terça-feira, 17 de dezembro de 2013

2014 começa hoje. E quem não está com Aécio, está com o PT.



“É inútil fecharmos os olhos à realidade. 
Se o fizermos, a realidade abrirá nossas pálpebras 
e nos imporá a sua presença.” 
(Juscelino Kubitschek)


Ontem, José Serra finalmente reconheceu que não há mais espaço para o seu sonho pessoal. Hoje, o PSDB apresentou sua nova agenda para mudar o Brasil - com prioridades, desafios e caminhos para superá-los. 

Portanto, como sugere a frase de JK que abre este post, não é mais possível fecharmos os olhos à realidade: 2014 começa aqui e agora. Daqui pra frente, tudo o que fizermos como cidadãos, militantes políticos ou simplesmente eleitores, começará a definir o resultado que teremos em novembro do ano que vem. 

Não há mais tempo para indecisões. Não há mais espaço para a covardia da neutralidade. A partir de agora, ou você está com Aécio Neves, ou está com o PT. Ou você está apoiando o único candidato que representa a ruptura com o regime petista, ou está trabalhando, mesmo que em silêncio, para a manutenção do PT no poder. 

Não, eu não esqueci a existência da aliança Eduardo Campos e Marina Silva. Lembro dela tão bem quanto lembro onde ambos estavam ainda outro dia: nos braços do PT. Como já disse várias vezes aqui, Marina e Eduardo Campos são apenas o PT envergonhado. O PT 2.0, com roupa nova e um passado de harmoniosa convivência com Lula e seus mensaleiros. 

Logo, Aécio Neves é  a única possibilidade de tirarmos o PT do poder. Não apoiá-lo é omitir-se. Rejeitá-lo porque ele não representa todos os seus anseios – quem representa? – é trabalhar a favor do PT. Da mesma forma, jogar a decisão para o segundo turno, declarar voto nulo, ou simplesmente ficar inerte quando as pessoas à sua volta assim agem, é trabalhar a favor do PT.

Quer você goste ou não, esta é a nossa realidade. E é inútil fechar os olhos a ela.

domingo, 17 de novembro de 2013

Os nove erros da oposição na internet.


Já são 17 anos de internet e uma década de blog. No meio do caminho, três campanhas presidenciais – as três amargando derrotas para o PT -, muitas lições aprendidas e a fúria de ver gente que se diz de oposição cometer sempre os mesmos erros na internet.

Desde 2002, quando os debates eleitorais na web ficavam restritos às salas de bate-papo e aos GDs – grupos de discussão - do UOL, passando pela pancadaria da área de comentários do Blog do Noblat, e culminando com estes tempos de Twitter e Facebook, são sempre os mesmos malditos erros.

Se ao longo de uma década relutei para escrever um post assim foi porque há, nesta atitude, um erro estratégico: ele torna públicas as nossas mazelas, fornecendo aos nossos adversários políticos um guia seguro para sermos, mais uma vez, derrotados.

Mas ontem foi um divisor de águas. Ontem, enquanto boa parte da militância oposicionista espontânea acertadamente comemorava a prisão dos petistas mensaleiros nas redes sociais, aquela outra parte – tão ruidosa quanto insidiosa - voltou a errar. De repente, parecem ter cansado de capitalizar a derrota petista e começaram, mais uma vez, a fazer mea-culpa da oposição publicamente. “Onde está a oposição, que não se pronuncia?”, perguntavam os asnos, sem nem ao menos se questionar sobre os motivos para que nenhum político, além dos petistas, estivesse se pronunciando naquele momento.

A pressão cresceu a tal ponto que, provavelmente para não deixar essa gente sem uma resposta, Aécio Neves se obrigou a postar no Facebook a mesma nota que postara no dia 14, quando o julgamento do mensalão chegou ao fim. Uma solução suíça para uma armadilha desnecessária, armada não por petistas, como seria de se esperar, mas por gente que se diz de oposição.

Tamanha ignorância me autorizou a publicar este post. Porque se é verdade que as últimas três campanhas presidenciais tiveram erros estratégicos, também é verdade que a militância da internet – seja ela espontânea ou não – tem uma grande parcela de contribuição nas derrotas que amargamos.

Querem fazer mea-culpa da oposição publicamente? Então vamos lá. Como diz o velho ditado, comecem olhando para os vossos próprios rabos, macacos.

Descubra, abaixo, quais são os erros que talvez você esteja cometendo e tente não repeti-los. Se tal coisa não for possível, lembre-se de nunca mais falar mal da oposição. Porque se comete estes erros, você, meu caro, é uma parte bem ruim dela. 

E, antes de se ofender e começar a recitar um mimimi na área de comentários deste post, leia meu batom: estes são erros que você jamais verá um petista cometer na internet.

1. Não entender o papel da internet nas campanhas. 
Internet não decide eleição, mas forma opinião . O que se fala na internet não enche urna. A TV e o corpo a corpo ainda são fundamentais. Por outro lado, cada vez mais a internet cumpre um papel importante– principalmente enquanto a campanha efetivamente não começou – que é o de plantar conceitos, positivos e negativos, que podem colar no candidato. Para você entender bem o seu tamanho: você não é grande o suficiente para garantir a vitória de um candidato. Mas é grande o suficiente para manchar a imagem dele. Lembre-se disso antes de abrir a boca nas redes sociais e dizer bobagens.

