terça-feira, 24 de abril de 2007

Asinhas empanadas

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"Aécio e Serra estão precisando ir mais ao cinema, porque esses filmes todo mundo já viu. Hoje, os dois são mais candidatos a Aldo e a Jobim do que a qualquer coisa. Lula não se satisfaz com maioria; quer unanimidade, para ganhar todas."

Eliane Cantanhêde, na Folha de S. Paulo de hoje, tentando avisar aos dois presidenciaveis tucanos que receber apoio de Lula é andar no cabo da frigideira.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Das prioridades

Na madrugada de sábado, quando deixei o cyber mundo, o assunto da vez era a liminar concedida pelo juiz Sérgio Jorge Domingos, da 22ª Vara Cível de Curitiba, impedindo a circulação da última edição da Revista IstoÉ. A solicitação partira do deputado federal paranaense, Cássio Taniguchi - um suposto "democrata", já que pertence às fileiras do DEM.

Não que a liminar tenha conseguido abafar a informação. Emitida com atraso, ela não impediu que a revista chegasse aos assinantes. A matéria que motivou a liminar - a entrevista com a empresária Silvia Pfeiffer -, por sua vez, foi publicada pelo site Consultor Jurídico.

Mas eu confesso que me espanta um pouco o silêncio geral a respeito do assunto - principalmente de alguns medalhões da blogosfera política, que preferiram se engalfinhar por Kennedy Alencar e Diogo Mainardi ao invés de protestar contra a censura prévia envolvendo a IstoÉ. Embora não seja desprezível a questiúncula entre ambos, ela é - até porque corre a céu aberto - bem menos grave do que a decisão de um juiz de Curitiba que, em pleno estado democrático de direito, quer - ou pelo menos tenta - determinar o que eu posso ou não ler no final de semana.

Logo: a sentença contra Mainardi e a Veja, antecipada por Alencar, vendeu mais porque era fresquinha ou era fresquinha porque vendeu mais? Sei lá. Não me interessa. De Mainardi a Alencar, de Azevedo a Noblat, os envolvidos e seus "defensores" são bem grandinhos e contam com excelentes advogados. Além disso, estão ligados a veículos de comunicação poderosos, através dos quais poderão dar visibilidade às suas reivindicações.

Estou mais preocupada é comigo e com você, leitor, que fomos atingidos pelo desejo de censura de um deputado. Estou me perguntando é se o DEM vai ficar quietinho diantes das denúncias contra um deputado seu. E, pior do que isso, se o DEM aprova o uso da censura para evitar que venham a tona sérias denúncias contra o governo Lula, só para que um membro de suas fileiras seja preservado. Se assim for, voltamos àquele pesadelo de meados de 2005, quando muitos mensaleiros foram salvos para que Brant e Azeredo fossem preservados. Com um agravante: parece que agora eles estão dispostos a negociar até a democracia.

Como vocês podem ver, não preciso de um jornalista para chamar de meu. Preciso, e urgente, é de uma oposição que eu não tenha vergonha de chamar de minha.

Darwin e o avião

Estive no Rio Grande do Sul neste final de semana.

Na ida, o vôo atrasou uma hora e quarenta. Na volta, uma hora e meia.

E a Banânia suspira aliviada: "os aeroportos estão funcionando normalmente".

Darwin diria que esta capacidade de adaptação da espécie - no caso, os banânios - é prova de superioridade. Suponho, pois, que as futuras gerações nascerão com traseiro avantajado, perfeitamente adaptável às exigências da nossa aviação civil.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Plantão N.G.

Mangabeira mostra o Unger.

Por que o tucano subiu a rampa?

É o assunto político do momento. Todo mundo quer saber porque Tasso Jereissati aceitou o convite de Lula.


Está claro que governo e oposição até devem conversar. Quando e sobre o quê é que são elas. Eu, em especial, me pergunto sobre o momento deste encontro de ontem.

O governo acabara de levar um baile em sua tentativa de barrar a CPI do Apagão Aéreo. Não era, penso, a melhor hora para mostrar candura em relação a Lula. Era ocasião de aproveitar este raro lampejo de força de uma oposição que vem sendo sistematicamente soterrada pela maioria do governo na Câmara Federal - a ponto de, na semana passada, eminentes membros do PSDB terem dado mostras públicas de capitulação .

Calculem comigo: a semana abriu com os tucanos em questão vindo a público para explicar e/ou desmentir as desastradas declarações. Depois, na quarta-feira, com a probabilidade de uma decisão jurídica favorável a realização da CPI do Apagão na Câmara - e a manutenção do pedido de abertura de outra similar no Senado - a oposição conseguiu mostrar que ainda respira. A semana, que começara mal, poderia ter encerrado com saldo positivo para o lado de cá que, enfim, mostrara algum vigor. Mas lá se foi o presidente do maior partido de oposição matraquear com o representante máximo da situação.

Talvez por falta de assunto melhor, mas certamente pelo estapafúrdio da estratégia, a imprensa em peso especula sobre as verdadeiras razões deste encontro. Impossível não lembrar daquela corrente antiga - uma das primeiras a circular na internet -que inquiria "Por que a Galinha atravessou a rua?", tentando responder à questão a partir das mais variadas correntes filosóficas e ideológicas.

Como amanhã é sábado - dia de ficarmos inquietos com a falta de notícias políticas - eu proponho* uma nova versão para este clássico: " Por que o tucano subiu a rampa?"

* Vocês já sabem, mas não custa lembrar: sejam educados se quiserem ver suas hipóteses publicadas.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Nota de utilidade pública

Para comentar neste blog - e, em especial, no post abaixo - é preciso dominar alguns rudimentos conceituais.

