quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Corra que a imprensa já escolheu.

Boa parte da imprensa nacional - aquela parcela de tendência centro-esquerda, que emocionou-se ao ver o presidente-operário chegar ao poder - esteve órfã neste último ano.

Num determinado momento ao longo do ano passado, fosse por vergonha ou profissionalismo, tornou-se impossível a ela continuar defendendo o Lula que ajudara a eleger. Careceu, de lá para cá, de uma alternativa que pudesse reunir sua ideologia com os apelos populares de moralização da política nacional.

Pois o problema da imprensa parece resolvido com Heloisa Helena - aquele híbrido entre Rosa de Luxemburgo e Madre Teresa de Calcutá que, ontem, na entrevista que concedeu ao Jornal Nacional, colocou-se no papel de "mãe da nação". Saudosa de um mito e órfã de alguém que possa encarnar seus anseios mais utópicos, a imprensa delirou.

Eu recomendaria cuidado extremo. Além de carente de pai e mãe, a imprensa é péssima para discernir o que é melhor para o Brasil. Da última vez em que ela apontou um predileto, impingiu ao país um engodo de tal monta que estamos a amargá-lo até hoje. Não por acaso ele, o engodo, tomou ares de "pai dos pobres".

Corram, pois.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

"Estamos de olho" - não é isto que a Globo gosta de dizer?

Anotem aí: uma única pergunta sobre proposta de governo. Nenhuma pergunta de opinião. Wlliam Bonner e Fátima Bernardes estrearam as entrevistas com os candidatos a presidêcia da República fazendo um tipo de jornalismo que raramente se vê nas bandas globais.

É claro que ninguém esperava pétalas de rosas - e Geraldo Alckmin, no final das contas, acabou saindo-se muito bem. Mas acredito que o público do jornal televisivo de maior audiência do país deve ter ficado chocado com tanta virulência. Esta que vos escreve nunca tinha visto Fátima Bernardes perder a linha a ponto de precisar ser contida pelo marido. E a verdade é que Ricardo Berzoini não teria feito uma pauta diferente.

Nada disso, porém, ficará feio - ou parecerá tendencioso - se os demais candidatos receberem da dupla global o mesmo tratamento.

E é aí que eu estou pagando para ver. Quero ver Lula sendo apertado na mesma medida. Quero ver Fátima Bernardes peguntar, com todas as letras: " Presidente, o sr. sabia ou não sabia das barbaridades cometidas por Silvio Pereira, Delúbio Soares e José Dirceu? Como o sr. explica que os seus homens de confiança tenham formado, sem que o sr. soubesse, aquilo que o Procurador Geral da República classificou como quadrilha? E o sr. entende, presidente, que foi o maior beneficiário deste esquema? E afinal de contas, presidente Lula, se Paulo Okamotto nada deve, porque o sr. não pede que ele, a bem de acabar com as suspeitas, abra logo aquele sigilo bancário? "

É bom, aliás, que o casal comece a mostrar que dará tratamento igualitário a todos os cadidatos amanhã mesmo. Penso que a primeira pergunta para Heloisa Helena é: "Senadora, enquanto esteve no PT a senhora nunca se preocupou em saber como foi paga a sua campanha para o Senado? E agora, que a senhora sabe que o PT tinha caixa dois e esquemas de contas no exterior para pagamento de campanhas, a senhora se preocupou em investigar isso?"

É isso aí, Fátima e William...Ou vocês fazem isso ou podem ir para casa cuidar dos trigêmeos.

O golpe de 1999

Tarso Genro, em 25 de janeiro de 1999, propôs a renúncia de Fernando Henrique Cardoso, na Folha de São Paulo, instando que, através de emenda constitucional, fossem convocadas novas eleições. O artigo se transformou no “teaser” da campanha “Fora FHC”, protagonizada pelo PT, que parou o país por quatro anos.

Naquela oportunidade, Élio Gaspari comentou, na sua coluna para a Folha:

A proposta de Tarso Genro é golpista. Poderia ser chamada também de oportunista e primitiva, mas isso seria uma ofensa aos primitivos e aos oportunistas. (...) Como todas as propostas golpistas, a de Tarso Genro é marota. Apenas para efeito de demonstração, cabe perguntar: com que votos seria aprovada essa emenda?