2. Não entender o papel de cada um na internet.  
Há coisas que, por questões institucionais ou simplesmente em função de estratégia, um candidato não pode fazer. É justamente por isso que você é importante – para fazer o que ele não pode fazer. Você pode, por exemplo, trollar Dilma e o PT à vontade por conta da suposta espionagem americana. O candidato não. Para ele é uma arapuca discursiva – pode acabar sendo acusado, com propriedade, de antipatriotismo. Fazer oposição na internet é assim: valorizar o que o candidato da oposição diz e ficar na moita sobre o que ele não diz – porque há coisas que você não tem capacidade para entender. O tamanho da sua importância como voz oposicionista tem a ver com o tamanho do seu engajamento às palavras de ordem de quem está comandando o partido e/ou a aliança oposicionista. É assim que os petistas fazem. E é por isso que eles ganham eleições.

3. Criticar publicamente a estratégia da oposição
Já falei sobre na introdução do post, mas é preciso repetir. Você acha que a oposição e/ou o candidato estão no rumo errado? Escreva um e-mail para ele, participe de um grupo de discussões fechado do partido e dê voz lá às suas ideias. Procure o diretório da sua cidade, peça uma reunião com o presidente municipal do partido e mande ver. Mas, a menos que você seja um especialista da área e saiba, exatamente, como fazer tal coisa sem causar danos, jamais critique publicamente a campanha, ou as atitudes do seu candidato. Você vai desestimular pessoas que não entendem muito de política, mas que estavam começando a gostar dele - e, o que é pior, vai fornecer munição para os petistas.

4.Chorar, em público, porque o seu pré-candidato não emplacou. 
Este erro é uma especialidade tucana e já escrevi bastante sobre ele.  Lembre-se: quando Lula decidiu que a candidata seria a improvável Dilma, você não viu nenhum petista chorando Palocci, ou criticando publicamente a escolhida. E é assim, aderindo imediatamente ao nome escolhido, que os petistas têm derrotado você ao longo de uma década. Trazer as guerras internas partidárias para a internet é um jogo de perde-perde. Mesmo quando os próprios pré-candidatos estão publicamente em conflito, ou quando seu colunista político predileto insiste em desancar o candidato da vez, funcionar como alto-falante deste conflito é um erro primário. Simplesmente porque você perde tempo agredindo um candidato da oposição ao invés de conquistar apoios para ele. Quando a campanha começar, se você realmente for de oposição, vai ficar correndo atrás da máquina para buscar estes apoios. Não brigue com a realidade. Está insatisfeito com a escolha partidária? Discuta o tema internamente. Você está muito contrariado? Então fique quieto hoje para não se arrepender no ano que vem.

5. Ficar falando só com o seu clubinho. 
Ele só tuíta e posta no Face para impressionar os amiguinhos. É técnico em enfermagem, professor, ou engenheiro, mas quer impressionar a turma com o seu nível de politização. Ok, só que isto não é fazer oposição na internet. Fazer oposição na internet é tentar sair do seu círculo de relacionamento e atingir o maior número possível de pessoas. Isto só se alcança com: popularização da linguagem, cordialidade com possíveis aliados, e – olha que espanto! – falando bem do candidato potencial. Não um massacre panfletário, com cara de campanha, que mais espanta do que conquista seguidores. Apenas deixe claro que você é de oposição e apoia o candidato que a representa. Não precisa concordar com tudo o que ele diz. Mas esqueça as diferenças e exalte as ideias que você tem em comum com ele.

6. Ser uma matraca eleitoral. 
É quase um subtipo da categoria anterior - e, não raro, trata-se de um militante filiado ou de um assessor parlamentar. Embora não seja nocivo, porque só tece elogios ao candidato da vez e desempenha um papel de mobilização importante junto à militância oficial, este tipo também não conquista muita coisa fora das fileiras partidárias. Ele passa os dias falando de política e é incapaz de postar um conteúdo mais leve – sobre humor, futebol, novela. Tudo nele é militância. Soa falso. E, por isso mesmo, ele é incapaz de conquistar quem precisa e pode ser conquistado: a maioria das pessoas – aquelas que não ligam muito para política, mas que passarão a consultar suas timelines quando se aproximar a hora de votar.

7. Ser um inocente útil a serviço do PT. 
Não raro ele tem um passado à esquerda, tendo aderido à oposição depois de se decepcionar com Lula. Não é agressivo e gosta de pensar em si mesmo como um democrata.  Em sua TL você vai encontrar militantes petistas, psolistas, verdes e comunistas – toda essa gente que, na hora do pega pra capar, acaba votando no candidato PT.  Mas ele perde horas em debates com estas pessoas – talvez uma nostalgia dos tempos de militância na esquerda - na ilusão de que poderá fazê-las mudar de opinião. E, enquanto faz isso, vai lhes concedendo, vitrine, espaço e um tempo precioso – que poderia ser usado para buscar gente que realmente pode mudar de opinião e votar contra o PT. Este grupo inclui aqueles que olham, com carinho, para pseudo oposicionistas como, por exemplo, Marina Silva. Alegando que a candidatura dela é importante para garantir um segundo turno, o pobre idiota não se dá conta de que não precisamos dela para garantir um segundo turno em 2006 – e que o segundo turno de 2014 estaria mais folgado se ele estivesse, desde já, trabalhando pelo candidato que é, de fato, o representante da oposição.

