segunda-feira, 9 de abril de 2007

É ou não é?

Três jovens portugueses trafegam à noite pelas estradas da misteriosa Sintra. Solícitos, eles param para dar carona a uma bela garota. Na seqüência, descobrem que se trata, na verdade, de um fantasma. Mentira ou verdade?

É a polêmica estabelecida no Youtube. Bem feito, o vídeo está dividindo a opinião pública e já virou cult movie no site de vídeos mais acessado do planeta. Há quem acredite na coisa a ponto de criar listas de discussão sobre o tema.

Eu aposto numa brincadeira de admiradores da Bruxa de Blair, que resolveram render uma homenagem ao filme, utilizando a mesma forma com a qual ele foi divulgado à época de seu lançamento. Se não por todas as evidências, pelo menos pelo cabelo lisinho - modelito obrigatório, como vocês sabem, de <a href="toda a <a href="alma penada que pretenda alcançar algum sucesso no mundo do entretenimento .

Clique aqui para assistir apenas o trecho mais horripilante e aqui para assistir a versão completa.

Faltou talento

No início de março, a Dolce & Gabbana retirou das ruas sua última campanha. Pesava, sobre a grife, a acusação de que estaria incentivando a violência contra a mulher. Foi apenas um round mais ruidoso entre Domenico Dolce e Stefano Gabbana e os movimentos dos direitos humanos. Já se acumulavam, há algum tempo, os protestos contra os anúncios da grife, que andava usando, com certa freqüência, imagens de submissão feminina em suas campanhas.

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Dolce & Gabbana: ambigüidade e polêmica.

Na época do recuo da D&G, não cheguei a escrever sobre o tema. Conversando com amigos, porém, levantei dois pontos: o primeiro, é que a imagem utilizada poderia não necessariamente representar violência, mas fazer uso do próprio imaginário feminino. Sim, minhas queridas ... A imagem acima pode não fazer parte do meu ou do seu imaginário sexual mas, desde a década de 1970, quando Shere Hite publicou seu polêmico relatório, sabe-se que ela encontra eco, enquanto fantasia, junto a um número significativo de mulheres. Inverta-se a coisa - colocando um homem na posição da modelo, sob olhar de um grupo feminino - e o elemento "violência" simplesmente desaparecerá junto com os protestos. Isto nos dá bem a medida de que o anúncio chocou muito mais pelo que sugeria a respeito do comportamento sexual feminino do que pela suposta carga de violência contida na mensagem.

O segundo ponto que levantei à época é que marcas de moda vivem de conceito e exposição. Quando uma grife ganha espaço na mídia mundial, tornando-se foco de uma polêmica, seus donos podem se dar por satisfeitos. É o tal ditado: "fale bem, fale mal, mas fale de mim". E há um segundo, tão velho quanto este, que avisa que "em propaganda nada se cria - tudo se copia". Não demorou para este último se concretizar em terras tupiniquins.

É assim que, folhando a Veja desta semana, me deparei com o anúncio da MTV. Dois bonecos ( Barbie e Ken?) protagonizam uma cena que é só violência: nua, ela é arrastada por ele na direção de um forno. Para melhor esclarecer, a chamada avisa: "Uma diva da música. Um astro de Hollywood. Um dia, ele colocou a cabeça dela em um forno ligado." Em seguida, somos avisados de que duas vezes por semana, a MTV conta "as melhores e mais divertidas histórias da música".

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MTV: só mau gosto.

Ao contrário do que acontecia no anúncio de Dolce & Gabbana, aqui não há margem para dúvidas: é crueldade explícita, sem qualquer encanto, que a utilização de bonecos não pôde amenizar - ao contrário, parece que deixou a coisa ainda mais tétrica. E é crueldade aprovada: colocar a cabeça de uma mulher dentro de um forno ligado é "uma das melhores e mais divertidas histórias da música".

