quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Perda de tempo

E fervem as negociações (meu avô conhecia por outro nome) para decidir quem será o sucessor de Renan Calheiros na presidência do Senado.

Que perda de tempo! Que bobagem!

Deveriam devolver a presidência a Renan Calheiros.

Se Renan foi absolvido, é porque a maioria de seus pares o considera inocente e acredita que ele nada deve. Se ele nada deve, que continue no cargo para o qual foi eleito em janeiro último.

Aliás, no presente momento, não consigo pensar em um senador que represente com mais fidelidade do que Renan Calheiros a envergadura moral do nosso Senado.

Das pichações...

"Um Senado que serve ao Executivo para nada serve."

Acredite se quiser

"Não tentamos convencer a bancada. Nossas conversas são só para atualizar as informações sobre o assunto."

É José Serra, explicando a reunião na qual, segundo a Folha de S. Paulo, ele e Aécio Neves tentaram demover a bancada tucana de votar contra a prorrogação da CPMF. A reunião ocorreu na segunda-feira à noite, por iniciativa do governador mineiro, e contou com a presença de Arthur Virgílio e Sergio Guerra.


Levar a sério a justificativa de José Serra implica aceitar que o governador de São Paulo deslocou-se até Belo Horizonte apenas para saber das últimas - coisa que poderia, em respeito ao contribuinte, ter feito por telefone.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Nossa política (II)

E Renan foi absolvido pelo voto secreto.

Mercadante diz que votou pela cassação. Se é verdade ou mentira, jamais saberemos. O que sabemos é que 14 senadores mentiram para a pesquisa que a Folha de S. Paulo realizou entre eles.

À Folha, 43 senadores disseram que votariam pela cassação - e apenas 29 deles cumpriram a promessa.

Agora resta a CPMF, que está negociada mas não decidida. Como eu disse mais cedo, se o voto secreto pôde absolver Renan, o voto aberto pode acabar com a CPMF. E as chances de não prorrogar serão maiores se maior for a pressão da opinão pública. Portanto, disque, monstro.

Nossa política

Ontem à noite, na festa de aniversário de uma amiga, me perguntaram se Renan Calheiros será cassado hoje.

Respondi "Não, porque o voto é secreto".

Já para a prorrogação da CPMF, declarei que "há chances de ser barrada porque o voto é aberto".

E é nisto que se resume a política nacional.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Tchau, Mesquita

O senador peemedebista Geraldo Mesquita Júnior - que, na semana passada, denunciou estar sendo abordado de forma inadequada por assessores do Planalto - subiu à tribuna, hoje à tarde, para declarar que se o governo se comprometer a fazer um plebiscito para a consultar a população a respeito da manuntenção da CPMF, ele votará a favor da prorrogação. Para tanto, ele apresentará emenda propondo o tal referendo popular.

Podem me chamar de cética. Mas Mesquita é carta fora do baralho da oposição. Está apenas arrumando uma desculpa para votar com o governo. Se não for, darei a mão a palmatória. Até lá, porém, aconselho a oposição a não contar com ele.

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É claro que o movimento estudantil foi fundamental e merece todo o mérito por aglutinar as forças oposicionistas em torno do "Não". Mas deve-se reconhecer o valor discursivo daquele "Por que não te calas?" do rei Juan Carlos. A ridicularização pública do bufão engrossou o caldo, fornecendo um estímulo extra aos indecisos.

E, antes que me apareça alguém para louvar o "espírito democrático" de Hugo Chávez, é bom lembrar que o anúncio do resultado foi protelado em mais de sete horas - e que só foi feito quando os líderes oposicionistas, impedidos de entrar na sala do Conselho Nacional Eleitoral onde era feita a totalização dos votos, começaram a protestar.

O que aconteceu durante aquelas sete horas, só saberemos se algum governista virar a casaca para lançar um best-seller.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Perguntar não ofende...

Não é estranho que a pesquisa Datafolha divulgada hoje descarte Geraldo Alckmin da corrida presidencial para 2010?