8.Ser um boçal elitista. 
Ele já perdeu três eleições vomitando a mesma ladainha e segue insistindo. De um modo geral, estes são indivíduos que não produzem muito conteúdo na internet. O negócio deles é  divulgar e, principalmente, fazer  a crítica do que os outros produzem. Procuram manter certo distanciamento cult de “tudo o que aí está” e não raro ridicularizam aqueles que têm candidato e acreditam que vale a pena tentar uma vitória. No entanto, a despeito da sua inutilidade, seguem se autointitulando “oposição”. Não são. Sua atitude derrotista, quando não amorfa,  tem favorecido, ao longo de uma década, a eleição de candidatos do PT. Neste grupo estão incluídos aqueles que gostam de falar de política, mas fazem cara de nojinho para militância pró-ativa, os que cogitam o voto nulo e os que questionam a inviolabilidade das urnas eletrônicas. Em termos de campanha política na internet, esta é uma gente que trabalha voluntariamente para o PT.

9. Ser um direitinha xiita – ou um petista de sinal invertido.  Para eles, o candidato de oposição ao PT nunca está suficientemente à direita. É uma gente que, a despeito da arrogância, desconhece o papel da conjuntura num cenário político, a influência de uma década de governo de esquerda na bagagem cultural do eleitor brasileiro e, principalmente, um elemento básico da política: a negociação. Querem simplesmente tirar o PT do poder – mas, a julgar pela atitude, não têm ninguém para colocar no lugar. É fácil identificá-los: tão agressivos quanto os petistas, eles xingam e ridicularizam membros da oposição que ousam, vejam só!, apoiar o candidato da oposição. Dedicam parte do tempo a xingar o PT de um jeito que nenhuma pessoa decente pode levar à sério. E o pior: também plantam constantemente, a ideia de que “não há oposição no Brasil” e de que “PT e PSDB são exatamente a mesma coisa – uma teoria da conspiração típica de certo filósofo autoexilado que este grupelho idolatra. Nocivos, eles passam dias inteiros na internet desarticulando e desmobilizando a oposição possível enquanto se autoproclamam a “única oposição verdadeira”. Se é verdade que o PT tem ativistas infiltrados na oposição, todos os indícios apontam na direção desta gente.

Caso você tenha se identificado com alguma das atitudes listadas acima – ou mais de uma, já que elas admitem sobreposição – saiba que você é livre para continuar errando. Mas pare de se iludir sobre estar fazendo oposição na internet.  Porque, para começo de conversa, você nem sabe o que é fazer oposição. E é por isso que vive perdendo para o PT.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Problemas no paraíso: Marina, Eduardo e a arte de unir as semelhanças

Pelo jeito, já começaram os problemas no paraíso.

Matéria de hoje da Folha de S. Paulo  dá conta de que as diferenças entre Eduardo Campos e Marina Silva começam a se sobrepor à imagem de total integração, construída artificialmente - e às pressas -  no início de outubro:

"A discordância ocorreu em um encontro há uma semana, véspera do ato em que PSB e Rede Sustentabilidade, o partido de Marina, começaram a discutir as bases para construir um programa único das duas forças políticas." (Clique aqui para ler na íntegra)

Embora  tenham começado um pouco antes do que se imaginava, os problemas eram mais do que previsíveis.A aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos nunca foi algo natural - a despeito do frisson de maior parte da imprensa, que vendeu a coisa como uma promissora novidade.

Ainda que ambos comunguem de um passado junto ao petismo, ainda que ambos tenham se mantido fiéis a Lula depois do mensalão, as semelhanças terminam aí.

Marina, a despeito da aparência dócil e supostamente democrática, sofre de um radicalismo que não lhe permite diálogos - basta lembrar a vasta lista, nascida nos primórdios da sua fundação do tipo de empresas cujas colaborações financeiras não seriam aceitas pela Rede. O termo "sonhático" grifado por ela não é mais do que um eufemismo para uma postura radical que, para ficar apenas no exemplo mais recente, fez estragos durante sua meteórica passagem pelo Partido Verde. Marina não dialoga. Prega. E com aquele tipo de fervor de quem apenas faz de conta que ouve seu interlocutor porque, na verdade, já vem para o diálogo sem a menor intenção de ceder. O radicalismo é traço forte da personalidade de Marina Silva.

Eduardo Campos é um político pragmático e experiente, do tipo que faz alianças com quem lhe permita atingir seus objetivos - e não é do tipo que rejeita apoios com base em princípios subjetivos. Dizem que é bom ouvinte, bastante flexível e que costuma escolher com cuidado suas batalhas - envolvendo-se apenas naquelas dais quais possam sair com alguma vantagem concreta. Se retirou-se outro dia da base do Governo Federal foi porque sentiu, a despeito de suas remotas chances pessoais,  que a permanência do PT no poder pode estar ameaçada. O pragmatismo é traço forte da personalidade de Eduardo Campos.

A imprensa sempre soube destas naturais diferenças entre Campos e Marina. Apenas comportou-se feito convidada elegante em um casamento de fachada, feito na correria: brindou e aplaudiu, evitando perguntas incômodas. Talvez tenha preferido acreditar que as diferenças seriam complementares. Ou simplesmente encantou-se com a beleza de festa.

Passada a lua de mel, eis que temos a realidade a atropelar o sonho. Primeiramente porque traços predominantes de personalidade são a matéria prima mesma da política - impossível prescindir deles. Depois porque em política personalidades muito diferentes não se complementam; entram em conflito. Finalmente porque a política é arte de unir as semelhanças - e não as diferenças.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Aula de oposição: como Aécio encurralou Dilma e a fábrica de boatos do PT

Aécio Neves: oposição como não se via há uma década.

