quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004

Quem não sabia?

Um mês antes das últimas eleições presidenciais, podíamos vaticinar o que nos ocorreria nos quatro anos seguintes. Esperávamos a morosidade das reuniões infindáveis. Sabíamos do discursos, que continuariam como se o presidente e sua equipe ainda estivessem em campanha. Imaginávamos o matiz anti-americanista a ser adotado pela política externa e o lançamento de programas sociais bombásticos mas ineficazes.

Porém, consolava-nos a hipótese - ainda que remota, considerando-se a atuação do PT no Rio Grande do Sul - de que este governo fosse, como promulgara em seus discursos, menos corrupto.

O primeiros sinais de que o barco fazia água começaram cedo, embora tímidos: a escapadela da ministra Benedita à Buenos Aires para um encontro religioso. Mas o episódio envolvendo o homem de confiança de José Dirceu acaba de colocar uma pá de cal sobre qualquer esperança.

E uma vez que não é mais ético do que qualquer outro que já tenha ocupado o Planalto, o governo atual apresenta-nos somente aquela face já prevista: a da morosidade, do discurso fácil, da tacanhice ideológica e da incompetência.

À despeito da máquina de propaganda que têm a seu dispor, penso que será muito difícil para este governo articular uma reeleição

sábado, 14 de fevereiro de 2004

Sinal de fumaça

Juíza a paulista condena empresas fabricantes de cigarro a indenizar por danos morais e materiais os fumantes e ex-fumantes daquele Estado que tiveram problemas de saúde.

Enquanto isso, em Brasília, a Câmara dos Deputados aprova o fim da prisão para dependentes de drogas. Agora caberá aos Juiz decidir se determinado portador de cigarros de maconha é traficante ou apenas usuário. Caso o magistrado decida-se por esta última hipótese, o flagrado leva apenas uma reprimenda verbal ou, em situações mais graves, uma pena em serviços comunitários.

Diante destas duas notícias, conclui-se que a idéia é fechar o cerco ao tabagismo e afrouxar o cerco às drogas.

Mas há , aqui, alguma coerência: se as indústrias de cigarro fecharem, ninguém vai reclamar o aumento do desemprego.

Estarão todos chapados demais para isso.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004

ISCAS BEM PASSADAS

Só pra não passar em branco

A prisão de Saddam fechou 2003 com chave de ouro. Aposto que, ali por outubro, às vésperas da eleição, vai ser a vez do Bin Laden. E ainda tem gente que acha o Bush burro.

Já o "dedo" do piloto americano não deu o menor ibope lá fora. Só aqui mesmo que este tipo de coisa vira notícia.

E vamos combinar: morri de vergonha daquele avião apinhado de brasileiros extraditados que desembarcou outro dia.

Esta história do "menino Irruan" não me cheira nada bem. Do jeito que foi feita a coisa, nota-se que ninguém está muito preocupado com o bem-estar do moleque. E tem uma pergunta que não quer calar: o pai deste menino tinha posses?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2004

Diletos visitantes,

Mesmo que este não seja um espaço dedicado à minha produtiva - e, por vezes tediosa - vida, penso que cabe me desculpar pelo abrupto e longo silêncio.

Ocorre que, nos últimos setenta dias, estive às voltas com viagens e mudança de emprego. Tudo programado antecipadamente.

O que não estava no projeto, era a morte da minha laptop quatro dias antes da viagem.

Sem tempo para fazer mais nada, acabei deixando a dita, ou seja: me larguei mundo à fora sem micro.

Quem sabe o preço da hora em um cyber café entenderá não havia a menor condição desta que vos fala ficar blogando.

Aceitem minhas desculpas e eterno agradecimento pelas palavras de apoio.

De certa forma, não deixa de ser coerente que este meu gelado nariz se aquiete no verão.

Mas o que importa é que estamos de volta renovadas...eu, minha laptop e a caneca de café - que agora é do Wisconsin.

Abraços gerais

sexta-feira, 31 de outubro de 2003

Marx e Montesquieu : um vaticínio para o oriente.

Não há dúvidas de que Marx bebeu de Montesquieu para compor seu modelo teórico para a Ásia e Oriente Próximo - principalmente no que respeita à conceitos como "igualdade social na servidão" e "imutabilidade histórica". Sobre estas duas questões Montesquieu concluiu - numa declaração que ainda hoje se mantém surpreendentemente atual - que:

" As leis, costumes e maneiras do Oriente - mesmo os mais triviais, como a vestimenta - hoje são essencialmente os mesmo que eram mil anos atrás". (...) não é possível encontrar ali um só traço que marque uma alma livre; ali nunca se verá senão o heroísmo da servidão." (MONTESQUIEU, De l'Esprit des Lois, I, p. 81, 291-2).

quinta-feira, 30 de outubro de 2003

O dia em que Bush citou Marx

Um dos aspectos mais impressionantes da esquerda circense é a falta de cultura - fruto inevitável das reformas curriculares de cunho ideológico em nossas escolas e do empastelamento mental promovido nas fileiras dos partidos.