É provável, muito provável, que tanto agência quanto o anunciante estejam atrás de polêmica. Não raro, a MTV brasileira, na sua busca incessante por vanguardismo - que, de resto, costuma ser a pedra de toque das marcas voltadas para o público jovem - peca pelo mau gosto. Talvez eles queiram mesmo provocar protestos - algo assim como aquela ameaça de boicote sofrida pela Dolce & Gabbana, que possa lhes render algumas páginas na imprensa. A diferença crucial é que, neste caso, faltou sensibilidade, classe e magia - o que significa, em última análise, que vai ser difícil encontrar quem os defenda.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Rousseau, Voltaire e o palito de picolé

Nossos pais jamais precisaram comprar água engarrafada. Nós vivemos à base de garrafinhas, filtros e bombonas. Adaptamo-nos. Isto deveria servir para ilustrar que, até agora, a nossa civilização tem encontrado saída para os problemas que ela mesmo cria.

Que a questão não é nova, fica claro naquela discussão entre Rousseau e Voltaire. O primeiro afirmou que se os homens não construíssem casas, elas não lhes cairiam sobre as cabeças. O segundo avisou que estava velho demais para viver em árvores e voltar a andar de quatro.

Sou mais Voltaire. No mínimo porque há muita grana a movimentar este pânico ambientalista que tomou de assalto as mentes e corações do terceiro milênio. Reciclar o lixo é ótimo e necessário. Mas culpar-se pelos irreversíveis confortos da vida atual em nome das gerações futuras não serve para nada - talvez, apenas para aumentar a venda de antidepressivos.

Nascido na decada de 1970 como movimento contra-cultural, o discurso ecológico foi engolido pelo sistema. Consciência ambiental é, hoje, bem de alto valor no mercado. Você já não compra apenas rímel: você retoca os cílios com a certeza (?) de estar protegendo a Mata Atlântica. E aquele desejo incontrolável de um picolé à beira-mar é mais do que gula. No fundo, o que você quer é ler, no final, aquela frase gravada no palito: " Madeira de reflorestamento".

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Coisas para fazer no feriado de Páscoa

Assistir ao Maria Antonieta de Sofia Coppola.

Impressionar os amigos com uma receita de bacalhau ótima e fácil.

Tentar provar para as crianças da família que o coelhinho existe.

Ler a coluna de estréia do meu ilustre vizinho, Ruy Goiaba,
na Revista Bizz.

Colocar parte deste seu maravilhoso talento a serviço da felicidade alheia.

Cair <a href="nesta tentação.

Descobrir se há alguma tentação que você ainda não conheça.

Redimir-se da primeira com o circuito aeróbico da Cris Tosta

Dar graças ao céus que este é um feriado cristão, que há perdão no cristianismo e tentar se redimir das suas últimas descobertas aqui.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Em terra de frouxos, quem tem palavra é rei.

Amanhã tem velinhas.

Poderiam ser de aniversário, mas são de velório: o relatório final da CPI dos Correios está completando um ano. Ninguém foi preso, ninguém chamado a dar satisfações e, o que é pior, dos 19 órgãos que receberam o relatório, 14 se deram ao luxo de não dar retorno ou tomar as providências cabíveis. As desculpas são várias e estapafúrdias. A mais escandalosa é a da Casa Civil: diz o pessoal da ministra Dilma que Renan Calheiros (que surpresa!) enviou-lhes o relatório sem a resolução de aprovação - o que os desobriga a prestar informações ao Congresso.

É o país de Lula - aquele que, durante a campanha presidencial prometeu que todos seriam punidos. Se não me engano, ele também alegou que não havia mais corrupção em seu governo - a corrupção estava apenas aparecendo mais, porque ele determinara que tudo, absolutamente tudo, fosse apurado.

Agora o relatório da CPI dos Correios está indo para o lixo sem que a oposição faça qualquer barulho. Se fez, nem eu - nem a torcida do São Paulo - ficamos sabendo. E se não ficamos sabendo é porque, se protesto houve, deve ter sido algo bem mariquinhas, no estilo menininhas de colégio interno que, com raras exceções, tem caracterizado a ação de nossos políticos que se dizem oposicionistas.

Depois o pessoal fica procurando mil explicações para o fato de um cara assim amanhecer rei. Este, pelo menos, cumpre o que promete.

O Brasil nunca foi tão Lula

O bom andamento do feriado de Páscoa não será atrapalhado pelos controladores de vôo.

A greve será retomada quando os brasileiros estiverem voltando ao trabalho.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Os idiotas

É noite de sexta-feira. Você já está há cinco ou seis horas no aeroporto e nada de chamarem seu vôo.