Aécio Neves apresentou nesta quarta-feira um projeto de lei que transforma o Bolsa Família em um programa de Estado. Pela proposta, o benefício, que tem sido a principal bandeira eleitoral do PT, se torna permanente, ficando atrelado às políticas públicas de assistência social e erradicação da pobreza no país – e, o que é mais importante, não ficará mais à mercê das decisões do Executivo.

É uma jogada de mestre. Com um único projeto, o senador mineiro dá segurança ao eleitor sobre a continuidade do programa, tira de Dilma seu principal argumento eleitoral e, de quebra, destrói antecipadamente a poderosa fábrica de boatos do PT. Graças à estratégia de Aécio, os petistas acabam de acordar em um cenário eleitoral diferente, no qual não é mais possível disseminar - como fizeram, incansavelmente, em 2006 e 2010 -  a mentira de que os tucanos querem acabar com o Bolsa Família. 

Independentemente do intrincado percurso parlamentar que o projeto de Aécio deve seguir até sua votação, a simples apresentação é uma vacina poderosa contra a boataria petista. E coloca Dilma numa arapuca discursiva sem precedentes.

Se orientar sua base a votar a favor do projeto de Aécio Neves, Dilma estará pactuando com a perda de seu mais importante argumento eleitoral. Por outro lado, se orientar sua base a votar contra, ou mesmo a protelar a votação, a presidente vai entregar a Aécio um tesouro: o discurso de que ele quis eternizar o programa, mas Dilma o impediu.

Não é de hoje que venho elogiando a visão estratégica e a capacidade de articulação política de Aécio Neves.  Mas confesso que, com essa, o mineiro voltou a me surpreender.  Aécio está dando uma aula do que é fazer oposição – coisa que o país não via há quase uma década 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Marido de Marina Silva é funcionário de governo petista. E a imprensa faz de conta que não sabe.

Não é segredo que a origem humilde e a infância sofrida  transformam Marina Silva em objeto de fetiche de boa parte da imprensa nacional. Se trata, na verdade, de um fenômeno mundial: salvo raras exceções, indivíduos oriundos de segmentos – sociais, culturais, raciais -  que nunca chegaram ao poder tendem, no momento em que se apresentam na política,  a cair nas graças da imprensa.

Que a ex-ministra de Lula não representa novidade alguma no cenário político nacional, já falei exaustivamente neste blog – basta ler o último post, aí embaixo, para ter um bom resumo da coisa.  Mas a  imprensa pode acatar ou não que a aliança Eduardo e Marina é apenas um outro PT. Sonhar com a sonhática é um direito que lhes cabe. O que a imprensa não pode é, em prol de seu fetiche, se omitir e deixar de fazer perguntas incômodas aos que elege como favoritos.

Pois é exatamente o que está acontecendo. Ontem, o portal Implicante evidenciou que o marido de Marina Silva, Fábio Vaz de Lima, é  Secretário Adjunto de Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Serviços, Ciência e Tecnologia – um cargo de confiança, notem bem – no governo do estado do Acre. Governo do PT, portanto, sob o comando do, vamos repetir, petista Tião Viana.

Considerando como Marina tem monopolizado as atenções da imprensa ultimamente, é inadmissível que ninguém soubesse disso. Na sequência, torna-se inaceitável que, tendo concedido longas entrevistas a grandes jornais, rádios e programas de televisão, ninguém – absolutamente ninguém – tenha trazido à tona esta questão.  Todos pouparam Marina de responder o motivo pelo qual, mesmo ela dizendo ter rompido com o PT, o marido segue no projeto petista. Por que, mesmo fazendo campanha para a criação da Rede Sustentabilidade, Fábio segue ligado ao PT? Por que Marina, que diz querer acabar com a lógica dos cargos, do fisiologismo, na política nacional não começa tal revolução dentro da própria casa?

Quem leu toda a matéria do Implicante sabe que Fábio Vaz de Lima está dizendo que não pretende pedir demissão -  pelo menos, “não este ano”.  


Pois eu vou fazer uma aposta com vocês. Se esta história crescer um pouco mais na internet, Fábio pede demissão dentro de alguns dias. E, só então, a grande imprensa nacional falará do assunto – para dizer, claro, que a atitude é mais uma prova do quanto Marina Silva e os seus são coerentes, bem intencionados, etc e tal. Ou, então, para dizer que ele “foi perseguido pelo PT” – o que também colabora para lapidar a imagem de pureza e vitimismo que esta mesma imprensa tem ajudado Marina a construir. Nenhuma linha será publicada sobre Fábio Vaz de Lima jamais ter pensado em demissão antes de seu cargo ter virado assunto na internet. Este lado pouco louvável da história eles vão evitar.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Jogo duplo? Aliados do ex-presidente, Campos e Marina miram em Dilma e poupam Lula


A presidente Dilma verá de volta Lula em seus calcanhares se a jogada de Eduardo Campos e Marina der certo. O movimento “volta Lula” ganhará corpo diante da nova configuração da campanha eleitoral, agora legitimado justamente pela mudança de cenário” - Merval Pereira

Não é segredo que Eduardo Campos e Marina Silva compõem uma pouco confiável, porque recém nascida, neo-oposição ao PT. Ela foi filiada ao PT até 2009 – de onde saiu apenas quando Lula deixou claro que Dilma iria sucedê-lo. Ele estava, até mês passado, na base de apoio ao governo – com direito a cargos e benesses. De lá saiu quando... Quando mesmo?

Ai é que a porca torce o rabo. Quando foi mesmo que Eduardo Campos deixou a base de apoio do governo petista?  Quando ficou claro que Dilma estava recuperando a popularidade e tinha chances de se reeleger.