Me parece uma decisão esquisita, se considerarmos que Alckmin foi o último candidato tucano à presidência - e que, nas urnas, obteve sobre Lula e a máquina eleitoral do Estado uma vantagem ligeiramente maior do que José Serra obtivera em 2002, quando esta mesma máquina estava ao seu lado.

Talvez o Datafolha pudesse argumentar que Alckmin já teve sua vez e não emplacou - ou algo do gênero. Mas então, neste improvável caso, se daria o óbvio: somente o tucano Áecio Neves poderia estar na pesquisa publicada hoje.

Quem sabe foram as declarações recentes de Geraldo Alckmin, descartando que estaria na corrida presidencial de 2010, que levaram o Datafolha a não considerar seu nome? Aí restaria perguntar por qual motivo este critério passou a valer somente agora... Porque, em maio de 2005, Aécio Neves também descartou que estaria na corrida presidencial de 2006. Nem por isso teve seu nome ignorado pela pesquisa que o Datafolha realizou um mês depois.

Portanto, senhores do Datafolha: por qual razão Geraldo Alckmin não foi considerado nos "cenários" que os senhores traçaram para a corrida presidencial de 2010?

Lula, telefone pra você...

É o "monstro" dizendo NÃO.

sábado, 1 de dezembro de 2007

A cegueira por opção

Li, há pouco, que o o célebre torcedor e conselheiro do Corinthians, o deputado petista José Genoíno, pretende ficar afastado da TV neste domingo. O ex-presidente do PT não quer ver seu time ser rebaixado para a segunda divisão.

É interessante como as pessoas repetem padrões de comportamento.

Em julho de 2005, quando ficou claro que Marcos Valério era o principal avalista do PT, a resposta de José Genoíno - que até então negava qualquer relação do partido com o careca - evidenciou uma postura muito parecida: ao ver sua assinatura junto à de Valério, Genoíno declarou que assinara os contratos sem ler. Assinara, segundo disse, confiando em Delúbio: "Quando assinei era em confiança ao Delúbio. Estava havia dois meses na presidência do partido".

Digamos que sim, que estamos dispostos a acreditar que alguém assinaria empréstimos na ordem de R$ 2,4 milhões sem ler. Seria mais ou menos como desligar a TV para não ver o Grêmio rebaixar o Corinthians: Genoíno simplesmente não queria ver Delúbio rebaixando o PT.

Ocorre que houve outra oportunidade. Quem tiver a Playboy de outubro de 2005, por favor, verifique as citações literais - eu perdi a minha e conto, agora, apenas com a memória. Pois em entrevista àquela edição da Playboy, o jornalista Ricardo Noblat afirmou que já em 2003 havia prevenido José Genoíno a respeito de Silvio Pereira e Delúbio Soares.

Se estou bem lembrada, Noblat relata à Playboy que Genoíno lhe telefonou preocupado porque soubera que a Veja estava preparando um perfil de Delúbio. O presidente do PT queria, então, saber se o jornalista ouvira alguma coisa a respeito. Noblat teria dito a Genoíno que estava ouvindo muita coisa a respeito de Delúbio e Silvinho, que eles andavam aprontando poucas e boas e que Genoíno deveria tirar Delúbio de circulação.

Até hoje não entendo porque esta entrevista foi ignorada por todos os que se debruçaram sobre o caso. Talvez porque, desde que o escândalo do mensalão veio a furo, há uma certa predisposição da opinião pública em ver José Genoíno como um tolo inocente, que entrou de gaiato na rede de corrupção formada por Dirceu, Delúbio e Silviinho - imagem que o próprio Genoíno faz questão de reforçar, sempre que surge uma oportunidade. Mas a entrevista do Noblat à Playboy é a prova de que José Genoíno sabia, já em 2003, que havia algo de podre acontecendo entre seus companheiros. E o melhor que se pode dizer dele é que, tal qual pretende fazer com o jogo do Corinthians amanhã, ele simplesmente escolheu não ver.