segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Para quem acha que eu estive exagerando...

Ricardo Noblat acaba de publicar em seu blog uma nota dando conta de que o governo Lula encomendou uma pesquisa de opinião sobre o terceiro mandato.


O resultado, que foi conhecido pelo presidente na semana passada - provavelmente, presumo eu, antes daquelas declarações a respeito do governo Chávez - é que a maioria dos brasileiros aprovaria um Lula III.

Pode ser só pressão: "Vocês desaprovem a CPMF, para ver se eu não lhes enfio um terceiro mandato goela abaixo" - quando, na verdade, nós sabemos que é justamente a aprovação da CPMF que pavimenta o terceiro mandato.

Mas caso não seja, caso eles tenham mesmo esta pesquisa em mãos, cabe a pergunta: o governo pode pagar pesquisa eleitoral com dinheiro público? A nota do Noblat é clara: "a pesquisa foi aplicada por encomenda do governo".

Superação

Sobre o post abaixo, faltou dizer que os caras conseguiram se superar: incompreensível para as classes menos informadas - ou seja, incapaz de resolver o "problema" das privatizações - o novo slogan do PSDB afugenta, pela assumida indecisão, aqueles que o compreendem.

Enfim, os tucanos chegaram lá. Conseguiram desagradar a todos.

O muro por vocação

"Mais Estado, mais mercado" é, segundo a Folha de S.Paulo de hoje, o novo slogan tucano. Será lançado esta semana, juntamente com um documento-base para o novo programa do partido.

É com tal discurso que o PSDB pretende reconectar-se com a população e anular aquela imagem de "privatista" que o PT conseguiu pregrar-lhe à testa no ano passado. Esta preocupação se justifica, imagino, por pesquisas recentes que mostram que o brasileiro é avesso à privatizações - e que não relaciona as mesmas com as benesses proporcionadas por elas. Uma questão, como se vê, de falta de informação.

Pois, mais uma vez, ao invés de fazer uma defesa das privatizações, o PSDB tenta renegá-las. Ao invés de aproveitar a entresafra eleitoral para reeducar a população, mostrando o quanto as privatizações dos governos tucanos beneficiaram a nação, o PSDB prefere agarrar-se com mais força ainda àquele já tradicional muro ideológico. Presta, assim, um desserviço ao país e um serviço ao PT.

Então, vamos combinar que o novo slogan cai como uma luva para a legenda: "Mais Estado, mais mercado" tem tanto significado quanto "Mais imposto, menos imposto". Não é a cara do PSDB?

Bom dia, Cuité

Localizada no Planalto da Borborema, a paraibana Cuité conta com 20.150 habitantes. Sedia, porém, uma região com mais de 70.000 habitantes e estima-se que cerca de 2.400 deles acessem a internet desde suas casas. Os demais podem fazê-lo a partir das várias lan-houses existentes por lá.

Cuite.jpg

Brasil profundo: este blog chega a Cuité.


Pois, neste final de semana, recebi amável e-mail da AMAC, Amigos Associados de Cuité, solicitando autorização para reproduzir em seu site os artigos deste blog - honra da qual já privam jornalistas como Cláudio Humberto e Diego Casagrande.

Autorização devidamente concedida, dou boas-vindas aos internautas de Cuité - e peço permissão para entrar em suas casas.

domingo, 18 de novembro de 2007

Vai-se o cisco, fica a lama.

Vocês já leram: a Folha de São Paulo deste domingo traz matéria dando conta de que, a fim de ser beneficiada em edital da Caixa Econômica Federal, a Cisco teria pago R$ 500 mil ao PT. O pagamento teria sido feito através de laranjas e, além de gravações telefônicas, a Folha afirma que a PF tem, agora, provas materiais:

"A principal prova apreendida pela PF são dois recibos de doações de R$ 250 mil cada um para o diretório nacional do PT. Os papéis foram apreendidos na Operação Persona, que investiga fraudes em importações que podem ter dado prejuízo de R$ 1,5 bilhão ao Fisco."