No balcão da companhia aérea, tudo o que lhe dizem é que há um problema em Brasília. Não, eles não sabem lhe dizer se o seu vôo vai sair hoje. Também avisam que é melhor você não deixar o aeroporto porque eles podem chamar para o embarque a qualquer momento. Falando mais alto para se fazer ouvir, pois já há passageiros aos gritos no balcão ao lado, a atendente lhe aponta a imensa fila onde estão distribuindo o famigerado vale-lanche.

Você suspira irritado. Esta bagunça já vem desde outubro - e, aqui, pouco importa se você sabe porque viu na TV ou porque já é a décima vez que se torna vítima da coisa. No momento, tudo o que você pode fazer é ligar para quem o está esperando no local de destino e avisar do atraso. Do outo lado da linha, porém, quem o espera informa que a coisa vai demorar: os controladores de vôo estão em greve e os principais aeroportos do país estão fechados para decolagem. É quando você é cegado por uma luz. No segundo seguinte, um repórter coloca um microfone à sua frente e pede declarações sobre a situação.

E o que você faz? Você reclama da falta de informações, da fila do lanche, dos compromissos e negócios que vai perder, da incerteza de embarcar ou não, da possibilidade de fazer novas e imprevistas despesas de hospedagem... Você, enfim, reclama de quase tudo. Mas, coisa impressionate, por mais que você já esteja informado de que é uma greve - o velho problema, pois, que se arrasta desde outubro - , você não lembra de cobrar a fatura a quem de direito: não fala do governo, não cita o nome do presidente Lula, não cobra uma solução. Dias antes, o responsável pela coisa invadiu a TV da sua casa prometendo colocar um prazo para o fim da bagunça e, agora, diante da imprensa, tudo o que você consegue fazer é choramingar o lanchinho.

Ok, você pode ser apenas um idiota. Mas, me responda uma coisa: de quantos idiotas se faz uma multidão aprisionada em aeroportos? E por que só eles são ouvidos pelos repórteres? Você não acha que há, engavetados nas redações das nossas redes de TV, depoimentos de não-idiotas que, por um mistério qualquer, não foram levados ao ar?

Este post é uma homenagem ao Soube, que levantou esta questão no último domingo.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Teoria da conspiração... Eu também tenho a minha, ora bolas!

E ela aconselha cautela com esta fórmula "quebra da hierarquia militar + militares de alta patente descontentes + presidente populista".

Uma venezuelização do quadro político nacional é tudo o que eles querem. Esta pode, aliás, ter sido a pedra de toque do governo tanto no que respeita ao desleixo com os relatórios recebidos desde 2003, quanto neste (aparentemente?) tresloucado desmando de Lula na última sexta-feira.

Alguém aí pode garantir que o PT não tem miliância dentro das forças armadas?

Diploma de burrice plena

Desde outubro, quando teve início o apagão aéreo, os militantes do bufão palanqueiro ensaiam um mantra que agora começa a ganhar força total: " crise no setor aéreo só afeta a quem anda de avião".

Não deixa de ser uma declaração coerente para quem elegeu - e reelegeu - um semi-analfabeto para ocupar a presidência da República.

Aconteceu

A vergonhosa capitulação de Lula diante do motim dos controladores nos jogou no vácuo. É sem atrito, pois, que vamos curtir esta descida rumo ao abismo.

Humilhados - e sem motivos para confiar no Presidente da República - os oficiais da Aeronáutica abandonaram a chefia e supervisão do controle de tráfego aéreo.

Temos, então, que o controle aéreo do país está nas mãos de quem declarou, mediante manifesto publicado na última sexta-feira, não confiar nem em si mesmo e nem nos equipamentos: "Chegamos ao limite da condição humana, não temos condições de continuar prestando este serviço, que é de grande valia ao País, da forma como estamos sendo geridos e como somos tratados. Não confiamos nos nossos equipamentos e não confiamos nos nossos comandos! , foram as palavras dos controladores de vôo.

Não deve ser surpresa que, diante deste quadro geral de desconfiança, a A Federação Internacional de Pilotos tenha publicado um manual orientando empresas aéreas estrangeiras a respeito dos riscos de voar pelo Brasil.

Ou seja: conforme amplamente anunciado por este blog nos últimos quatro anos, o bufão palanqueiro acaba de nos jogar no abismo.