quinta-feira, 6 de julho de 2006

Mais sujeira?

Hoje é dia de "aposta" no Apostos.

Aí os meninos resolvem que o tema do mês é "sujeira".

Sim, todos devem escrever um post sobre sujeira.

Perguntinha: como é que fico eu?

Meninos, este blog é prenhe em sujeira. Eu falo de sujeira diariamente por aqui. Raro é o dia em que eu não levanto este enorme tapete republicano para trazer à luz algum cisquinho - no geral, é bem maior e fede bem mais que um cisquinho mas deixemos por isso mesmo.

Querem sujeira? Com o início da campanha eleitoral, creio que teremos de sobra, para todos os gostos e tamanhos. É verdade, porém, que com a nova legislação a sujeira visual tenderá a diminuir.

Pelo menos em algumas coisas estamos nos tornando mais limpinhos.

botons.jpg

A coleção de botons da campanha presidencial de 1989, de Daniel Sansão.

Perdidona

Começa a campanha e eu estou absolutamente perdida quanto ao que eu, na qualidade de um bloguinho independente, posso ou não fazer.

Por exemplo: charge pode?

"Ôh, Nariz Gelado, vá ler a lei."

Eu não.

Não quero ler a lei mas também não quero infringí-la.

Sou brasileira. Uso novos equipamentos sem ler os manuais.

Quero uma assessoria gratuita.

Quero alguém me dizendo: isto pode, aquilo não.

Pode ser aquele pessoal do TSE que me visita desde o ano passado.

(Ah..vocês pensaram que tinham passado invisíveis pelo meu Site Meter, hein?)

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Geração de empregos

Você, moça bonita, sensual e limpinha, que se sente excluída pelo maldito sistema capitalista, não se desespere.

Se você é persuasiva, discreta e dona de um espírito lúdico, o Ministério do Trabalho e do Emprego tem a solução: torne-se uma profissional do sexo.

É isso mesmo, minha filha. Saiba usar o que Deus lhe deu e vá à luta - se você souber usar em dois idiomas, diz o Ministério, melhor ainda.

E não se acanhe com a pouca experiência, viu? Vá ao site do nosso valoroso Ministério e leia a cartilha que foi preparada para você. Dê especial atenção para os links "Recursos de Trabalho" e "Tabela de Atividades" que tudo sairá a contento.

Está me lendo ainda porquê, querida?

Vá lá "batalhar o programa".

O Governo Federal agradece.

Para Belita votar

Muitos leitores preferem manter contato comigo por e-mail ao invés de usar a área de comentários. Tento responder a todos os e-mails que recebo e, que eu me lembre, nunca utilizei o blog para fazê-lo.

Mas hoje cedo recebi um e-mail interessante, de uma leitora que se assina "Belita" e que me pergunta o que eu penso a respeito do voto nulo. Diz ela, acertadamente, que não raro votamos para eleger o "menos pior". Ela também quer saber se adiantaria alguma coisa termos uma grande quantidade de votos nulos na próxima eleição.

Então vamos lá...

Ouço e leio por aí que se os votos nulos somam 50% mais um, o pleito é anulado. Neste caso, chama-se novas eleições para dali a trinta (ou sessenta ou noventa, não sei ao certo) dias - estando vetada a participação de qualquer um que tenha se candidatado na primeira.

Não sei se a informação acima está correta - há muita discussão sobre o tema na internet. E não sei se está correta porque nunca me interessei pelo assunto. E nunca me interessei pelo assunto simplesmente porque isto é uma loucura que, na minha opinião, não tem a menor possibilidade de se concretizar.

É uma loucura. Está certo que o Congresso deixa muito a desejar - pois, ontem mesmo, eles não se deram belas férias remuneradas? Agora, se já é difícil escolher candidatos com toda a informação que deles circula na mídia, imaginem como seria escolher às pressas, entre pessoas desconhecidas, num delírio inovador que abriria possibilidades para inúmeros aventureiros?

