quarta-feira, 15 de setembro de 2004

Diálogos Impossíveis

Um balde de água fria para quem defende a possibilidade de diálogo com o terrorismo islâmico: ontem, via web, o Exército Islâmico no Iraque afirmou que a França é inimiga dos muçulmanos.

É claro que, dentre as muitas acusações listadas pelo grupo, estão a atualíssima lei que proíbe o uso de símbolos religiosos nas escolas públicas e o passado colonial francês.

Mas o que chama mais a atenção é a alegação de que a França não participou da ação militar no Iraque em virtude de seus próprios interesses - e não em solidariedade àquele povo.

Em que pese a realidade desta acusação, deve-se observar o quanto ela mostra ser insustentável qualquer estratégia de diálogo com esta gente: o "veredito" islâmico para as nações ocidentais será sempre negativo. Em outras palavras: há sempre uma desculpa para justificar a loucura de quem enfaixa o próprio pinto e vai se explodir levando consigo vidas inocentes.

E a balela da alteridade?

Shirin Ebadi - a iraniana condecorada com o Nobel da Paz -, anda criticando a lei francesa por acreditar que ela só serve para acirrar os ânimos.

Eis aí, uma boa mostra do quanto o respeito à diversidade cultural é, para os muçulmanos, uma via de mão única.

Não passa pela cabeça de Ebadi respeitar a tradição cultural e histórica da França, que está fortemente marcada pela secularização do estado e da educação. Não. Para ela, mesmo em solo francês, a cultura muçulmana vem na frente. Em nome de Allah - e por medo de despertar mais ainda a ira de seus soldados - deveremos todos abrir mão de nossos referenciais.

sábado, 11 de setembro de 2004

O pior dos mundos

Pensei,também,diante da visão quase surreal daqueles símbolos do capitalismo em queda, que a aventura humana na terra começava a melhorar.

(Fábio Brüggemann, em artigo para o Diário Catarinense de hoje)

Sinceramente, senhor Fábio Brüggemann, não sei o que me espanta mais: a sua ignorância em , diante do assassinato sumário de mais de 3.000 pessoas, ver revigoradas suas esperanças na humanidade, ou a sua falta de vergonha na cara em admití-lo.

Mas o senhor deixa claro, de imediato, que , naquela fatídica manhã, depositou todas as suas esperanças no fim do capitalismo e da democracia. Que chegou a comemorar o fim de um sistema que garante os direitos da mulher e dos homossexuais, que postula um sistema judiciário independente, que defende uma imprensa livre e oportuniza que a esquerda chegue ao poder por vias democráticas.

O "mundo melhor" que o senhor acreditou estar se iniciando naquele 11 de setembro é o mundo dos Gulags, da Primavera de Praga e do Khmer Vermelho. É o mundo da China, da Coréia do Norte e de Cuba - onde falta liberdade e a corrupção estatal abunda.

Não é de admirar que, alucinado ante tamanha utopia sangüinária, o senhor tenha comemorado a violência vinda por parte de quem só conhece ditaduras, monarquias e teocracias - regimes facilmente corruptíveis, onde as eleições, quando ocorrem, são manipuladas. Não é de admirar que deposite suas esperanças nas mãos de suicidas assassinos, vindos de locais politicamente tão aprazíveis quanto o Irã, o Egito, a Líbia, o Zimbábue ou a Arábia Saudita.

Sua insana idéia de um mundo melhor está de mãos dadas com qualquer inconseqüência que se oponha ao que o senhor certamente denomina, pejorativamente, de "democracia burguesa". E é por este motivo que o senhor se dispõe a aliar-se a qualquer movimento que se mostre contrário ao maior representante deste sistema: os Estados Unidos da América. É por este motivo que chega à decadência de mostrar mais simpatia por vítimas de guerras declaradas do que por aquelas que foram extirpadas em um imprevisível ataque terrorista.

O senhor tem razão: a ignorância é mesmo "o maior aparato bélico". Mas ela não vem da paixão do capitalismo pelo "ouro negro". Ela vem de homens como o senhor, que cultuam um "ouro vermelho" chamado socialismo. E é do alto deste tipo de ignorância que o senhor passou a ver o assassinato de mais de 3.000 inocentes como o prenúncio de um mundo melhor.

sexta-feira, 10 de setembro de 2004

Pedagogia do ódio

"Burgueses não pegam na enxada / Burgueses não plantam feijão/ E nem se preocupam com nada/ Arrasam aos poucos a nação./ Sem-terrinha em ação, pra fazer a revolução!"