Quer dizer que, a fim de atender às reivindicações da "oposição golpista", os aloprados agora passaram a fornecer recibos? Depois de mensalão, Dossiê PeloCano e outros tantos escândalos, os petistas negociam uma licitação e fornecem recibos da propina? Vamos combinar que para quem, como nós, passou os últimos dois anos e meio lamentando que "malandro não passa recibo", esta nova postura é o paraíso.

Relembremos a coisa:

Na edição do dia 24 de outubro, a Folha de S. Paulo informou que teve acesso a trechos de um relatório preparado pela Polícia Federal a respeito da Operação Persona. Os trechos aos quais a Folha teve acesso - presume-se, com a colaboração de uma fonte da própria PF - eram de conversas telefônicas nas quais empresários do setor de informática comentavam uma "doação" de R$ 500 mil ao PT.

Um dia depois, o Ministério Público Federal anunciou que pretendia investigar o caso - coisa que não fez antes para não prejudicar o sigilo da Operação Persona.

Neste mesmo dia, o deputado Ricardo Berzoini, presidente do PT declarou: "O PT não tem qualquer relação com essa empresa. Consultei membros da Executiva do partido e pedi um levantamento sobre doações. Todos afirmaram que não conhecem e não têm nenhuma relação com ninguém da empresa".

Cinco dias depois, em 29 de outubro, o Ministro da Justiça, Tarso Genro, deu o sinal verde para que também a PF aprofundasse as investigações.

Passa-se quase um mês e aquela fonte da Folha na Polícia Federal reaparece para avisar que, na papelada de Marcelo Naoki Ikeda - diretor de vendas da Mude, preso há quase um mês - foram encontrados recibos. Mais especificamente, dois recibos de R$ 250 mil emitidos pelo diretório nacional do PT, fechando, pois, com o valor de R$ 500 mil mencionado nas gravações telefônicas.

O PT, em nota emitida ainda ontem à noite, assinada por seu secretário de Finanças e Planejamento, não nega as doações. Ao contrário: diz que as mesmas são legais, que foram feitas por via bancária – não em dinheiro - , que estão perfeitamente registradas e que constarão da prestação de contas a ser apresentada ao TSE.

Ou seja: mesmo que a tal Sandra Tumelero, suposta interlocutora do PT nos telefonemas, resolva aparecer e falar, será a palavra dela contra a dos aloprados. No final das contas, tudo o que se terá serão indícios de que os tais R$ 500 mil eram para pagar facilidades em uma licitação. E indícios, sabemos, não comprometem petistas.

De modo que, na opinião desta humilde criatura que vos escreve, este é um caso em que estão nos entregando o cisco para manter intacto todo o restante da lama. Qual lama? Não sei...

Mas não é uma lástima que, numa alvissareira parceria com o Ministério das Comunicações, a mesma Cisco Systems, agora tão enrolada com a polícia, tenha bancado a criação das cidades digitais de Belo Horizonte, Tiradentes e Piraí ,fornecendo a estes municípios banda larga gratuita, sem ganhar nada em troca?

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Qual é o problema? (II)

Mr. Nöel Coward resolveu descer ao mundo dos vivos para comentar no post abaixo. E, em resposta à pergunta que fiz no final - por que a mídia não fala do Foro de São Paulo? - trouxe uma opinião muito próxima da minha:

Não dar crédito ao Olavo de Carvalho pela "descoberta" do Foro de São Paulo - Olavo este que já brigou com meio mundo da imprensa por causa do mesmo - é uma das hipóteses que me ocorre.

"Se O. C. é um lunático - e todos meus colegas na grande imprensa acham isso - abordar um tema árido e que interessaria a bem pouca gente - e que é o cavalo de batalha do O. C. - só conferiria legitimidade ao lunático".

Isso no caso de um editor da grande imprensa ser capaz de soletrar legitimidade, claro.

Não penso que é uma questão de conferir legitimidade ao Olavo de Carvalho mas ao que o Olavo representa ou àquilo que, feliz ou infelizmente - caberia ao Olavo discernir - , passou a ser associado ao Olavo por estas terras brazucas: aquela linha de pensamento pertencente à extrema direita, que percebe nas ações do PT, e da esquerda em geral , a concretização de um grande e minucioso projeto, gestado há mais de trinta anos e do qual participam, inclusive, os partidos de centro-esquerda como o PSDB.