O frouxo aporte teórico de nossa esquerda - adquirido, invariavelmente, pela via planfetária - , não raro apresenta contradições que denunciam o total desconhecimento das idéias propagadas por aqueles que são considerados seus maiores ícones.

Prova deste desconhecimento é o fato de encontrarmos, dentre aqueles que se dizem marxistas, os maiores defensores do extremismo islâmico. Geralmente justificada pela bandeira politicamente correta do "respeito à diversidade", esta simpatia pelo fanatismo religioso oriental foi, desde os atentados de 11 de setembro, canalizada para um anti-americanismo feroz.

Ocorre que, se tivesse realmente lido Marx, nossa delirante esquerda hesitaria ante a defesa da cultura islâmica tal qual ela se apresenta em seus redutos mais extremados. Muito pelo contrário: tivesse ela realmente bebido os conceitos marxistas direto da fonte, estaria hoje apoiando a campanha de George W. Bush.

Bastaria, para tanto, que tivessem lido um artigo intitulado " The future resultes of British rule in Índia", publicado em 22 de julho de 1853, no qual o pai do comunismo deixa clara a sua posição sobre a intervenção ocidental no oriente:

"Por mais que agrida os sentimentos humanos testemunhar esta inúmeras organizações sociais patriarcais e inofensivas sendo desorganizadas e dissolvidas em suas unidades, lançadas num mar de sofrimentos, e seus membros individuais perdendo ao mesmo tempo sua antiga forma de civilização e seu meio de subsistência hereditário, não devemos esquecer que estas idílicas comunidades, ainda que pareçam inofensivas, sempre foram as bases sólidas do despotismo oriental;que elas limitavam a mente humana no âmbito mais estreito possível, dela fazendo instrumento dócil da superstição, escravizando-as sob regras tradicionais, roubando-lhe todas a grandeza e as energias históricas. Não devemos esquecer o egotismo bárbaro que, concentrando-se em algum pedaço de terra miserável, tranqüilamente testemunhou a ruína de impérios, a perpetração de crueldades indizíveis, o massacre da população de grandes cidades, sem lhes dar maiores considerações do que a eventos naturais, ele próprio a presa indefesa de qualquer agressor que lhe percebesse a existência. Não devemos esquecer que estas pequenas comunidades eram contaminadas pelas distinções de castas e pela escravidão, que subjugavam o homem a circunstâncias externas ao invés de elevá-lo à condição de soberano das circunstâncias, que transformaram um estado social que se desenvolvia num destino natural imutável."

Revelador enquanto ode ao progresso europeu ocidental, o trecho acima demonstra quão incoerentes são os protestos de "respeito à diversidade" vindos daqueles que se dizem marxistas. E bem poderia ter sido lido por Bush, sem que se alterasse qualquer vírgula, na noite em que este declarou guerra ao Iraque.

terça-feira, 21 de outubro de 2003

Presidente pensava que o Brasil é uma ilha?

A página 4 do jornal o Globo de ontem trouxe uma surpreendente confissão presidencial: o mandatário máximo da nação foi eleito sem saber o que existia para além de nossas fronteiras. Segundo declarou o próprio Lula:

"Quando assumi a Presidência comecei a pensar na integração da América do Sul e percebí que o Brasil tem fronteiras com quase todos os países, salvo Equador e Chile."

Então tá.

E pensar que este é o menor dos nossos problemas.

terça-feira, 14 de outubro de 2003

Frei Betto canoniza Che Guevara

Em crônica publicada neste último domingo, no jornal "O Dia" do Rio de Janeiro, Frei Betto oferece uma demonstração clássica do fanatismo ideológico que permeia o atual governo.

Intitulada "Carta a Che", e redigida em tom de dramalhão mexicano, a crônica tenta dar conta do que aconteceu no planeta desde que o guerrilheiro-mor de Fidel passou para o além - dando atenção especial à atual crise que assola a esquerda brasileira transmutada em governo.

No encerramento, o autor se desmancha:

" De onde estás, Che, abençoe-nos para que, todos os dias, sejamos motivados por grandes sentimentos de amor, de modo a colher o fruto do homem e da mulher novos."

Ou seja: por sua própria conta - e nosso risco - Frei Betto resolveu canonizar Guevara.

E ainda há os que pensem ser possível dialogar com esta gente!

Para ler o lixo na íntegra, aqui.

sexta-feira, 10 de outubro de 2003

Kioto: Putin pode...Bush não.

No início desta semana, Vladimir Putin disse que seu país permanece indeciso sobre a assinatura do Protocolo de Kioto: "Precisamos de mais estudos. A decisão será tomada levando em consideração os interesses nacionais da Rússia", declarou o mandatário Russo.

Pois estou, até agora, aguardando uma dura resposta por parte dos ambientalistas de plantão - nos moldes daquelas sempre dirigidas a Bush, por ter ele cumprido com seu papel de presidente e pensado, primeiramente, nos interesses dos EUA.

Mas tudo indica que as vozes não se levantarão contra Putin. O que evidencia que a causa ecológica não passa de mais uma manobra ideológica à serviço do anti-americanismo.