O amigo está pagando, com sofreguidão, um plano habitacional?

Ou conseguiu, a duras penas, quitar um pequeno paraíso de dois quartos?

Está, talvez, comemorando a compra de um terreninho suburbano onde, no futuro, erguerá sua casinha branca no melhor estilo Zé Rodrix?

É prudente repensar a coisa, pois as próximas décadas serão pródigas em ameaças à propriedade privada.

Pelo menos é o que garantem dirigentes e professores das escolinhas do MST, cujo plano político-pedagógico foi revelado na última edição da revista Veja. Um exército de 160.000 alunos, distribuídos entre 1800 escolas, está aprendendo que é lícito tomar com violência aquilo que outros conquistaram com trabalho..

Os professores? Gente vinda, é claro, das fileiras do MST e sem formação em magistério - muitos não têm sequer o fundamental completo.

Analfabetos políticos - posto que jamais aprenderam algo além da fracassada teoria marxista - tais "mestres" só poderão atuar na formação de outros incapazes políticos e sociais - meros reprodutores de uma ideologia que já esta morta para o resto do mundo.

E o que é pior: no meio desta insanidade pedagógica, não é só o latifúndio que deve ser combatido. Toda a vida urbana tornou-se alvo do ódio campesino.

Hoje, as ameaças não passam de cantigas cantaroladas nos pátios destas escolas. Amanhã serão a trilha sonora a embalar a invasão de nossas casas.

terça-feira, 7 de setembro de 2004

Vento forte

Estou aproveitando o feriado para navegar sem compromisso.

Aí encontrei alguns sites que são dignos de nota.

Em primeiro lugar, aviso que meu amigo Peterso Risatti, vítima de terrorismo on line, foi obrigado a mudar de espaço na web. Agora ele pensa em voz alta no Mach's Spass.

Um link bem interessante é a versão brasileira do HonestReporting.com - aqui chamado De Olho na Mídia.org.

Ainda inspirada pelo post da última semana, fui atrás do texto integral da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Alguns fóruns valem realmente à pena.

Já na época do furacão Catarina, eu tinha descoberto o fórum de metereologistas Brasil Abaixo de Zero - e agora proveito para corrigir o meu esquecimento de citá-los antes. Sugiro visitar a rapaziada e ver como eles monitoram cada fenomeno com ciência e bom humor.

Mas se estiver a fim de saber o que passa pela cabeça da direita americana, tente o RightNation.usa. Seus opositores você encontra no Liberal Forum.

Ambos me pareceram bem abertos ao debate sério.

Da seção "anti-jihad", sempre é tempo de conhecer o já clássico Jihad Watch, comandado de Robert Spencer e o Faithfreedom.org, que tem uma linha mais dura e ideológica.

segunda-feira, 6 de setembro de 2004

Inspiração

Alguém andou observando que o ataque à escola russa apontava para um "tipo novo" de terrorismo.

Não é verdade.

De fato, a inspiração - senão toda a "logística" da coisa - bem pode ter vindo lá das bandas palestinas: em 1974, a Frente Democrática Pela Libertação da Palestina, sob o comando de Nayef Hawatmeh, assaltou, nos mesmos moldes, uma escola israelense em Ma'alot. Vinte cinco adolescentes morreram e setenta ficaram gravemente feridos.

domingo, 5 de setembro de 2004

Elefante na cabeça.

Acho que o Bush ganha.

Na verdade, eu venho achando isso desde os primeiros discursos proferidos logo após o 11 de setembro. Naquele momento, Bush conseguiu devolver dignidade a um povo que estava profundamente abalado por sofrer uma ataque tão monstruoso em seu próprio território. E dificilmente o povo esquece aqueles que se mostram fortes em momentos difíceis.

É verdade que houve um momento - especificamente, quando vieram à tona as denúncias das torturas nas prisões iraquianas - que eu cheguei a duvidar da reeleição. Somadas à Comissão de Inquérito sobre o 11 de setembro, elas pareciam compor um quadro realmente ameaçador para a reeleição de Bush.

Porém, ao que tudo indica, a poeira de ambos os processos baixou e Bush parece ter saído da coisa ileso - senão fortalecido.

Agora as primeiras pesquisas de opinião realizadas logo após a convenção republicana apontam para uma vantagem de Bush em relação a Kerry. Na mais promissora delas - realizada pela Times - o atual presidente aparece com 11 pontos percentuais a mais que o condidato democrata.