Sem a menor possibilidade de se concretizar. Ora bolas, se um candidato que tinha o apoio de toda a imprensa, dos empresários, das igrejas, dos movimentos socias e da torcida do Flamengo - como aconteceu com Lula na eleição passada -, não conseguiu atingir um patamar percentual destes, sendo obrigado a ir para o segundo turno, vocês acham que "candidato algum" conseguiria? Logo, é uma ilusão.

O problema é que esta ilusão tem seus efeitos no mundo real: quem vota nulo reforça as chances de eleição do candidato favorito. Hoje, por exemplo, quem vota nulo, vota em Lula.

Vou repetir: hoje, quem vota nulo, vota em Lula. Aliás, dizem por aí que os petistas estão justamente pregando o voto nulo. Eles sabem que cada vez que alguém se exime de escolher um presidente, Lula se torna mais forte.

Eximir-se de escolher. Eis, aqui, a única possível vantagem do voto nulo. É uma vantagem mesquinha e egóica: aquela satisfação pessoal de poder dizer, diante dos possíveis tropeços de um novo governo, "eu não ajudei a eleger este sujeito".


Belita, você não é mesquinha.

Belita, você não é egoísta.

Vá votar, Belita.

terça-feira, 4 de julho de 2006

Sorry, periferia

Este blog recebe cerca de 3500 visitas semanais.

Valorizo cada uma delas - e por várias vezes já disse, aqui, que eu não sei como é que vocês me agüentam.

Agora, ser lida pela futura governadora do Rio Grande Sul, vocês me desculpem...Não é para qualquer uma.

Desconstruções

Mestres em desqualificar qualquer um que lhes dê combate, os petistas empreenderam uma verdadeira "caça" ao caseiro Francenildo.

No auge do episódio - enquanto Antônio Palocci era afastado do Ministério da Fazenda, suspeito de ter mandado quebrar ilegalmente o sigilo bancário de Francenildo - apareceu até revista fartamente abastecida com verbas governamentais para ir ao interior do Piauí chafurdar a versão do caseiro.

Pois hoje leio na Folha de São Paulo que a Polícia Federal está entregando à Justiça, nesta semana, um relatório interessante: nada de ilegal houve naqueles R$ 25 mil reais surgidos na conta de Francenildo. Os depósitos foram feitos, como alegava o caseiro desde o início, pelo empresário Eurípedes Soares da Silva, que Francenildo acredita ser seu pai biológico. Embora o empresário negue a paternidade, confirma os depósitos como forma de não deixar a questão ser descoberta por sua família.

Com relação à quebra do sigilo em si, deve-se aguardar a palavra do Ministério Público Federal, que deverá decidir se indicia ou não os envolvidos. No inquérito, Antônio Palocci é apontado como responsável pela ordem que provocou a violação dos dados bancários do caseiro.

Pois bem.

Agora que temos um relatório da Polícia Federal, será que o PT e sua militância vão se desculpar pelo enorme constrangimento que causaram ao Francenildo ao defenderem, em todos os fóruns possíveis e viáveis, que o rapaz havia "vendido" um falso testemunho para a oposição?


Ou será que, como sempre, os petistas vão fazer de conta que não é com eles?

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Eu não disse, playboy?

"Eu, pessoalmente, sou favorável à reeleição, mas com regras para evitar o abuso."

(Geraldo Alckmin, no programa Roda Viva de ontem à noite, dizendo-se favorável à reeleição.)

Pombo-correio

Para Geraldo Alckmin, que será entrevistado no Roda Viva de hoje: não dê ouvidos à assessoria. Seja você mesmo e ofereça atenção especial para perguntas que incluírem denúncias.

Para Germano Rigotto, que a cada dia se aproxima mais de Lula: gaúcho só gosta de pelego para montar. Trate de reencontrar o rumo antes que o mandem de volta para Caxias do Sul.

Para Aécio Neves: playboy a gente até acha bonitinho... Mas traíra ninguém engole. Pode ir esquecendo 2010.

Para Tasso Jereissati: livre-se do playboy. Aproveite e livre-se também do Azeredo. Aliás, seja menos Parreira e mais Felipão.

Para Yeda Crusius: vai, que é tua. Eles não passam de um bando de frouxos.

domingo, 2 de julho de 2006

O bobalhão e o banana.