Saber, por exemplo, a diferença entre grupos terroristas como o Hezbollah, a Al Qaeda, etc e o islamismo - ou, se quiserem, entre o protestantismo e a Ku-Klux-Klan.

Tentativas de reescrever o que afirma esta blogueira podem até ser aceitas a título de, sei lá, esquentar o debate. Mas há que se ter um mínimo de bagagem cultural para tanto.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Da dominação cultural... Ou de como criar monstros

Queiram me desculpar os doutores e biógrafos...Hambúrguer, John Wayne e nicotina não fazem um estrago deste tamanho na cabeça de ninguém.

Tampouco os assassinos de Columbine estavam sozinhos no liqüidificador psicótico de Cho Seung-hui.

A cultura de chamar-se "mártir" e filmar depoimentos antes do "sacrifício" tem nome, sobrenome e endereço conhecidos.

Apaguei

Tem gente reclamando que estou ignorando a contenda sobre a CPI do Apagão Aéreo - se vai sair pela Câmara, pelo Senado ou pelas duas casas.

Minha preferência, é claro, é que saia pelo Senado. Só ali teríamos chances de não ver a oposição obstruir os pedidos de quebras de sigilos - base para a coleta de provas decisivas.

Mas vamos ser sinceros... Vale a pena perder tempo com o assunto?

No final das contas, o "Okamoto" da vez será preservado. E, um ano depois do relatório final, nenhuma providência concreta terá sido tomada.

Penso que é uma imensa bobagem ficar perdendo tempo e bytes com o tema - de modo que apaguei o assunto. E a ele só voltarei se for positivamente surpreendida.

A ode ao oprimido

Em artigo de hoje para a Folha de S. Paulo, intitulado "O que o mestre mandar", Ruy Castro expõe seu desconhecimento a respeito das nuances implicadas na emissão e recepção de mensagens.

Na tentativa de explicar o massacre ocorrido na Virginia, Castro produz uma argumentação adolescente sobre a influência da cultura americana no cotidiano de Banânia. "Durante quase um século, eles nos ensinaram que fumar era bacana, adulto e moderno", inicia. Em seguida, explica: "Mas, então, eles descobriram que fumar não fazia bem, e a ordem foi banir o cigarro". No segundo parágrafo, ele conta como "eles" nos ensinaram a consumir fast food. No terceiro, explica que "eles" descobriram que aquela era uma comida perigosa e passaram a nos ensinar a evitá-la. Não demora a desferir aquele que deve ter lhe parecido, no momento da redação, o golpe dramático a encerrar sua cantilena:

"Por fim, e por igual período, eles nos ensinaram a admirar os pistoleiros Jesse James, Billy the Kid e Wyatt Earp. Ficamos íntimos da Magnum 44, do Colt 45, da Winchester 73 e de outras ferramentas da civilização americana. Tanto que nos dedicamos furiosamente a usá-las uns contra os outros, entre nós mesmos.(...) Às vezes, como anteontem, eles descobrem que ferramentas análogas, nas mãos de um animal doente e agressivo, como o ser humano, costumam ser mortíferas. Alguns até já cogitam proibi-las. Pode ser que, lá, nos EUA, eles consigam."

É uma ode ao oprimido: somos todos, enfim, tábula rasa, esperando apenas que os americanos nos digam como tocar nossas vidas. É o mito rousseauniano do bom selvagem: éramos um povo puro e fomos corrompidos pelos americanos. Somos, pois, um povo indefeso, imberbe, incapaz de reagir contrariamente às mensagens emitidas pelo "mestre".

Querem saber? Vou concordar com Ruy Castro. Vou, sim. E vou comprar sua teoria por inteiro: o brasileiro é desprovido de senso crítico, incapaz de apropriar-se das mensagens que recebe para determinar o que delas lhe serve ou não. Está, o oprimido brasileirinho, à mercê de tudo o que vê, lê e ouve, não tendo, igualmente, capacidade de gerar idéias e comportamentos próprios.

De posse dessa teoria - que, notem bem, aceitei sem ressalvas, como requer meu limitado intelecto tupiniquim - vou perguntar ao brasileiro Ruy Castro quem é o seu "mestre". Quero saber aos mandos de quem ele atende quando escreve um texto assim, ou seja : qual foi o lixo que Ruy Castro engoliu, sem qualquer análise crítica, para escrever tal porcaria?

terça-feira, 17 de abril de 2007

A vaca gorda do capitalismo

Nos Estados Unidos, sempre que um franco-atirador ataca, doutores das mais diversas áreas se debruçam sobre os livros para tentar entender o fenômeno. Até hoje não encontraram uma resposta.

No Brasil, porém, a maior rede de televisão do país chama a doutora em psicologia e professora da PUC-SP, Sandra Dias, para malhar o capitalismo. E o que ela diz? Dentre outras "pérolas" que: "Em uma cultura onde o consumo é impositivo, a coletividade vai se colocar como uma massa de consumidores. E como um sujeito vai se marcar diferentemente? Como ele vai marcar o lugar dele, o lugar de um sujeito? Ou seja, o lugar que não é dos consumidores? Sempre por um ato heróico. Nós podemos entender que um jovem que sai atirando na coletividade está fazendo um ato heróico, mesmo que negativo".

Imperativo dizer que, enquanto a Globo e dona Sandra se ocupavam em malhar a vaca gorda do capitalismo yankee - alvo de dez entre dez comunalhas que se aboletam nas academias tupiniquins - dezenove brasileiros morriam no Rio de Janeiro, sede da Rede Globo de Televisão, em virtude de mais um desses corriqueiros combates entre traficantes.

Quem quiser assistir a tendenciosa matéria da Globo pode clicar aqui.

(Este post foi redigido com a colaboração do leitor que se assina "O Pensador" e que postou a informação, bem como o link para a matéria, na área de comentários deste blog. )