Ou seja: Eduardo Campos é um daqueles raros casos de alguém que abandona um governo – no qual se encontra há nove anos – no momento em que este governo volta a dar mostras de que pode vir a se reeleger.  Estranho? Só para quem não está atento.

Antes de dizer que isto aí foi prova de desapego ao poder – ou qualquer outra pieguice – lembre o que aconteceu em julho, quando Dilma amargava uma significativa queda de popularidade: Eduardo Campos e Lula se encontram. Na pauta oficial, Lula teria pedido a Campos que não abandonasse Dilma. Na pauta vazada para a imprensa, que é a que vale para ler intenções, dois recados em um mesmo diapasão: o primeiro, que Eduardo Campos abriria mão de sua candidatura se Lula fosse o candidato. O segundo, que Lula adoraria ter Eduardo Campos como vice.

Nas semanas que se seguiram às manifestações de junho – especialmente quando, em agosto, o Datafolha afirmou que somente Lula ganharia no primeiro turno - Eduardo Campos foi pródigo em mandar sempre o mesmo recado: se Lula fosse o candidato, ele desistira. Em 26 de setembro o pernambucano ainda dizia: “se a Dilma piscar, Lula volta”. 

Mas setembro chegou e, com ele, a recuperação de Dilma nas pesquisas. Aparentemente, Eduardo Campos desistiu de ver Lula candidato, rompeu com Dilma e foi buscar uma parceria que favorecesse o seu projeto presidencial: Marina Silva.

Marina, que foi ministra de Lula. Marina, que fez campanha em 2010 sem jamais fazer críticas claras a Lula. Marina, que tem problemas com Dilma porque foi vencida por ela no processo sucessório de Lula. Marina, que hoje está, novamente, nos jornais, criticando Dilma e poupando Lula. 

Mestre no jogo duplo, provável mentor de toda a manobra, Lula tem mandado recados bem dirigidos: ao mesmo tempo em que orienta o PT a se afastar de Eduardo Campos, aprofundando o fantasioso rompimento do pernambucano com o governo Dilma, afirma que “Campos assusta mais do que Aécio Neves” – um discurso que só fortalece Eduardo Campos.

Não por acaso, no dia do anúncio da aliança com Marina Silva, Eduardo Campos limitou-se a dizer que não conseguira falar com Lula – tentara ligar para ele, mas não fora atendido. Não poderia dizer que rompeu com ele porque não é verdade. Dizer que recebeu a bênção de Lula, por sua vez, revelaria o golpe.


Como bem observou Merval Pereira, no trecho que abre este post, longe de turbinar a oposição, a manobra da dupla Campos e Marina abre caminho para um movimento “volta Lula”.  

É jogo duplo, sim. Encenado a três. 

sábado, 12 de outubro de 2013

Datafolha: tendência mostra que Aécio é o único candidato da oposição com potencial para enfrentar Dilma


A esta altura do campeonato, pesquisa eleitoral serve mesmo é para avaliar tendência.

Também não é verdade, como se tem dito ao longo do dia, que não é possível comparar a pesquisa Datafolha de hoje com outras realizadas pelo instituto. Intenção de voto num candidato é dele, ponto. Não é porque o cenário mudou que não se possa compará-la.

Se Marina agora saiu do páreo - e o PSB está dizendo que sim - não tem porque considerá-la como cabeça de chapa. O que vale é o cenário sem ela. Se isto mudar, e quando mudar, ela entra no gráfico. Por ora, o candidato é Campos. E o correto é ver a tendência dele - antes, um Campos sem Marina, porque era o quadro então, e agora com ela de provável vice.

O gráfico que você vê aqui mostra exatamente isso: a evolução da intenção de voto, segundo o DataFolha entre março e outubro, dos três candidatos que, no momento, dizem que estarão na disputa presidencial do ano que vem.

E o que vemos é que Aécio Neves é o único candidato de oposição  com sólida tendência ascendente. Sólida porque vem crescendo sem oscilar. É isto que se chama tendência.

Considerem, ainda,  que a pesquisa foi às ruas um dia depois do programa do PSB - e no encerramento de uma semana repleta de comerciais do partido na TV, com farta exposição de Eduardo Campos.

De resto, o segundo dado relevante desta pesquisa é o balde de água fria em José Serra: com duas campanhas presidenciais nas costas, Serra tem 33% dos votos. Áecio, que teve apenas um programa de TV e alguns comerciais, está com 31%. - e, como mostra o gráfico, com claro potencial de crescimento.

Fim de papo, pois. Aécio Neves é o único candidato da oposição com potencial concreto para enfrentar Dilma.

sábado, 5 de outubro de 2013

Ela não é diferente: para tentar chegar ao poder, Marina Silva rasga o próprio discurso




Exame - A senhora se vê num amplo arco de alianças, inclusive com partidos mais tradicionais, no caso de nova candidatura presidencial?


Marina Silva - As pessoas partem do princípio de que isso que está aí é o que é, é o que será e não haverá oportunidade para mais nada. Se for isso, então tem gente que faz melhor do que eu. Se não compreendemos que está sendo demandado um novo arranjo político para o país, então não estamos aprendendo nada com o que está acontecendo nas ruas.

(Marina Silva, em entrevista para a Revista Exame, em 31 de julho de 2013).

A declaração acima é apenas uma das muitas que Marina Silva deu, desde o início de 2011, para reafirmar uma mentira: que ela é diferente - e queria criar seu próprio partido porque aqueles que aí estavam não lhe serviam.

Mais perigoso que um político, só um político que se reveste de um manto de pureza e santidade. Porque se o primeiro é uma dúvida, o segundo é uma mentira deslavada.