Meu meu pai tinha horror do Roberto Carlos - o boleiro, não o cantor.

Dizia que o Roberto Carlos era um bobalhão, que "jogava olhando para as próprias mãos".

Se você perguntasse "como assim?", ele explicava: Roberto Carlos passa o tempo todo olhando para si mesmo. Às vezes para as mãos, às vezes para os pés, às vezes para um fio puxado na camisa.

Não deu outra. Ontem, enquanto o bobalhão olhava para as próprias meias, Henry marcou o gol que decidiria o nosso retorno para casa.

É claro que não foi só isso. Na minha opinião, voltamos para casa porque nos faltou técnico - e isto é coisa que venho dizendo desde os jogos amistosos.

Ontem eu já não gostei quando vi a seleção chegando ao estádio para uma partida decisiva tocando pagode. Toda esta descontração não é coisa para quem está prestes a entrar em guerra. E em time meu, se o Robinho fosse abraçar Zidane no intervalo - ao invés de ir incentivar os companheiros de selecionado - saía do banco na hora...Iria direto para o vestiário.

Craques são meninos-grandes. Muito cedo eles são arrancados dos meios convencionais de educação - a casa, a escola, a vida, enfim - para viver em uma espécie de redoma. Falta -lhes contato com o mundo real. Só conhecem bola e estádio. Por isso mesmo, são espíritos facilmente moldáveis - razão pela qual, a postura individual ou de grupo depende sempre e diretamente do técnico.

Quando umo time é composto por uma coleção de talentos, então, mais capacidade de coesão, disciplina e autoridade deve ter o técnico.

Felipão é ótimo nisso. Já Parreira...Bem, de Parreira meu pai dizia que era um banana.

Não vou tirar o mérito de Zidane. O francês fez uma belíssima partida, é verdade. Mas meu pai, também ele jogador de futebol, sabia tudo deste negócio: aquele fiasco, aquela derrota humilhante de ontem, vocês podem creditar, sem medo, ao banana e ao bobalhão.

sábado, 1 de julho de 2006

O mês do Beato Lula

Leio na Folha de São Paulo que, diante dos últimos números do Datafolha e do Vox Populi, Lula confidenciou a assessores: “junho foi o mês da oposição - o período foi marcado por críticas ao governo petista em programas de TV do PSDB, do PFL e do PPS”.

Parece que, mais uma vez, Lula não viu aquilo que todo o Brasil viu, a cores e em horário nobre: nunca na história deste país a máquina pública foi utilizada tão descaradamente pelo Governo Federal como o foi neste mês de junho. Fosse inundando as redes de TV com campanhas publicitárias meramente eleitoreiras, fosse com Lula batendo todos os recordes populistas e oportunistas - realizando 34 discursos em 34 eventos diferentes -, o milagroso aparelhamento estatal petista esteve trabalhando em ritmo alucinante.

A grande mídia nos brindou com o Beato Lula discursando em eventos miraculosos.

Tivemos a inauguração do primeiro pingo de solda de um gasoduto, a instalação de um pólo petroquímico sem terreno e a visão dos futuros trilhos da Transnordestina. Suportamos a videoconferência com a seleção do Ronaldo, a fiscalização in loco de postes, tomadas e interruptores de luz e uma pedra fundamental para o biodiesel. Nos impuseram, ainda, a contagem - perdão pelo trocadilho - de Bolsas Família em Contagem. E o fecho de ouro: em agradecimento aos serviços prestados pelas emissoras de TV, Lula assinou o contrato definindo o padrão de TV digital japonês que elas queriam.

Para conferir as parábolas juninas do Beato Lula na íntegra, basta ir ao site oficial da Presidência da República. Tirando os sábados e domingos, quando o Beato se recolhe para meditar, temos a histórica média de 1,5 discursos por dia, todos cobertos (ou acobertados?) pelos meios de comunicação - aqueles mesmos que foram inundados de dinheiro público na maior farra publicitária de todos os tempos.

Junho foi, na verdade, o mês do Beato Lula e de sua procissão midiática. E mesmo assim, Alckmin já é Geraldo.

Milagre?