Pois Tarso Genro está por trás de uma nova tentativa de golpe: a proposta de Lula de convocar uma Constituinte para confiscar o voto que o povo brasileiro vai dar aos congressistas nestas eleições - para que estes, após supostamente reelegerem Lula, percam o mandado conquistado nas urnas.

Élio Gaspari, na sua coluna para a Folha do último dia seis, novamente comenta:

A proposta de convocação de uma eleição para formar uma Assembléia Constituinte depois de outubro é golpista, dissimulada, velha e suicida. É golpista porque pretende obter de um Congresso desmoralizado uma emenda constitucional que eleja e instale uma Constituinte alavancada pelo resultado presidencial de outubro. A idéia foi endossada por Nosso Guia e pelo comissário Tarso ("Fora FHC") Genro. A proposta é dissimulada porque irá além do pretexto da reforma política. Gerará uma situação parecida com a da Venezuela de Hugo Chávez, a Bolívia de Evo Morales e a Argentina das últimas reformas de Néstor Kirchner.”

A História não mente

Em 16 de maio de 1999, em artigo à Folha, Tarso Genro esclarecia os motivos pelos quais pretendia interromper o mandato de FHC :

Hoje, acrescento que o presidente está pessoalmente responsabilizado por amparar um grupo fora da lei, que controla as finanças do Estado e subordina o trabalho e o capital do país ao enriquecimento ilegítimo de uns poucos. Alguns bancos lucraram em janeiro (evidentemente, por ter informações privilegiadas) US$ 1,3 bilhão, valor que não lucraram em todo o ano passado! "

Se estes eram argumentos suficientes naquela época, em vez de querer transformar Lula no mais novo ditador da América Latina, Tarso Genro deveria pedir a renúncia do Presidente. Pois nunca, na história deste país, houve um enriquecimento tão ilegítimo quanto o Mensalão. Nunca tantos candidatos suspeitos e indiciados foram legitimados como no PT. Nunca os bancos lucraram tanto no Brasil.

Então é assim: ou Tarso Genro pede a renúncia de Lula, ou eu vou acreditar em Élio Gaspari - e concluir que Genro não passa de um golpista, maroto e dissimulado.

domingo, 6 de agosto de 2006

O golpe de 1989

Desde 1989, quando foi Deputado Constituinte, Lula tem uma relação de amor e ódio com a democracia. Amor quando a democracia lhe serve. Ódio quando a democracia lhe impõe limites.

Na Constituinte, foi obrigado a reaprender a negociar, a lutar por idéias e a fazer acordos com pensamentos contrários. Para quem estava acostumado a convocar greves, invadir fábricas e botar piquetes em portões de indústrias, colocando os inimigos contra a parede na hora da negociação, foi uma decepção.

Deputado Constituinte frustrado, chamou a estrutura do Congresso de arcaica. Afirmou que tinha nojo do Congresso. Denominou o Congresso de vendilhão de ilusões. Garantiu que não assinaria a Constituinte. Foi em cima deste discurso contra os políticos que Lula iniciou a sua carreira de candidato, naquele mesmo 1989.

Pois agora, quase 30 anos depois, o mesmo Lula frustrado quer convocar uma Constituinte só pra ele. Os argumentos de ódio são os mesmos que Lula usou em 1989: o sistema político está apodrecido, o Congresso legisla em causa própria e é o único responsável por todas as mazelas do país nos últimos 50 anos.

Lula, na verdade, quer jogar toda a conta do Mensalão implantado pelo seu Governo, que emporcalhou o seu mandato, na coluna de débitos do Congresso Nacional.

Não podemos esquecer que Lula já usou uma Constituinte para se projetar contra os políticos até chegar à Presidência da República. Agora, quer uma nova Constituinte para nunca mais sair do cargo, montando um Congresso de fantoches.

O golpe está anunciado desde 1989. Só não vê quem não quer

sábado, 5 de agosto de 2006

Fala, Geraldo

Ontem, no Sergipe, Geraldo Alckmin passeou na rua com a camisa molhada de chuva, mostrando que está lutando para ser Presidente do Brasil.

No entanto, perguntado pelo Jornal Nacional sobre as suas propostas, disse para 40 milhões de telespectadores de todas as classes sociais: “cada hectare irrigado gera dois ou três empregos”.

Não...Definitivamente, não é assim que se fala, Dr. Geraldo. Melhor falar assim: “Eu vou aguar essa terra para fazer brotar milhares de empregos em todo o Nordeste”.

