terça-feira, 17 de abril de 2007

Da imbecilidade das macro-argumentações

"A causa de massacres como este ocorrido na Virginia Tech é a cultura americana que, tendo o cinema por carro-chefe, só faz disseminar a violência. O americano é violento. Sua cultura de massa reflete e alimenta isso"

Bem... Se é por aí que vamos, então que tenhamos coragem de virar este imbecil "macroscópio" na nossa direção. O resultado seria algo do tipo: " A causa do nosso subdesenvolvimento é a cultura brasileira que, tendo por carro-chefe a televisão, só faz disseminar prostituição, crime, falência dos valores, corrupção política, policial e religiosa. O brasileiro não presta. Sua cultura de massa reflete e alimenta isso."

Tá bom assim?

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Estranho e irreversível

O ataque na Virginia Tech difere um pouco da ação usual dos franco-atiradores norte-americanos. Não só pelo número de mortos mas, em especial, porque aconteceu em duas etapas: por volta das 7:00 da manhã, ocorreu um primeiro ataque em um alojamento. Duas horas depois, quando tudo parecia resolvido, novo ataque - agora vitimando 30 pessoas.

Embora as autoridades tenham descartado evidências imediatas de um ataque terrorista, até agora não revelaram a identidade do assassino - que parece ter se suicidado ou das vítimas. É uma morosidade incomum para os americanos. Por outro lado, alunos disseram à CNN que, nas últimas semanas, o campus teria recebido várias ameaças de bomba.

Só por curiosidade, fui dar uma olhada nos programas de intercâmbio da Virginia Tech. Pesquisei, também, o calendário de atividades culturais da semana. E, estranho, descobri que esta é justamente a semana de encerramento do Mês da Consciência Judaica. Clique aqui para ver a programação. Também é bom lembrar que hoje a comunidade judaica comemora o Dia do Holocausto - memória aos judeus mortos durante a Segunda Grande Guerra.

A hipótese não pode ser de todo descartada. Ainda assim, caso se confirme um ataque terrorista, creio que as autoridades americanas terão muito cuidado antes de revelar tal coisa. Para começo de conversa, isto obrigaria o governo a uma revisão dramática dos programas de intercâmbio universitário - questão que já provoca, há algum tempo, muita gritaria entre os jovens americanos.

Quem?

“Esse grupo, mais que uma organização criminosa, é um grupo mafioso que tem audácia, que demonstra poder, que faz questão de demonstrar o poder interferindo no Legislativo, no Judiciário, no Executivo e até no resultado do carnaval do Rio de Janeiro.”

(Delegado Emanuel Henrique Oliveira, ontem, em entrevista ao Fantástico, comentando a operação Hurricane.)

Agora é o seguinte... Um delegado faz uma afirmação dessas em rede nacional e ninguém lhe pergunta a que Legislativo, Judiciário ou Executivo ele está se referindo? É o que soubemos até aqui ou há mais?

domingo, 15 de abril de 2007

Que avance a democracia

A preocupação com a educação - em especial, a educação política do eleitorado - é irmã gêmea do sufrágio universal. De Montesquieu a Tocqueville, não houve teórico da democracia moderna que pregasse uma coisa sem a outra.

Mas como o sistema democrático tende a avançar primordialmente pela inclusão cada vez mais ampla de participantes - e somente depois pela implantação dos meios de aperfeiçoamento do sistema em si - chegamos a um ponto em que tornam-se evidentes as conseqüências do direito ao voto do analfabeto, garantido a partir da Constituição de 1988: segundo dados do TSE, dos 126 milhões de eleitores aptos a votar em outubro de 2007, cerca de 24% eram analfabetos ou sabiam apenas ler e escrever. O índice sobe para 68% se forem computados os que não tinham o 1º grau completo e para 74% se considerarmos os chamados analfabetos funcionais - aqueles que não têm a menor noção do funcionamento dos mecanismos políticos.

Conclui-se, pois, que os destinos do Brasil estão sendo decididos por uma maioria de ignorantes políticos. Talvez eles o estejam fazendo mediante aquela "capacidade natural" defendida por Montesquieu. Inegável, porém, que o número de candidatos envolvidos em corrupção eleitos ou reeleitos no último pleito nos faz especular sobre a real existência desta faculdade - ou, no mínimo, da existência daquele um ambiente de informação, debate e conhecimento público, que o teórico francês defendeu como pré-requisito indispensável à democracia.

