O presidente da OAB, está dizendo que os militares brasileiros envolvidos na Operação Condor podem ser acusados pelo desaparecimento e pelo possível assassinato de militantes de esquerda, caso fique comprovado que os militares tinham consciência do que aconteceria aos aprisionados.
Em entrevista para o Estadão de hoje, Cezar Britto explica sua opinião: "Quando uma pessoa dirige um carro para que uma quadrilha vá até um banco fazer um assalto, o motorista também é acusado pelo assalto. O mesmo vale para aqueles que não participaram diretamente do crime, mas ajudaram a planejar."
O que Britto não explica é que, só para seguir seu exemplo, houve uma anistia para todos os envolvidos, de ambos os lados, em "assaltos a bancos". Mas Britto quer que se abra os arquivos da ditadura a respeito da Operação Condor. Considera de suma importância histórica que venha a público toda a verdade sobre esta operação - se, afinal de contas, ela existiu ou não.
Na minha opinião, uma vez que houve anistia, tais coisas deveriam ser reviradas somente depois que todos os envolvidos já estivessem mortos. Seria, então, o momento de se erguer memoriais e museus àqueles que a História julgasse merecedores - e a História sempre julga melhor quanto maior é o tempo transcorrido entre a ação do homenageado e a homenagem. Esta é uma boa fórmula para evitar punições ou recompensas exageradas a quem atuou num período de exceção - no qual, como próprio termo sugere, todos os envolvidos cometem excessos.
Mas se, por "amor á História" - quá, quá, quá - ou por desejo de justiça, vão derrubar a anistia, concordo com Britto. Só que vou além de seu parcial desejo: quero que sejam abertos todos os arquivos da ditadura.
Quero saber não apenas sobre a suposta Operação Condor. Quero detalhes sobre a atuação de gente como José Dirceu, Dilma Roussef, José Genoino, Fernando Gabeira e Franklin Martins na luta armada. Quero saber se eles, de fato, colocaram bombas em bibliotecas e redações de jornais; quero saber se participaram de "justiçamento" de professores e assaltaram bancos, boates, depósitos e lojas de armas. Quero saber quantas vezes cada um deles participou deste tipo de ação e quantas pessoas foram mortas ou feridas durante as mesmas. Quero, enfim, para os nossos "supostos" terroritas, o mesmo tratamento que Cezar Britto quer para os militares da suposta Operação Condor: que sejam tratados no mínimo como cúmplices - e levados a Justiça.