Não dá pra dizer que estes números são supreendentes. Para além da força discursiva de um Arnold Schwarzenegger - ou do indiscutível trunfo de se ter um senador democrata como Zell Miller apoiando a candidatura republicana -, a estratégia de Kerry já dava sinais de fraqueza por ocasião da própria convenção democrata. De fato, um estudo comprova que candidatos desafiantes só conseguem solapar reeleições para a Casa Branca quando disparam nas pesquisas logo após sua própria convenção. E os democratas não conseguiram este feito.

Mas o democratas parecem ter problemas que estão se tornando estruturais. A já tradicional fuga de votos democratas para Ralph Nader, soma-se - extamente como ocorreu com Al Gore, há quatro anos - à escolha de um candidato pouco convicente, cujo discurso perde força na mesma proporção em que tenta ser politicamente correto.

Também as conjunturas parecem conspirar a favor de George W. Bush. Os inaceitáveis ataques terroristas na Rússia dão força ao discurso de Bush para o terror - e a declaração de Putin neste sábado dá a entender que ele está arrependido de não ter se alinhado a atual política da Casa Branca: Nós não temos entendido a complexidade e o perigo dos processos que se desenvolvem em nosso país e no mundo inteiro. Não temos sabido reagir de maneira apropriada. Temos demonstrado debilidade e os fracos sempre perdem." - declarou o presidente russo.

Não bastasse isso, a temporada de furacões está servindo para manter Jeb Bush - irmão do presidente e atual governador da Flórida - o tempo todo na televisão. Em todos os pronunciamentos que tem feito à população de seu Estado, Jeb não deixa de citar o enorme apoio que está recebendo dos órgãos federais. A questão não é um mero detalhe, se considerarmos que um dos fatores que colaboraram para enterrar o sonho de reeleição de Bush pai foi, justamente, sua demora em declarar estado de calamidade pública na Califórnia - assolada por um furacão naquele ano.

É certo que tais aspectos conjunturais irão representar alguma folga nas urnas.

Mas não é por isso que George W. Bush irá eleger-se.

De fato, a reeleição de Bush foi forjada nas semanas seguintes ao 11 de setembro. Naquele momento o presidente apoderou-se de um discurso que é a própria essência e, ao mesmo tempo, mito fundador do Estados Unidos da América: o discurso da coragem e da união diante da adversidade; o discurso que nomeia os americanos como defensores mundiais da liberdade, da democracia e dos direitos humanos; o discurso, em suma, do heroísmo norte-americano.

Para os norte-americanos, este é um discurso irresistível. Em primeiro lugar, porque aquele é um povo que cultua e admira seus heróis - sejam eles de cinema, de quadrinhos ou de carne e osso. Em segundo lugar, porque é um discurso verdadeiro. E, aqui, é preciso voltar àquele 11 de setembro para lembrar que, mal os aviões se chocaram contra as torres, já surgiram centenas de heróicos voluntários para auxiliar nas operações de resgate. É preciso lembrar que o próprio Schwarzenegger, no ano passado, já eleito governador, se jogou nas águas de Malibu parar salvar uma banhista que se afogava. E eu, em especial, preciso lembrar de um terremoto em San Francisco, em 1989 - quando os hóspedes americanos, sem que ninguém lhes dissesse nada, foram os primeiros a esvaziarem seus frigobares e trazerem o que tinham para o saguão do hotel, a fim de se organizarem para enfrentar uma provável interrupção no abastecimento da cidade.

Contra um discurso tão simples e tão verdadeiro, não há adversário que resista.

Muito menos se ele for evasivo e balbuciante como Kerry.

terça-feira, 31 de agosto de 2004

O erro que nos separa.

Eu não aprovo o movimento negro e nem a Ku Klux Klan. Não aprovo o MST e nem a TFP. Assim como não aprovo o movimento gay nem o neo-nazismo.

Eu não apoio, leitor, nada que nos divida em facções, como se não fossemos todos humanos.

Gosto mesmo é da Declaração Universal dos Direitos Humanos. E penso que, se toda esta energia que estamos direcionando para defender os pequenos cadinhos de diferenças raciais, sexuais, econômicas e culturais fosse empregada para fazer valer a dita Declaração, o mundo já estaria muito melhor.

Alguns aportarão aqui para falar dos preconceitos a que são submetidas a minorias - como justificativa para o surgimentos de grupos segmentados. Balela. Se a Declaração fosse cumprida à risca, não haveria discriminação...Se a Declaração fosse realmente cumprida, neo-nazistas iriam para a cadeia.

