domingo, 6 de maio de 2007

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Au revoir, esquerdalha

PARIS - Nicolas Sarkozy, em seu primeiro pronunciamento neste domingo, 6, após sua rival Ségolène Royal admitir sua derrota, disse que os EUA podem "contar com nossa amizade", deixando claro seu desejo de aproximação ao propor uma União Mediterrânea, com os países das duas margens do mar, com o objetivo de promover "um sonho de paz e civilização". Diante de seus seguidores, após obter a vitória nas eleições presidenciais, Sarkozy assegurou que "por toda sua vida" foi europeísta e acredita na construção européia. Ele afirmou que, com os EUA, a França "estará a seu lado quando precisar, embora a amizade signifique também que se possa pensar de um modo diferente". Pediu ainda ajuda aos EUA contra as mudanças climáticas.

Fonte: Estadão - Com Agências Internacionais

sábado, 5 de maio de 2007

Traíra é abatida com dois golpes

Nas últimas 24 horas, o ambicioso José Serra sofreu dois violentos golpes que podem atrapalhar seu projeto presidencial.

Ao quebrar a patente do Efavirenz, Lula apropriou-se de um forte discurso de campanha de José Serra: o do sujeito que, como Ministro da Saúde, "peitou" os grandes laboratórios internacionais, quebrando patentes de medicamentos importantes para os brasilero. Agora foi-se. Lula - e quem ele quiser como herdeiro - acaba de tomar para si a façanha.

O segundo golpe veio no final da tarde de hoje - e se refere, justamente, à escolha do herdeiro de Lula. Considerando como certas as informações de Josias de Souza, Lula está articulando a transferência de Aécio Neves para o PMDB, por acreditar que ele pode ser o candidato governista em 2010.

Nada disso pode espantar aos medianamente informados. Até minha avó já sabia que quem tenta sentar em duas cadeiras, corre o risco de sentar no chão. Meu palpite é que, depois de servir para enfraquecer José Serra, o playboy acabará igualmente na geladeira. Lula é mestre em aproveitar-se da vaidade alheia para chegar aos seus objetivos. Bem feito para as traíras.

Segredos de uma xenófoba e paradisíaca aldeia

Conta a lenda que há 27 anos, quando o gaúcho Péricles Druck começou a erguer Jurerê Internacional, os habitantes de Florianópolis - os "nativos" como eles mesmos gostam de se autodenominar - faziam piada. "Só um gaúcho tolo, como são todos os gaúchos, poderia pensar em construir um bairro no meio do banhado" diziam, então, referindo-se ao fato de que o novo empreendimento localizava-se junto a um mangue.

Passados os primeiros anos, Jurerê Internacional mostrou-se um sucesso: primeira praia de Forianópolis com tratamento de esgoto, controle do lixo, sistema viário inteligente, ruas e praças mantidas com capricho e moradores que se esmeram no embelezamento de seus jardins - todos eles sem cercas ou muros, como queria a proposta idealizada por seu criador e como permite o baixo índice de criminalidade local - o empreendimento é considerado modelo no mundo todo.

Por isso, por oferecer algo inédito no Brasil, Jurerê Internacional supervalorizou, tornando-se sinônimo de luxo e ostentação arquitetônica. Por isso, também, o "internacional" que o bairro carrega, desde o princípio, em seu nome é uma realidade: franceses, suecos, italianos e americanos escolheram viver aqui. E também gaúchos, paulistas, paranaenses, pernambucanos... Os que não podem, ainda, se dar ao luxo de abandonar suas cidades de origem para integrar este pequena comunidade, hoje estimada em cerca de 1300 famílias, mantém aqui residências de férias.

Deve-se dizer que, por uma razão qualquer - talvez pela própria manutenção daquela antiga piada sobre o banhado - são poucos os nativos que optaram morar aqui. E, dentre estes poucos, a maioria tem no bairro a sua "casa de veraneio" - traço cultural um tanto curioso, já que ela, não raro, fica a menos de 15 minutos de sua residência oficial, no centro da cidade.