Uma vez que o sufrágio universal, com base nas novas tecnologias e nos novos meios de comunicação de massa, tenha aberto mão da alfabetização como condição para o exercício da democracia, é praticamente impossível cogitar um retrocesso. No Brasil, em especial, o desleixo governamental para com a educação pública - principalmente aquela do ensino fundamental e médio - colocou-nos numa situação tal que é igualmente inviável pensar numa mudança de quadro para os próximos trinta anos. Com muito empenho e sorte, uma política educacional séria levaria pelos menos duas décadas e meia para reflertir-se nas urnas. E bem sabemos quão longe estamos desta possibilidade.


Se não é possível uma mudança radical e rápida no quadro educacional, talvez a solução seja fazer avançar mais uma vez a democracia.

Comecemos encarando corajosamente uma primeira verdade: boa parte destes 68% de analfabetos funcionais não compareceria às urnas se não fosse obrigada a tanto. Acabar com o voto obrigatório seria, portando, uma forma rápida de resolver parte da questão: afastar das urnas todos aqueles que - a analfabetos funcionais ou não -não se interessem por política.

O risco é que a saída venha a gerar mais alienação e exclusão social. Nos Estados Unidos, determinados segmentos sociais abrem mão, de forma cada vez mais progressiva, do exercício democrático máximo. Na outra ponta, os políticos passam a privilegiar com projetos e iniciativas somente aqueles que comparecem às urnas. Não é, claro, o que queremos. Nosso desejo democrático, já dissemos, vai sempre no sentido da inclusão.

Novamente, a solução pode estar em fazer avançar mais ainda a democracia e romper, numa só tacada, com Montesquieu, Tocqueville e Thomas Jefferson: além de acabar com o voto obrigatório, deveria-se acabar também com a inelegibilidade dos analfabetos. Por um lado, mediante o convite à representação política, se estaria neutralizando a força excludente do voto facultativo. Uma vez convocados a participar efetivamente da política, agora não mais como massa passiva, os analfabetos - sejam eles totais ou funcionais - teriam um estímulo a mais para se interessarem por política. Por outro lado, estaríamos fazendo jus a uma realidade democrática posta: se essa gente pode opinar, deve poder participar ativamente do processo.

Radical, a medida exigiria alguma adaptação: caberia às assessorias dos parlamentares analfabetos, por exemplo, a leitura e a redação dos textos. Mas não se pode afirmar, só por isso, que os resultados seriam mais desastrosos do que já o são atualmente - tome-se como exemplo votação recente, na qual os acusados de crime hediondo ganharam, por distração dos nosso parlamentares, o direito a liberdade provisória e se verá que não há motivos para temer o ingresso de parlamentares analfabetos no quadro político nacional.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Caiu a ficha

"Estamos aniquilados.”

(José Aníbal, ao saber que a popularidade de Lula continua em alta.)

"Dá até desânimo de fazer oposição."

(Gustavo Fruet, diante da mesma notícia.)

"Volto a dizer o que tenho dito nos últimos meses: ou a oposição promove uma limpeza em praça pública, ou Lula se reelege."

(Nariz Gelado, há quatorze meses, pregando no deserto.)

"Esta eleição - entendam, senhores emplumados - não é decisiva para Geraldo Alckmin. Esta eleição é decisiva para o PSDB. Ou o partido toma vergonha na cara agora, ou sairá dela completamente rachado, entregue a um abismo ideológico sem precedentes."

(Nariz Gelado, há seis meses, ainda pregando no deserto.)

Como parece que agora a ficha caiu, vou tentar mais uma vez:

"Ninguém gosta de frouxos. Ou os senhores honram os votos recebidos e continuam firmes na oposição, ou daqui a quatro anos estarei comentando - e comemorando! - a vossa saída do cenário político nacional."

(Nariz Gelado, hoje, avisando que é melhor lutar por uma causa perdida do que capitular covardemente.)

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Lembra?

Já que o STF determinou o arquivamento do inquérito contra o senador Aloizio Mercadante no caso do dossiê, vale a pena lembrar...

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quarta-feira, 11 de abril de 2007

Quem sabe?

Talvez seja hora de partir para ataques cirúrgicos.

Que tal a gente começar a fechar as torneiras que alimentam tantos desmandos?

Não me façam rir, senhores

A oposição está se articulando para antecipar-se ao Supremo Tribunal Federal e criar uma CPI do Apagão Aéreo no Senado. A argumentação principal é de que o maior equíbrio entre forças governistas e oposicionistas a caracterizar o Senado garantiria mais agilidade para a convocação de depoimentos e as solicitações de quebras de sigilo.

