segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Papo no caixa do supermercado

- E o Zé Dirceu, hein?

- Pois é... E vai dar em nada.

- Será? Sei não... Acho difícil passar.

- Ahã... Então espere para ver.

- Mas você leu? Ele disse com todas as letras que o Delúbio era o homem da mala, que teve caixa dois no PT de Porto Alegre, etc e tal.

- Amigo, estamos no Brasil. Aqui Ronald Biggs virou celebridade.

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Segundo Mônica Bergamo, o senador Heráclito Fortes mandou fazer 2.000 pares de baralhos com sua caricatura para presentear os amigos neste Natal. A colunista da Folha ficou - não sem uma pontinha de maldade - fazendo contas: quer saber se o senador falou sério quando disse que os R$ 22 mil gastos na confecção do mimo saíram mais em conta do que se ele tivesse distribuído vinhos.

A titular deste blog, que acredita que cada político deva gastar sua verba de relações públicas como bem entender, não vai entrar nestas insignificâncias. A titular deste blog está apenas decepcionada. Dois mil baralhos e, aqui em casa, a canastra continua ilustrada por aqueles pingüins sem graça.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Daniela, onde está você?

Roberto Jefferson - sempre uma referência quando se trata de relembrar o mensalão e suas demandas - aposta que a entrevista de José Dirceu assinala uma mudança de influências no Palácio do Planalto: a turma de Dirceu estaria perdendo espaço para um PMDB fortalecido.


Eu acho que tem mais a ver com o depoimento que o réu prestará, no próximo dia 24. O Zé - o Jefferson adora chamá-lo assim - quer algo de alguém. Não sei o que é. Mas, ao que tudo indica, ele contou com a colaboração de gente amiga para mandar seus recadinhos. Ou eu estou desinformada e a jornalista Daniela Pinheiro já apareceu para se defender das acusações que o Zé lhe fez?

Já sei que vai aparecer gente aqui para dizer que eu não posso concluir isto ou aquilo a respeito da jornalista tendo por base apenas as declarações do entrevistado. Acontece que eu posso. E quem me permite fazer isso é a própria Daniela, que se mantém caladinha - quando não teria, no momento, qualquer dificuldade para ser ouvida por grandes veículos de comunicação.

Não é verdade que quem cala consente? No caso em questão, Daniela está consentindo com uma réplica que sugere que ela ou sofre de autismo ou mentiu deliberadamente. Que profissional ficaria em silêncio diante de tais sugestões?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

É entrevista ou correspondência?

Do Blog 25, o blog oficial do Democratas a respeito da entrevista de José Dirceu para a Revista Piaui:

"José Dirceu usou a revista Piauí como instrumento para chantagear o governo, principalmente o ministro Tarso Genro, da Justiça. E que tipo de segredo dá tanto poder a Dirceu na República? A origem das "malas de dinheiro" do PT que elegeram e reelegeram o presidente da República e sustentam o PT, seja no Rio Grande do Sul, em Brasília ou no Acre. De chantagem em chatagem, José Dirceu segue saqueando os cofres públicos, agora por meio de negócios mal explicados, vendendo influência no Estado. Influência que, efetivamente, ele tem. O governo se pela de medo de José Dirceu, a começar pelo presidente da República. Por falar nisto, no próximo dia 24, José Dirceu comparece, como réu, ao STF. Se cuida, presidente Lula, atenda a todos os pedidos do Zé Dirceu, do contrário ele pode falar do Duda Mendonça, das contas da campanha presidencial, do dia em que o senhor tomou café com o Marcos Valério no Palácio do Planalto, do mensalão etc, etc, etc.... "

Uma coisa é certa. Dias antes do STF decidir se acolhia ou não a denúncia do mensalão, tivemos aquela entrevista de Dirceu na Playboy. Agora, quando se aproxima o depoimento do réu José Dirceu no STF - marcado para 24/01 -, temos uma nova entrevista, cheia de pequenos recados.

E eu só espero que Daniela Pinheiro - diferentemente de Soraya Agege, naquela célebre entrevista com Silvio Pereira - tenha gravado suas conversas com José Dirceu. Vai ser uma lástima se ele puder desmentir a coisa a seu bel prazer - como já está tentando - , porque não há qualquer registro. Aí vai parecer mais coisa de pombo-correio do que de jornalista.

Magoou

E os tucanos magoaram porque Lula já começou a descumprir as promessas que fez para aprovar a DRU. Agora estão dizendo que não negociarão mais com o governo.

Só que também dizem que já sabiam que o governo não cumpriria o acordo.

Bem... Mas isto eu e a torcida do Flamento também sabíamos. A diferença é que nem eu nem a rubro-negra nos prestamos à malandragem de ir à tribuna do Senado para ler, com pompa e circunstância, um acordo que já se sabia furado. Arthur Virgílio foi.

Quem pode acreditar que ele não mais negociará com este governo?