A despeito, porém, de toda a real ostentação dos meses de veraneio - quando Ferraris invadem as nossas avenidas e a praia mais parece uma edição da revista Caras - quem mora aqui, sabe: durante 10 meses do ano, Jurerê Internacional é um bairro de classe média alta. Velhos agasalhos e havaianas são o uniforme predileto de quem veio para cá para viver bem mas sem ostentação. E o visitante que vem embalado pelo discurso de "bairro luxuoso" fica surpreso ao encontrar, na maioria das nossas garagens, carros econômicos.


Mas de alguma forma esta não-afluência de nativos para Jurerê Internacional somou-se ao alto-padrão de vida do bairro para consolidar geograficamente um preconceito mais geral. A ilha, como se sabe, sofre de uma certa xenofobia. Do ridículo movimento "Fora Haole", ao simples tratamento gélido, paulistas e gaúchos são os alvos preferenciais desta segregação que revela um lado nada bonito da "bela e santa Catarina". Jurerê Internacional passou, então, a ser visto como um "reduto de forasteiros milionários". Inveja e xenofobia fazem, pois, com que cada problema surgido no bairro seja quase que comemorado por alguns luminares da imprensa local.

Por "problemas no bairro" leia-se aquilo que é natural em qualquer local luxuoso do mundo, resultado do fato óbvio de que contraventores bem sucedidos gostam de morar bem: volta e meia, algum criminoso - ou uma quadrilha deles - é descoberto por aqui. Acontece em São Paulo. Acontece em New York. Acontece no Rio. E, é claro, acontece em Jurerê Internacional. Mas não é só. Também os raros assaltos e acidentes de trânsito são noticiados num tom que mal disfarça o deleite: " há problemas no paraíso".

Sim, há problemas no paraíso

É fato que a administração não raro negligencia a manutenção de áreas mais antigas para investir todas as suas fichas em novos empreendimentos. E se há muito rigor com algumas normas - como a altura dos muros laterais - a política é frouxa com os donos de terrenos baldios, que usualmente são mantidos limpos pelos moradores das casas vizinhas.

Também é verdade que se aqui não falta água ou luz na alta temporada - problema corriqueiro na maioria das praias da ilha -, deve-se admitir que a afluência para cá de bares e casas naturnas, verificada nos últimos três anos, está corrompendo o projeto inicial de uma comunidade tranqüila.

Finalmente, já faz algum tempo que os moradores mais antigos reclamam das alterações do projeto inicial. Áreas que, no momento em que compradores eram para cá atraídos, foram catalogadas como de "preservação", transformaram-se em prédios e residências colossais. Havia alguma coisa de muito errada acontecendo. E quem tentou mobilizar-se junto aos órgãos competentes, o fez vão.

Chegamos, pois, à prisão de Perciles Druck, idealizador de Jurerê Internacional, juntamente com outros 21 empresários, políticos e funcionários públicos catarinenses, ocorrida na última quinta-feira, sob a acusação de compra de licenças ambientais.

Uma bandeira para os xenófobos invejosos

Não foi exatamente uma surpresa, já que há muito se murmura a respeito da facilidade com que planos-diretores são alterados em toda a ilha - e não só em Jurerê Internacional. Mas basta acompanhar algumas manifestações da imprensa local para perceber que Druk e seu empreendimento estão merecendo um destaque todo especial: o que antes era a manifestação semi-velada de inveja e xenofobia ameaça, agora, transformar-se em ataques diretos, desferidos contra toda uma comunidade que nunca foi, na verdade, "engolida" pelos nativos.

Depois de 27 anos amargando o fato de que a piada havia se transformado num entrondoso sucesso, eles agora encontraram uma bandeira. É assim que nas últimas 48 horas a imprensa local está se dedicando a publicar notinhas estapafúrdias, carregadas de mágoa, preconceito e inveja: que os, até então orgulhosos, moradores de Jurerê Internacional estão agora evitando revelar onde moram; que o bairro concentra o maior número de contraventores por metro quadrado da ilha ou que os "gaúchos" são corruptores compulsivos, tendo maculado a "boa índole nativa", são algumas das "perolas" publicadas por esta louvável imprensa de merda. Vou repetir: louvável imprensa de merda, que não hesita em fazer uso de um episódio grave para dar vazão às suas vergonhosas frustrações.