Não sei, não.

Primeiro, onde estava o tal "equilíbrio de forças entre governistas e oposicionistas" por ocasião da eleição para a presidência daquela casa? A votação de José Agripino não correspondeu, nem de longe, a tal equilíbrio. Segundo, vamos falar francamente: CPI pra quê? Há seis dias, o relatório final da CPI dos Correios completou um ano sem que tivesse gerado qualquer resultado prático.

Levante a mão quem acredita que uma CPI do Apagão Aéreo vai realmente resolver a bagunça nos aeroportos.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Pesquisa CNT, minha bola de cristal e o senso comum

A CNT acaba de divulgar os resultados de sua pesquisa:

49,0% dos entrevistados são favoráveis à adoção da Pena de Morte e 46,0% são contra.

Em maio de 2003 esses índices eram, respectivamente, 46,7% e 49,7%.

Sobre a Redução da Idade Penal de 18 para 16 anos, 81,5% se dizem a favor, e 14,3% contra.

O aumento do Salário Mínimo de R$ 350,00 para R$ 380,00 foi classificado como Baixo/Inadequado por 59,1%.

Para 22,6%, o novo aumento não é nem alto nem baixo. Para 22,6%, o novo aumento não é nem alto nem baixo. já para 16,3%, o Salário Mínimo é alto.

E Lula?

O desempenho pessoal do Presidente Lula foi aprovado por 63,7%

A avaliação do Governo foi considerada Ótima ou Boa por 49,5%

Pois comparem estes resultados com o que eu tinha adiantado, há mais de duas horas, no post anterior.

Não, eu não tenho fontes dentro da CNT. Também não tenho bola de cristal.

É que há uma fórmula simples para acertar antecipadamente os resultados de pesquisas no Brasil : estar atento ao que a mídia de massa divulga como senso comum. Prestem atenção: não importa se é ou não o senso comum. Importa é que passa a sê-lo, no momento em que a mídia de massa assume como tal. Vejamos os exemplos para o caso em questão...

Com a super exposição do assassinato do menino João Hélio - e a compreensível revolta popular provocada pelo hediondo crime - a pena de morte entrou novamente em pauta. Natural, pois, que seu índice de aprovação apareça mais alto que da última consulta. E se a redução da maioridade penal aparece melhor colocada, é justamente porque a mídia de massa - a despeito de haver apenas um menor envolvido na morte de João Hélio - decidiu que este era o tema a ser colocado em pauta.

Quanto ao salário mínimo... Creio que não há, na história da televisão brasileira, um mês de março onde nossas telinhas não tenham sido invadidas por depoimentos de brasileiros dizendo: "o salário não é o ideal, mas é melhor do que nada". Eis porque a pesquisa a respeito deste item, realizada nesta época do ano, tende a se apresentar mediana. Fizessem a coisa em agosto e talvez fosse diferente.

E a popularidade de Lula? Para além de qualquer medida de governo, Lula continua batendo recordes de exposição na mídia. Pródigo em senso comum, piadas e comportamento vulgar, ele é beneficiado por uma mídia que explora até a última gota suas características pessoais - e essencialmente populistas. Pouco importa que, depois dele, venha um Arnaldo Jabor fazendo crítica. O espaço de Jabor sempre será menor. E o povo não entende o que o Jabor diz.

No senso comum, pois, Lula é um bom presidente - a despeito de seu governo. É por isso que seu governo sempre apresenta um índice menor de aprovação do que sua pessoa. Porque é essa a forma como a própria mídia de massa o apresenta: um falastrão simpático e irresponsável, que pouco ou nada tem a ver com o governo. Acho que alguém já disse que Lula está para nós como a Rainha da Inglaterra para os ingleses. É isso mesmo.

Da próxima vez que a CNT quiser informações sobre a opinião pública, pode dispensar a pesquisa e vir me consultar.

O de sempre

Dentro de 30 minutos, a CNT - Confederação Nacional dos Transportes - vai divulgar pesquisa sobre os primeiros 100 dias do governo Lula. Em pauta, o desempenho político do presidente e a popularidade de seu governo. Também o impacto do novo salário mínimo na economia, a redução da maioridade penal e a pena de morte foram pesquisadas.

Façam suas apostas. As minhas são:

Altos índices de aprovação para a redução da maioridade penal e para a pena de morte.

O salário mínimo receberá uma aprovação mediana.

E Lula?

Bem... A popularidade de Lula estará alta - um pouco acima do índice de aprovação do seu governo.

Depois que sair o resultado, eu volto.