Como eu disse, há alguns dias, que aconteceria, Marina acaba de se filiar a um daqueles partidos que, até ontem, não lhe serviam. O escolhido foi o PSB do governador pernambucano Eduardo Campos. E, enquanto escrevo este post, ela se contorce, diante da imprensa, na elaboração de outra fábula para iludir aqueles que a acreditam diferente: a de que o PSB ofereceu melhores condições para dar guarida à sua moribunda Rede de Sustentabilidade – e que ela, Marina, não se filiou com vistas à candidatar-se à presidência em 2014 .

Só há uma razão para Marina ter escolhido o PSB: o fato de que, até o momento, Eduardo Campos não consiga ultrapassar os 5% nas pesquisa eleitorais. Marina quer muito se candidatar à presidência em 2014. E só escolheu o PSB porque ali o candidato potencial tem se mostrado fraco – será fácil fazê-lo desistir.


Acaba de nascer, pois, uma nova mentira.  Mas não se iludam: os tolos passarão um bom tempo achando que nasceu uma nova esperança.

*Ps: dedico este post ao tolinho comentarista que, outro dia, furioso com o que eu escrevi sobre Marina, me encheu de desaforos e depois lascou:  "Não são "desafios" como o de vocês que vão fazer com que Marina não concorra à presidência caso o partido não vingue. É a coerência e ética dela que o farão."

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

De bolada a rebelde: na tentativa desesperada de rejuvenescer, Dilma voltou ao Twitter.

Aécio Neves é um cara jovial. Mais do que uma questão de faixa etária – ele completou 53 anos em março – este é um traço de personalidade que permeia todas as esferas da sua vida. Quem com Aécio convive costuma usar as palavras "entusiasmo" e "alegria" para definir tanto a forma como ele se entrega ao trabalho quanto ao fato de manter uma vida social que não esconde: depois de uma exaustiva jornada, ele pode ser visto em eventos culturais, batendo papo com amigos em um barzinho ou cantando modas de viola, à beira da fogueira, na Fazenda da Mata – que pertence à família desde 1867.  Uma de suas frases favoritas, dizem, é da escritora americana Gertrude Stein: “a alegria é a coisa mais séria da vida”.

Até semana passada, esta jovialidade do mineiro parecia, aos olhos dos seus adversários, uma fraqueza.  Parecia. O quadro, porém, mudou drasticamente a partir da última quinta-feira, quando foi ao ar o programa do PSDB. As pesquisas qualitativas, realizadas pelo Palácio do Planalto durante o programa, fizeram piscar as luzes de alerta: Aécio havia se saído bem – e a jovialidade era um dos pontos de força do senador. Para completar, o hangout, realizado depois do programa com Aécio Neves, fora assistido por quase 200 mil pessoas ao longo de uma hora.

Some-se, a isso, o alerta anterior, ao sabor das manifestações ocorridas no meio do ano, que deixaram claro à presidente e seu marqueteiro que Dilma estava afastada da população – especialmente dos jovens, que passaram a ser alvo de inúmeras ações.

De uma hora para outra, começam a surgir programas e redes sociais chapa branca dedicadas à conquista do público jovem. Na sequência, temos boatos de que Dilma é dada a surtos de jovem rebeldia – ela faria passeios noturnos, de moto, ouvindo rock, pelas ruas de Brasília. Só faltou a roupa de couro – talvez porque o Marqueteiro João Santana, que gosta da sutileza, tenha achado demais. 

Nos últimos dias, planta-se também a imagem de uma Dilma que foge de seguranças no exterior para fazer compras em shoppings ou simplesmente perambular, rebeldemente, pelas ruas de Manhattan. Puro marketing alimentado por uma imprensa tola que, por acreditar ter um furo em mãos, divulga a mentira e ajuda a alimentar a fantasia.

A cereja do bolo desta estratégia surgiu hoje, com o retorno da presidente da república ao Twitter – rede que ela abandonara desde o final da campanha, em 2010. Não por acaso, a Dilma verdadeira voltou batendo papo com um fake famoso, a Dilma Bolada. Seu autor, Jefferson Monteiro, começou realmente fazendo humor. Desde abril último, porém, quando esteve em Brasília, há indícios sugerindo que ele saiu da informalidade para reforçar a comunicação presidencial. É de se notar que, na esteira das pesquisas qualitativas realizadas durante o programa do PSDB, a partir da quinta-feira passada o perfil Dilma Bolada passou a atacar pesadamente Aécio Neves – coisa inédita desde que foi criado.

De bolada a rebelde, o que se vê nos últimos dias é apenas a tentativa desesperada de aproximar Dilma de um segmento com o qual Aécio Neves tem uma proximidade natural. Na ausência de uma Dilma jovial e rebelde, tentam agora, às vésperas de uma nova campanha eleitoral, reinventá-la. Embora a estratégia seja quase ridícula, a notícia não deixa de ser boa para a oposição. Mostra que Aécio tem bem mais chance do que seus adversários querem nos fazer crer. 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Marina Silva: está chegando a hora da verdade


Marina Silva: se ela não conseguir registrar seu próprio
partido,vai manter o discurso ou acocar?

Eu estou muito curiosa sobre o que a Marina Silva vai fazer nos próximos dias se - como tudo indica - não conseguir registrar seu partido no tempo hábil necessário para participar da eleição de 2014.