Se a Declaração fosse cumprida a contento, todas as cidades seriam caldeirões culturais pacíficos como New York. E todos entenderiam porque é inadmissível que muçulmanos radicais queiram impor Allah goela abaixo de quem quer que seja. E, mais inadmissível ainda, que alguns defendam isso como um "troco" pelo tempo em que eram os cristãos a impor Jesus à nação islâmica. Que isso tenha ocorrido bem antes da Declaração dos Direitos Humanos parece passar em branco para todos.

Este meu discurso é antigo?

Atreve-se ele, em plena pós-modernidade, a ser um discurso moderno?

Sim.

Esta é, na minha opinião, uma daquelas situações em que já sabemos o caminho - basta nos propormos seriamente a percorrê-lo.

Mas continuamos insistindo em reinventar a roda.

E o resultado é uma humanidade cada vez mais dividida, que não hesita em sacrificar os direitos humanos para sacralizar as diferenças culturais.

E é por isso que vamos de mal a pior.

quarta-feira, 18 de agosto de 2004

Pilequinho II

Sinceramente? A coisa é tão alarmante que, ao invés de fazer comentários, o melhor é simplesmente colar a notícia.

SANTO DOMINGO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula Silva brincou nesta terça-feira com a permanência no poder por 37 anos do presidente do Gabão.

"Eu fui agora a uma viagem ao Gabão aprender como é que um presidente consegue ficar 37 anos no poder e ainda se candidatar à reeleição", afirmou, durante encontro com o presidente da Costa Rica, Abel Pacheco.

Os dois presidentes estão na República Dominicana para a posse do presidente Leonel Fernández Reyna.

O relato foi feito pelos fotógrafos brasileiros que registraram o encontro e depois confirmado pelo secretário de Imprensa, Ricardo Kotscho.

Lula esteve no Gabão, país africano, no final de julho, quando se encontrou com o presidente Omar Bongo Ondimba.

Pilequinho

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Charge do Zé da Silva para o Diário Catarinense no dia de hoje.

sexta-feira, 13 de agosto de 2004

Eu não disse?

Disse.

Diversas vezes manifestei aqui os meus temores a respeito da cubanização do Brasil. Fosse pelo super- ministro terrorista de carteirinha, ou pelos conselhos de um Frei Beto que canoniza Che Guevara, ou, ainda, pelas constantes afrontas aos Estados Unidos - eterno bicho-papão dos empedernidos esquerdossauros que comandam nosso país.

Por mais de uma vez apontei com desconfiança para a simpatia de Lula à ditadura Castro, para seu compromisso com o Fórum de São Paulo e, principalmente, para seu total silêncio diante do desrespeito aos direitos humanos que grassa naquela ilhota onde o tempo parou.

E, agora, o que temos?

Uma proposta de "regulamentação" da imprensa através de um "conselho"...uma verdadeira "lei da mordaça" para os que gostam de adotar o vocabulário cubano.

Pois muito me admira o escândalo que tal proposta causou junto à imprensa.

Estão escandalizados porque? Não foram os primeiros a aplaudir a eleição do torneiro mecânico? Não correram a vestir gravatas e tailleurs vermelhos, tão logo acabou a contagem dos votos? Não comemoraram cada afronta aos Estado Unidos...cada miserável discurso do semi-analfabeto contra o "imperialismo" norte-americano?

E querem me convencer de que eram tão ignorantes a ponto de não perceberem para onde esta postura esquerdista rançosa nos levaria? Quiçá sonhavam com uma ditadura de esquerda onde - coisa inédita na história - a imprensa seria mantida intocável, feito classe privilegiada e apadrinhada pelo Estado. Impossível acreditar em tamanha ignorância por parte de quem se atribui a missão de "informar o povo".

Mas temos mais.

Temos a Lei do Audiovisual, que promete "regulamentar" - leia-se, "cercear" - não só o conteúdo produzido para o cinema e a televisão mas, também, para a internet.

E muito me admira a reação da classe artística a esta proposta.

Estão escandalizados porque? Pois não sabiam o quê estavam apoiando quando subiram no palanque com Lula? Não acorreram, em massa, ao programa eleitoral do PT para perseguir Regina Duarte e fazer pouco de seus "medos"? Não ficaram fascinados a ponto de criar, logo após a posse, uma novela chamada Kubanacan ou algo que o valha?

Se eu não estivesse tão preocupada com a garantia de nossos direitos civis, teria até algum prazer em ver toda esta pseudo- intelectualidade brasileira correr atrás do prejuízo.

Pois como diz o velho ditado lusitano: quem pariu Mateus que o embale.