis tropeços de um novo governo, "eu não ajudei a eleger este sujeito".
Belita, você não é mesquinha.
Belita, você não é egoísta.
Vá votar, Belita.