A edição de hoje do Diário Catarinense traz entrevistas com o senador Jefferson Péres e o ex-senador Jorge Bornhausen. A pauta, logicamente, girou em torno da crise Renan Calheiros. E, coisa interessante, fez emergir opiniões muito parecidas a respeito do presidente do senado.
"Ele é um político atuante e sempre teve um trânsito muito bom entre todos os partidos. É uma pessoa afável. Votei nele para a presidência. Não tem inimigos no Senado. Eu lamentei o que ocorreu. Se ele tivesse pedido uma licença da Casa e se tivesse feito uma composição do Conselho de Ética mais respeitável, acho que ele já teria se livrado disso. Esse desgaste do Legislativo não é de hoje. Aqui se acentuou no episódio valerioduto, mensalão e seguido da absolvição por decisão da Câmara ou pela renúncia para fugir à punição."
(Jefferson Péres)
"Quando surgiram as manifestações contra o presidente, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ele se mostrou muito confiante. Tinha vindo de uma reeleição para presidente da Casa, onde fez 51 votos. É um homem muito educado e estimado, e com a sua palavra o seu assunto estaria resolvido. Mas apresentou uma defesa, na minha opinião, inconsistente, e aí começaram a surgir as reações. A princípio individualmente, de senadores que se posicionaram de maneira forte. Depois o DEM tomou uma posição conjunta, e as coisas foram sendo sacudidas. O procedimento do presidente do Senado foi equivocado. Não poderia fazer sua defesa de modo imperial, sentado na cadeira de presidente do Senado. O senador não tem direito a ser imune, e sua vida é pública. Era necessário seu afastamento da presidência. Os senadores que deram cobertura àquela situação, eu lamento. Agiram corporativamente, ou em nome do governo. Afinal, ele é um dos integrantes do governo."
(Jorge Bornhausen)
Inegável que, por terem convivido com Renan Calheiros, tanto Bornhausen quanto Péres estão mais qualificados do que eu para emitir qualquer opinião a respeito da sua personalidade. Mas é inegável também que o homem que tem se apresentado à opinião pública nos últimos trinta dias nada tem de afável ou educado. Ao contrário: indelicado com a filha e a ex-amante, agressivo com a imprensa, debochado com a opinião pública e arrogante com seus pares, o Renan Calheiros que temos visto ultimamente é condenável sob todos os aspectos.
Logo, o desafio seria descobrir qual das duas versões está mais próxima da realidade - o Renan afável e educado, assim reconhecido por senadores que conviveram com ele, ou este Renan dos últimos trinta dias. Na dúvida, prefiro ficar com a sabedoria popular: é nos momentos de crise que mostramos nossa verdadeira natureza.