Se de fato está envolvido com corrupção, Druck deverá responder por todos os seus atos. Se o episódio servir para preservar o que ainda resta de natureza intocada em Jurerê Internacional, desejo da maioria dos seus moradores, melhor ainda. Mas os habitantes de Jurerê Internacional - e os gaúchos de Florianópolis como um todo - não têm motivos para aceitar passivamente o uso lamanetável que se começa a fazer deste episódio. Pois a verdade nua e crua é que aqui moram pessoas de valor, que para cá trouxeram seu dinheiro, seus sonhos e sua capacidade de trabalho - e que, não raro, aqui realizam empreendimentos que os nativos jamais tiveram capacidade de realizar.

Se não por isto, pelo menos pelo fato inegável de que outros 21 estão envolvidos na mesma maracutaia, que muitos são nativos, e que nenhum deles, a despeito de toda a corrupção praticada, foi capaz de erguer um bairro que é padrão de qualidade no mundo inteiro, seria melhor que os nativos calassem.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Estranho

Leio, no site do Cláudio Humberto, uma interessante notinha.

Estado policial

Sem sinais de arrombamento, "limparam" o apartamento de Gustavo Fruet (PSDB-PR) às vésperas da CPI do Apagão. Até parece coisa de araponga.

A coisa fica mais esquisita quando lembramos que o deputado Gustavo Fruet andou declarando à imprensa que a oposição já estava reunindo informações sobre a administração da Infraero em governos anteriores. A idéia, segundo Fruet, era pular na frente, evitando que possíveis faltas econtradas em governos anteriores fossem usadas para chantagear (sic) os oposicionistas durante da CPI do Apagão.

E agora o apartamento do deputado é roubado?

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Agora vai....

Acabo de ler que o governo está vindo com um projeto para restringir o comércio de bebidas alcóolicas em estradas, postos de gasolina e próximo de escolas e hospitais.

Sei que não devia... Mas vou aconselhar mesmo assim.

Mensalão, caseiro, Gamecorp... Nada disso derrubou Lula. Mas se tentar regular a caninha, Lula cai na semana seguinte.

É Jânio e o biquini.

A aldeia amanheceu fervendo

Neste momento, a Polícia Federal está cumprindo mandados de prisão contra políticos, empresários e funcionários públicos de Florianópolis acusados de negociar licenças ambientais. A operação foi batizada de "Moeda Verde".

Detalhes e lista de presos provisórios, você lê aqui.

A despeito de qualquer partidarismo, há muito que se comenta por aqui que há algo de podre neste pequeno reino.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Copie, cole, espalhe... e faça chegar a Brasília.

Pois que sejam escancaradas todas as nossas vergonhas.

No Brasil, depois de votar na oposição, você ainda precisa implorar para que ela faça oposição.

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Oposição, eis o teu filho

Quem é Delúbio Soares?

Dirão alguns que ele é apenas um dentre os 40 amigos de Lula denunciados por formação de quadrilha pela Procuradoria Geral da República.

Mas ele é mais.

Primeiro a alegar, no alvorecer do escândalo, que as denúncias contra si assinalavam uma tentativa de golpe por parte da direita, Delúbio é o mentor da expressão "mídia e oposição golpistas" como resposta a toda e qualquer crítica que se faça ao governo Lula. Delúbio é, também, o idealizador de um estilo, "nada a declarar", que desmoralizou a CPI enquanto instrumento de fiscalização democrática. Por úlltimo, ele não só é pai e mãe do eufemismo "recursos não contabilizados" - que determinou o tom de todos os depoimentos seguintes - , como é, também, o oráculo da crise: cínico, avisou que em breve o mensalão seria apenas uma piada.

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Delúbio Soares, em majestoso retorno à vida política, flagrado pela lente de Roney Domingos, nas comemorações da CUT, ontem, em São Paulo.


Pois ontem, ao erguer os braços triunfalmente, sinalizando o "v" de vitória, Delúbio Soares mandou inúmeros recados. Para o país, um "eu não disse?" repleto de escárnio e deboche. Para Lula e o PT, um aviso de que está disposto a sair do calabouço no qual se manteve oculto durante toda a campanha eleitoral. Para os partidos supostamente oposicionistas, um sincero agradecimento: este Delúbio que hoje retorna é o primogênito, o filho querido de uma oposição moralmente débil.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Instruções para o Level Two

O leitor, diante do post de ontem tem o direito de perguntar: "como?"