Não esqueçam que Marina, nos últimos dois anos, tem declarado repetidas vezes que os partidos existentes no país não lhe servem. Na verdade, ela tem dito isso a respeito de toda a estrutura política do país, mas vamos ficar só com a questão dos partidos poque parece que do resto ela já abriu mão desde que resolveu criar uma nova legenda.

Então... Se os partidos existentes no país não servem, não servem, certo? É de se esperar que, caso não consiga registrar a sua Rede de Sustentabilidade, Marina fique de fora da eleição presidencial do ano que vem. É uma questão de coerência.

Ou será que nos próximos dias veremos Marina Silva engolir tudo o que tem dito para se filiar, às pressas, em um daqueles partidos que, até o momento, não lhe servem?

Eu aposto nesta última opção. A despeito do que pensam os iludidos, Marina não é diferente de qualquer outro político que já caminhou sobre esta terra. É, aliás, pior do que a maioria deles porque vende aos incautos uma pureza que não tem.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

PSDB acerta na TV: Aécio manda bem e o Planalto abre as portas do canil


Do ponto de vista estético, o PSDB apresentou, ontem à noite, um programa de TV bonito e bem acabado, nos moldes que eu tenho implorado, aqui neste blog, ao longo da última década: luz ótima, fotografia e trilha certinhas, enquadramentos bonitos.  

Há uma série de mensagens subliminares neste capricho que, como expliquei inúmeras vezes, conquistam a audiência – antes de gostar do partido, das propostas, do candidato, etc, o telespectador precisa gostar do programa para não mudar de canal. Penso que este objetivo foi atingido com maestria.

Nota dez também para o conteúdo: foi leve, como deve ser a esta altura do campeonato, sem deixar de tocar em pontos importantes, que o eleitor sente no cotidiano - o retorno da inflação, as obras inacabadas do PT, a inexistência de uma infraestrutura a altura da força produtiva do país. 

Amarrando isso tudo, a ideia do diálogo – tanto ao longo do programa como na ótima sacada de dar sequência com um debate, via internet, logo depois do encerramento.  O “vamos conversar” confere proximidade e humildade – elementos necessários para quem, como Aécio, está começando a ser conhecido por brasileiros de todos os recantos.  Juntamente com o argumento “quem muda o Brasil é você” a ideia do diálogo também respeita o atual clima político do país, que acaba de sair de uma onda de manifestações onde a coisa mais perceptível era a insatisfação com a classe política em geral.

Pontos, palmas e louvações ao Renato Pereira por tudo, mas, principalmente, por ter conseguido algo que, eu bem sei, é dificílimo: entregar o programa inteiro a Aécio Neves, fazendo dele o protagonista. Político é bicho vaidoso por natureza e só quem já fez campanha para TV sabe que é preciso ter (desculpe) cojones pra segurar um rojão desses dentro do partido.

Aécio, por sua vez, é o sonho de consumo de qualquer diretor: é bonito e rende bem. Impossível mensurar, é claro, só pela versão final, se ele dá muito trabalho para gravar. Mas, pelo que já vi em entrevistas – e pelo que se viu no hangout, depois do programa - eu desconfio que não. O danado do mineiro gosta da câmera – e ela dele. Num país onde a campanha via televisão ainda é fundamental, esta é uma ótima notícia.

Mas como eu – até por vício – sempre tenho que dar um pitaco, deixo aqui um pedido e um reparo.

O pedido: que Pereira enfie Aécio em uma camisa branca e só o tire dela em novembro de 2014. Para além da mensagem subliminar, de paz e limpeza, que a cor branca passa – e de nos livrarmos daquela eterna camisa azul das eleições anteriores - é raro ela favorecer tanto alguém diante das câmeras como favorece ao tucano. Ou seja: Aécio de branco é um diferencial excelente, que eu exploraria até não poder mais.

O reparo: a despeito da boa expressão corporal, vimos duas ou três cenas com Aécio de braços cruzados. Sei que é um gesto natural, que é uma lástima perder uma boa cena por conta disso, mas a mensagem passada não é boa.  Cruzar os braços denota um isolamento em relação ao interlocutor; em se tratando de político, então, aí é que não recomenda mesmo.

De resto, estão todos de parabéns. Renato Pereira porque acertou em praticamente tudo, Aécio que rendeu e o partido que não atrapalhou.  Tanto foi bom o resultado que o Palácio do Planalto, de posse de pesquisas qualitativas realizadas durante o programa, abriu as portas do canil: desde ontem, a matilha petista está desferindo ataques furiosos contra Aécio Neves na internet. 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Quer se livrar da Dilma? Tire uma foto com Aécio Neves

Feita no final de agosto, durante um jantar, a foto deixou Dilma nervosa.

Pelo que se lê na imprensa hoje, Aécio Neves agora faz milagres: basta tirar uma foto com ele pra se livrar da Dilma.

Foi o que fez Eduardo Campos que, agora à tarde, anunciou que o seu partido (PSB), que está na base do governo desde a era Lula,  vai entregar amanhã os cargos que ocupa no Governo Federal.

Segundo os jornalistas Cristiana Lobo e Gerson Camarotti, Campos foi pressionado a agir assim porque tanto Dilma quanto o PT teriam se irritado com a foto que você vê aí em cima, tirada na última semana de agosto, durante um jantar cuja pauta foi 2014.

Para Cristiana Lôbo, "nos últimos dias, Dilma ficou irritada com a movimentação de Eduardo Campos, que é pré-candidato à presidência. Principalmente, com a declaração que ele fez de apoio ao diplomata Eduardo Saboya, que promoveu a entrada no país do senador boliviano Roger Pinto; e, depois, a foto dele nos jornais bastante sorridente ao lado do senador Aécio Neves, pré-candidato à presidência que é do principal partido de oposição ao governo".

