Tarso Genro, em 25 de janeiro de 1999, propôs a renúncia de Fernando Henrique Cardoso, na Folha de São Paulo, instando que, através de emenda constitucional, fossem convocadas novas eleições. O artigo se transformou no “teaser” da campanha “Fora FHC”, protagonizada pelo PT, que parou o país por quatro anos.
Naquela oportunidade, Élio Gaspari comentou, na sua coluna para a Folha:
“A proposta de Tarso Genro é golpista. Poderia ser chamada também de oportunista e primitiva, mas isso seria uma ofensa aos primitivos e aos oportunistas. (...) Como todas as propostas golpistas, a de Tarso Genro é marota. Apenas para efeito de demonstração, cabe perguntar: com que votos seria aprovada essa emenda?”
Pois Tarso Genro está por trás de uma nova tentativa de golpe: a proposta de Lula de convocar uma Constituinte para confiscar o voto que o povo brasileiro vai dar aos congressistas nestas eleições - para que estes, após supostamente reelegerem Lula, percam o mandado conquistado nas urnas.
Élio Gaspari, na sua coluna para a Folha do último dia seis, novamente comenta:
“A proposta de convocação de uma eleição para formar uma Assembléia Constituinte depois de outubro é golpista, dissimulada, velha e suicida. É golpista porque pretende obter de um Congresso desmoralizado uma emenda constitucional que eleja e instale uma Constituinte alavancada pelo resultado presidencial de outubro. A idéia foi endossada por Nosso Guia e pelo comissário Tarso ("Fora FHC") Genro. A proposta é dissimulada porque irá além do pretexto da reforma política. Gerará uma situação parecida com a da Venezuela de Hugo Chávez, a Bolívia de Evo Morales e a Argentina das últimas reformas de Néstor Kirchner.”
A História não mente
Em 16 de maio de 1999, em artigo à Folha, Tarso Genro esclarecia os motivos pelos quais pretendia interromper o mandato de FHC :
“Hoje, acrescento que o presidente está pessoalmente responsabilizado por amparar um grupo fora da lei, que controla as finanças do Estado e subordina o trabalho e o capital do país ao enriquecimento ilegítimo de uns poucos. Alguns bancos lucraram em janeiro (evidentemente, por ter informações privilegiadas) US$ 1,3 bilhão, valor que não lucraram em todo o ano passado! "
Se estes eram argumentos suficientes naquela época, em vez de querer transformar Lula no mais novo ditador da América Latina, Tarso Genro deveria pedir a renúncia do Presidente. Pois nunca, na história deste país, houve um enriquecimento tão ilegítimo quanto o Mensalão. Nunca tantos candidatos suspeitos e indiciados foram legitimados como no PT. Nunca os bancos lucraram tanto no Brasil.
Então é assim: ou Tarso Genro pede a renúncia de Lula, ou eu vou acreditar em Élio Gaspari - e concluir que Genro não passa de um golpista, maroto e dissimulado.