O que falta

“Se eu ainda tivesse a petulância de me candidatar à Presidência, era capaz até de ser eleito.” ´

(José Dirceu, em entrevista à revista Piaui)

Dirceu, vamos ser francos... Não é que lhe falte petulância. Faltam a você, antes de mais nada, direitos políticos. E, conforme andar aquele processo no qual você é réu por formação de quadrilha, pode lhe faltar também liberdade para ir e vir.

Conforme vocês leram ontem, aqui no blog:

Trecho de editorial de hoje do Estadão:

"Por ato assinado em 27 dezembro, o governo adiou por seis meses - para julho - o início da vigência de um decreto destinado a disciplinar e a restringir repasses federais a Estados, municípios e ONGs. No dia 28, o presidente, por meio de MP, estendeu os benefícios do Bolsa-Família a jovens de 16 e 17 anos. Pela regra anterior, eram beneficiadas famílias com filhos de até 15 anos. Coincidentemente, aos 16 anos o brasileiro já pode votar".

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Pacotão eleitoral

- Ampliação do Bolsa Família mediante Medida Provisória publicada, às pressas, entre Natal e Ano Novo, em edição extra do Diário Oficial.

- Decreto presidencial adiando por seis meses o sistema que deveria facilitar a fiscalização dos repasses de dinheiro às ONGS.

Estas são as duas principais medidas do governo para driblar as dificuldades eleitoriais que a oposição lhe impôs com o fim da CPMF. O aumento de impostos, como comprova a gracinha de Guido Mantega, foi apenas para humilhar a oposição - em especial o PSDB, cujo líder no Senado, por ocasião da prorrogação da DRU, leu com característico entusiasmo os itens do acordo fechado com o governo.

O aumento das alíquotas de IOF e CSLL é café pequeno perto dos votos que a ampliação do Bolsa Família a jovens de 16 e 17 anos poderá render. É o maior esquema oficial de compra de votos da história deste país. Basta observar que os jovens de 15 anos - aqueles que não votam para prefeito em outubro próximo - foram deixados de lado.

Já com as ONGs a coisa será, como sabemos, menos direta mas igualmente eficiente: com as burras bem recheadas de repasses mal fiscalizados, entidades companheiras tratarão de providenciar a gratidão de seus beneficiários para com o PT, Lula e os candidatos que eles vierem a apoiar.

É verdade que o esquemão de compra de votos ainda pode ser desmantelado: o ministro Marco Aurélio Mello declarou que a ampliação do Bolsa Família poderá ser considerada pelo TSE uma fraude à Constituição. Mas as maracutaias via ONGs ninguém segura. Para tanto, seria necessário que aquela CPI das Ongs tivesse feito algum avanço.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Vai encarar, Britto?

O presidente da OAB, está dizendo que os militares brasileiros envolvidos na Operação Condor podem ser acusados pelo desaparecimento e pelo possível assassinato de militantes de esquerda, caso fique comprovado que os militares tinham consciência do que aconteceria aos aprisionados.

Em entrevista para o Estadão de hoje, Cezar Britto explica sua opinião: "Quando uma pessoa dirige um carro para que uma quadrilha vá até um banco fazer um assalto, o motorista também é acusado pelo assalto. O mesmo vale para aqueles que não participaram diretamente do crime, mas ajudaram a planejar."

O que Britto não explica é que, só para seguir seu exemplo, houve uma anistia para todos os envolvidos, de ambos os lados, em "assaltos a bancos". Mas Britto quer que se abra os arquivos da ditadura a respeito da Operação Condor. Considera de suma importância histórica que venha a público toda a verdade sobre esta operação - se, afinal de contas, ela existiu ou não.

Na minha opinião, uma vez que houve anistia, tais coisas deveriam ser reviradas somente depois que todos os envolvidos já estivessem mortos. Seria, então, o momento de se erguer memoriais e museus àqueles que a História julgasse merecedores - e a História sempre julga melhor quanto maior é o tempo transcorrido entre a ação do homenageado e a homenagem. Esta é uma boa fórmula para evitar punições ou recompensas exageradas a quem atuou num período de exceção - no qual, como próprio termo sugere, todos os envolvidos cometem excessos.

Mas se, por "amor á História" - quá, quá, quá - ou por desejo de justiça, vão derrubar a anistia, concordo com Britto. Só que vou além de seu parcial desejo: quero que sejam abertos todos os arquivos da ditadura.

Quero saber não apenas sobre a suposta Operação Condor. Quero detalhes sobre a atuação de gente como José Dirceu, Dilma Roussef, José Genoino, Fernando Gabeira e Franklin Martins na luta armada. Quero saber se eles, de fato, colocaram bombas em bibliotecas e redações de jornais; quero saber se participaram de "justiçamento" de professores e assaltaram bancos, boates, depósitos e lojas de armas. Quero saber quantas vezes cada um deles participou deste tipo de ação e quantas pessoas foram mortas ou feridas durante as mesmas. Quero, enfim, para os nossos "supostos" terroritas, o mesmo tratamento que Cezar Britto quer para os militares da suposta Operação Condor: que sejam tratados no mínimo como cúmplices - e levados a Justiça.