Ora bolas... Pressionando a oposição para que ela seja, de fato, oposição. Sem isso, ela não nos serve - é apenas um exército mercenário do qual, já disse, devemos nos livrar. A tarefa, não nego, é árdua. Mas não temos outra saída. Somos 40 milhões de eleitores encurralados entre o lulopetismo e uma oposição que topa tudo por cargos, verbas e promessas de futuro apoio eleitoral. Ou lutamos com as poucas armas que temos, ou nos entregamos logo e vamos cuidar da vida... Vamos, "sem medo de ser feliz", poupar aos mercenários para garantir a eleição do nosso prefeitinho predileto no ano que vem. Sem uma oposição efeitiva, em quatro anos o nosso prefeitinho predileto terá lulado - pelo menos o suficiente para oferecer seu apoio ao presidenciável petista.

Redefinindo o alvo

Esqueçam Lula e o PT. Nada do que eles venham a fazer é surpresa. Eles não são o nosso pior problema. O nosso pior e principal problema é a oposição. Todo aquele tempo e energia que você estava disposto a investir contra o petismo, deve agora ser direcionado contra a oposição mercenária. O escândalo não é mais o que vem do governo e de seus aliados. O escândalo é a reação daqueles que deveriam ser oposição diante de tais desmandos. Pense nisso sempre que for escrever um comentário ou um artigo. Deixe claro o quanto você está disposto a empreender seu tempo e energia para garantir que oposicionistas mercenários sejam riscados do mapa político nacional.

Fugindo de armadilhas discursivas

Nossos vizinhos venezuelanos têm muito a nos ensinar sobre armadilhas oposicionistas discursivas. Muito da fabulosa escalada de Chávez rumo ao totalitarismo se deve a uma oposição caricata, que fazia tempestades em copos d'água, tomando para si causas facilmente desmoralizáveis, ao mesmo tempo em que se mostrava incapaz de barrar as ações fundamentais do gorilão. Então, queiram me desculpar as almas mais sensíveis e as torcidas organizadas: pelo seu poder desagregador das forças oposicionistas, os amores de Serra, Aécio, ACM e Jereissati para com Lula são uma ameaça muito maior à democracia - e ao revezamento do poder que deveria caracterizá-la - do que antecipações de sentenças ou infantis recadinhos de finados grupos terroristas. E, antes que me apareçam aqui com alternativas deste tipo, aviso que gente como Jair Bolsonaro só serve para ridicularizar mais ainda a direita, dando-lhe aquele aspecto pitoresco que tão bem serviu à Chávez - e que muito apetece ao lulopetismo.

Entendendo o método

Voltar nosso poder de crítica contra a oposição mercenária é a única forma de fazê-la temer por aquilo que ela mais preza; aquilo que, em última instância, sustenta todas as suas outras necessidades: o voto. Mas é preciso criticá-la longe - bem longe! - da argumentação lulopetista. Ao contrário do que eles pregam, nem todos os politicos são iguais. Há gente boa que só precisa de uns trancos para voltar a si. São eles que queremos. O resto, os "iguais", podem ficar com Lula. Claro está que o método requer alguma sutileza. Quem não se considerar capaz para tal tarefa que assista e aprenda antes de sair por aí dando munição ao inimigo.

Militando

É hora da militância formal, que integra os partidos da suposta oposição, mostrar no que, exatamente, ela é diferente da militância petista. Depois de muito criticar aos petistas por sua conivência e cumplicidade com os escândalos do governo Lula, espera-se que a militância oposicionista se rebele contra este vergonhoso adesismo. Que não se esconda atrás do apanágio da "governabilidade". Que não engula os discursos pacificadores que seus luminares partidários começam a emitir. Que não aceite para si aquilo que tanto criticou nos petistas: a defesa cega e sectária de pseudo líderes oposicionistas que já não merecem ser tratados como tal. Para a militância oposicionista serve, agora, o que eu passei os últimos quatro anos dizendo aos petistas: ao invés de virem até aqui me xingar, que batam às portas de seus diretórios, exigindo uma providencial faxina em seus partidos.

Jabor para os íntegros

"Se eu for processado pela Câmara e condenado, espero ser julgado como os políticos envolvidos em escândalos."

Arnaldo Jabor, ontem, em comentário imperdível para CBN. Clique aqui para ouvir.