E por que isto acontece? Porque, como bem observa o Nöel Coward, há anos que o Foro de São Paulo é o cavalo de batalha do Olavo - e praticamente só do Olavo. Mas, vou discordar de Mr. Coward, não é por isso que o Olavo brigou com meio mundo da imprensa - ou, pelo menos, não é só por isso. Olavo de Carvalho se indispõe com muita gente por conta de seu temperamento, da sua forma de se expressar. Alguém disse, outro dia, que o Olavo é aquele tipo de cara que avisa que os loucos estão planejando invadir o planeta mas faz isso gritando, escabelado e babando como se fosse um deles. Acho que isto, mais do que qualquer denúncia, é o que traz problemas ao Olavo - e faz com que muitas das suas boas idéias e dos seus alertas não sejam levados a sério.

Abro um parêntese para dizer que eu concordo com algumas das idéias do Olavo. Com outras, não. É o caso do tal projeto em conjunto entre PT e PSDB, por exemplo - que rejeito até por descrédito na capacidade tucana de articular-se a este ponto. Também quero deixar claro que o temperamento do Olavo não me incomoda pessoalmente e que eu me divirto a valer ouvindo seu True Outspeak. Acontece que eu sou uma pessoa que já passou da idade de ter ídolos, ou seja: convivo bem com a idéia de que alguém que, na minha opinião, diga e faça bobagens continue sendo admirável sob vários outros aspectos.

E é aí que entra a grande mídia - e não só a tupiniquim. Embora tente ultrapassar este paradigma através do articulismo, a mídia ainda tende a criar ídolos e demônios; a estabelecer visões totalizantes a respeito de pessoas e idéias. E isto não acontece porque há um plano maquiavélico - e notem que somos levados a pensar que há um somente quando a visão totalizante vai contra nossas convicções. Não... Como bem observou Pierre Bourdier, isto acontece porque a mídia pauta a si mesma e dificilmente seus diferentes veículos conseguem escapar deste processo de retroalimentação no qual estão enredados.

Portanto, o que aconteceu com o Foro de São Paulo? Durante muito tempo, a grande mídia tratou o Foro de São Paulo com desprezo, como se ele fosse o mito de uma extrema direita maniqueísta, que tinha Olavo de Carvalho como seu principal representante. E agora, quando começa a ficar claro que o Foro tem, sim, seus planos para médio e longo prazo - e que alguns deles estão sendo colocados em prática e infuenciando decisões de governos - a imprensa não sabe o que fazer. Morre de medo de trazer o Foro para a pauta e ser, ela mesma, vitimada pelo rótulo que criou - ou seja, teme ser chamada de "extrema direita maniqueísta e, óh, horror!, olaviana".

Assim como não soube, no passado, identificar o que havia de verdadeiro nos retumbantes e, por vezes, exagerados alertas de Olavo de Carvalho sobre o Foro de São Paulo, a imprensa não está sabendo, agora, tratar do Foro sem parecer igualmente exagerada. Eis porque, preocupada em preservar a sua auto-imagem, prefere calar. Mas, como eu disse hoje cedo, não poderá fazê-lo por muito mais tempo.

Qual é o problema?

"Churchill, quando denunciou o rearmamento da Alemanha, foi acusado de ver fantasmas ao meio-dia. A Venezuela arma-se contra os Estados Unidos? Ninguém levaria a sério essa hipótese. Contra o Brasil, Argentina, Colômbia, Chile? Também não. Então permanece o mistério dessa atitude e a necessidade de perguntar: "Contra quem?".

(Do senador José Sarney, em seu artigo para a Folha de S. Paulo de hoje)

Ou muito me engano ou, exceto pela matilha vermelha - e pelos tucanos, que provavelmente vão se reunir no mês que vem para decidir como responderão à coisa - , as últimas declarações presidenciais acenderam a luz de alarme.