Vá por mim, doutor. E aposente, pelo menos por enquanto, as proparoxítonas.

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Chupim Ausente

Vem aí o primeiro debate sobre o futuro da selva brasilis.

Já estão confirmadas as presenças do tucano, da onça sertaneja e da coruja.

O único ausente será o chupim. Os motivos são óbvios: ele continua muito ocupado em colocar ovos no ninho dos outros.

O chupim também é conhecido no Brasil como engana-tico-tico, corvo, papa-arroz, parasita e vira-bosta.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Fatos & fotos

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Pedro Henry, Lula e José Dirceu: enturmados.

Ontem os petistas, pressionados pela entrada do PT na UTI móvel em função de novas e bombásticas denúncias do empresário Luiz Antônio Vedoin, tentaram lançar mais uma nuvem de fumaça: mandaram para blogs amigos uma foto do Ministro da Saúde José Serra entregando ambulâncias em Mato Grosso, em 2001, ao lado do Deputado Pedro Henry, do PP mato-grossense.

Como todos sabem, Mato Grosso é o estado com o maior número de municípios envolvidos com a Máfia dos Sanguessugas.

Como todos sabem, Pedro Henry é um dos maiores beneficiários do Mensalão, sendo o vigésimo indiciado pelo Procurador Geral da República.

Na foto acima, Pedro Henry é recebido com pompas e circunstâncias pelo Presidente Lula e por José Dirceu, em dezembro de 2003, para tratar da liberação de emendas para municípios do Mato Grosso. A matéria completa pode ser lida aqui.

Nela, o parlamentar, agora celebrizado como mensaleiro e sanguessuga, afirma que os recursos de emendas individuais - solicitados por um só deputado - e de emendas de bancada - quando o pleito reúne todos os parlamentares de cada Estado - são fundamentais para se alavancar a economia nos municípios:

Esta é uma forma de gerar emprego e renda para a população e fazer o dinheiro circular, beneficiando principalmente aqueles que hoje estão à procura de trabalho”, defendeu Henry.

Como não sou jornalista, deixo para eles apenas uma dica: investiguem se os pleitos de Pedro Henry foram atendidos por Lula e José Dirceu - e se isso tem alguma coisa a ver com as ambulâncias.

Fora da lei?

A legislação eleitoral é clara em relação ao endereço de páginas de candidatos na internet.

Resolução 022261 de 29 de junho de 2006 (Instrução 000107)

Art. 71. Os candidatos poderão manter página na Internet com a terminação can.br, ou com outras terminações, como mecanismo de propaganda eleitoral (Resolução nº 21.901/2004).

§ 1º O candidato interessado deverá providenciar o cadastro do respectivo domínio no órgão gestor da Internet Brasil, responsável pela distribuição e pelo registro de domínios (www.registro.br), observando a seguinte especificação: http://www.nomedocandidatonumerodocandidato.can.br, em que “nomedocandidato” deverá corresponder ao nome indicado para constar da urna eletrônica e “numerodocandidato” deverá corresponder ao número com o qual concorre.

O endereço do site do Lula é http://www.lula13.org.br/home.php. Mas se o internauta clicar em http://www.lulapresidente.org.br cai no mesmíssimo site.

Não sei quanto é a multa fixada pelo TSE. Fica aqui , contudo, a dica para os advogados tucanos sangrarem um pouco mais os combalidos cofres petistas.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Vox Populi ou Vox Dei?

Dia 31 de julho, segunda-feira, no programa de Franklin Martins na Band, o todo-poderoso da Vox Populi, Marcos Coimbra, avisou que as próximas pesquisas darão Lula com 20% acima dos demais candidatos, quando a diferença na sua pesquisa anterior era de 10%.

O mais interessante é que o Vox Populi não tem qualquer pesquisa registrada no TSE e nenhuma equipe “fazendo campo”, que autorize a afirmação prévia do empresário.

Coimbra deve ter recebido alguma mensagem. A minha única dúvida é se recebeu do Planalto ou de Deus. Do povo é que não foi.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Reinaldo Azevedo vive.

Para quem ainda não sabe, Reinaldo Azevedo pede que avisemos de seu novo endereço.

O sumiço deveu-se apenas a questões técnicas - ao que tudo indica, por culpa daquela peça que fica entre a cadeira e o teclado.