Resta saber se o Foro de São Paulo vai, finalmente, ser levado a sério pela grande mídia. Por "levado a sério" entendam não uma abordagem alarmista mas, sim, um mínimo de atenção a respeito do que é e o que pretende aquela associação. Algo mais profundo do que o enxuto "congregação de partidos de esquerda da América Latina" e variantes, com os quais a nossa grande imprensa costuma definir o Foro sempre que se vê obrigada a tanto - leia-se, sempre que ele aparece na agenda presidencial e não é possível fugir ao tema.

Como bem observou o comentarista que se assina Sharp Random, no post "Uma voz se apresenta", na entrevista que Chávez concedeu ao jornal francês Le Figaro - que teve trechos antecipados ontem, mas sai hoje - o ditador venezuelano admitiu claramente um dos principais objetivos do Foro de São Paulo: "É verdade que estamos preparando uma união, não somente com Cuba, mas com outros países dentro do que chamamos de Alternativa Bolivariana para a América Latina. Já temos a Nicarágua, Cuba e Bolivia".

Me parece, pois, bastante claro que a nossa mídia não poderá evitar por muito mais tempo um mergulho mais profundo na realidade do Foro de São Paulo. E, aqui, eu me inspiro no artigo do senador José Sarney para perguntar: a grande imprensa brasileira evita o tema do Foro de São Paulo porque desconhece os seus objetivos? Ninguém levaria a sério essa hipótese. Porque está, em bloco, comprometida com ele? Também não. Então permanece o mistério dessa atitude e a necessidade de perguntar: por que diabos o Foro de São Paulo se tornou uma espécie de tema-tabu para a grande imprensa nacional?

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A elite da tropa

Ao longo dos últimos dois anos, ele atormentou a cyber-guerrilha petista nas áreas de comentários dos blogs.

Impossível, demolidor e bem-humorado, conquistou inimigos e admiradores.

Agora, conquistou também seu próprio território da blogosfera.

Sim... Atendendo a pedidos, o CORONEL. acaba de inaugurar um blog: Coturno Noturno - sentiram a maldade?

Uma voz se apresenta

Este blog teve a honra de receber a nota que o deputado Rodrigo Maia, presidente do Democratas, distribuiu para a imprensa no início da noite. Segue a nota na íntegra.

DEMOCRATAS REPUDIA ALIANÇA LULA-CHÁVEZ

Por entender que, ao defender a continuidade de Hugo Chávez no poder com base em plebiscitos, o presidente Lula da Silva fez a mais grave ameaça à democracia brasileira desde que assumiu o mandato, o Democratas vem a público para:

1) repudiar a sociedade do presidente da República e do governo com o ditador da Venezuela Hugo Chávez por considerar que esta aliança ameaça a democracia e o Estado de Direito, além de ser contrária e nociva aos interesses do povo brasileiro;

2)denunciar ao país que, ao avalizar e tentar conferir legitimidade ao governo ditatorial de Hugo Chávez, o presidente Lula emite sinal verde a golpistas que estão urdindo emenda à Constituição para impedir a alternância de poder no Brasil, a exemplo do que foi feito na Venezuela;

3)reafirmar que o prazo do mandato do presidente Lula está definido na Constituição da República e que propostas espúrias para mexer neste prazo serão tratadas pelo Democratas como aquilo que realmente são: tentativas de golpe de Estado para extinguir a Democracia e o Estado de Direito com o objetivo de instalar uma ditadura no Brasil;

4) antecipar que as bancadas democratas na Câmara e no Senado rejeitarão toda e qualquer manobra para enfraquecer o Congresso Nacional e conduzir o país à margem da Lei e do Estado de Direito;

5) reafirmar que o Democratas vota contra o ingresso da Venezuela no Mercosul porque o Mercado Comum exige a credencial democrática dos países membros, requisito que o ditador Hugo Chávez subtraiu do seu País e do seu povo;

6) e, por fim, manifestar total solidariedade aos valentes venezuelanos que enfrentam o governo antidemocrático de Hugo Chávez na Venezuela.

Brasília, 15 de novembro de 2007

Rodrigo Maia Presidente