Na análise de Gerson Camarotti, "nos últimos dias, integrantes do PT e do Palácio do Planalto pressionavam para que o PSB entregasse os cargos. A presidente Dilma Rousseff não escondeu sua irritação depois que Eduardo Campos reuniu-se recentemente com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), em Recife, e fez críticas ao governo".

Ou seja...  Se você, amigo que me lê, anda querendo se livrar da Dilma, do PT e de toda a lama que eles carregam,  faça como o Eduardo Campos: tire uma foto com Aécio Neves. Sua graça será alcançada em 15 dias. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

PSDB de Aécio lança portal de oposição. Serra ignora e se diz solidário a Dilma

Hoje foi um bom dia para o PSDB. Pela primeira vez, em uma década, o partido foi para o enfrentamento com o PT sobre políticas sociais: lançou o Portal Social do Brasil para divulgar programas sociais desenvolvidos em todo o país, promover a troca de ideias e oferecer consultoria gratuita a trabalhadores e gestores que queiram implantar tais projetos.

À frente deste lançamento, que conta com o aporte logístico do Instituto Teotônio Vilela, está o novo presidente do partido, Aécio Neves.  O mineiro está imprimindo um novo ritmo ao PSDB – e, por tabela, à oposição. Arrumou a casa, oxigenou as ideias da executiva nacional e começa mostrar o dinamismo político tão atestado por aqueles que já estiveram ao seu lado nas campanhas estaduais.

A parte boa deste post  termina aqui porque, enquanto o PSDB operava este acerto, José Serra utilizava Twitter e Facebook para enviar recados solidários a Dilma Rousseff em virtude das denúncias de espionagem americana em palácios tupiniquins. E acontece que o lançamento do PSDB foi por voltas das 14h e, até agora, 20h14min, Serra não deu uma única linha sobre o tema.

Sim, foi isto mesmo que você leu.  No dia em que o PSDB fez um lançamento importante para a oposição, José Serra - que anda pressionando para ser candidato à presidência pelo PSDB no ano que vem - não só está ignorando a pauta do partido como dedica todo o seu tempo nas redes sociais para mostrar solidariedade àquela que é a adversária maior do PSDB.

Se isto não ilustra tudo o que tenho dito sobre Serra não ser um homem de partido, ou de oposição, mas apenas um homem atrás de um projeto pessoal de poder, não há mais nada que eu possa fazer por vocês. 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Donadon, Zé Dirceu e a serventia de um “parlamentar presidiário”

Em artigo para o Estadão de hoje, Dora Kramer comenta a absolvição do deputado Donadon na Câmara Federal e diz que “não há vitória nem afirmação de coisa alguma no fato de se criar a figura do parlamentar presidiário”.

Entendo o que Dora quer dizer porque ela, assim como eu e você, pensa a partir de valores ligados ao respeito e à vergonha na cara.  Ocorre que nem todos olham o mundo a partir dos mesmos princípios. Há quem veja na criação de um “parlamentar presidiário” a ressurreição de um discurso que havia morrido com a ditadura: o do preso por perseguição política.

No entanto, diferentemente do que aconteceu durante o regime militar – quando muitos foram realmente presos por questões tão somente políticas – o que se pretende agora é dar um caráter político a condenações e prisões relacionadas a crimes comuns.

Não por acaso, José Dirceu sempre fez questão de afirmar que o processo do mensalão era um julgamento político. Em palestras ou na imprensa, ele não perde a chance de se dizer vítima de um “julgamento político e de exceção”.

Uma vez mantido o mandato de Donadon – e, daqui a alguns dias, de João Paulo Cunha e José Genoino - as afirmações de José Dirceu deixam de ser uma tentativa isolada de pincelar com romantismo revolucionário a ladroagem pura e simples e passam a contar com uma nova categoria de sujeitos a lhe conferir verossimilhança: os parlamentares presidiários.

Ao contrario do que imagina Dora Kramer, ao gerar a ilusão de que neste país há presos políticos, a criação desta nova categoria de cidadãos serve para revigorar o discurso de um José Dirceu que, jamais escondeu, pretende seguir se manifestando politicamente depois de preso. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Enquanto crescem as adesões a Aécio, Serra diminui em estatura

Quem lê os jornais de hoje tem a nítida sensação de que cabe ao presidente de um partido político ir a Roma, pedir a bênção do Papa, para almoçar com uma bancada estadual.

O partido em questão é o PSDB. O presidente é Aécio Neves. Os deputados estaduais são os de São Paulo, com quem Aécio deve estar almoçando, neste momento, em uma das ótimas cantinas da capital paulista.

Vejamos o que se lê nos dois maiores jornais daquele estado:

“A aliados Serra afirmou que o almoço de Aécio com a bancada em uma cantina na região dos Jardins é extemporâneo e representa um atropelo ao PSDB de São Paulo, uma tentativa de impor a candidatura do senador mineiro.” (Folha de S. Paulo)

“O ex-governador Alberto Goldman, serrista histórico, confirmou presença no almoço, apesar de se dizer contrariado com a iniciativa da bancada.” (Estadão)

Chega a ser cômica a polêmica por conta de um almoço. José Serra não ocupa qualquer cargo no PSDB – nacional ou estadual.  Por que deveria ser consultado? Nem mesmo uma liderança simbólica, que pudesse justificar uma consulta prévia sobre o encontro, Serra vem exercendo.

Ao contrário: uma vez que tem declarado aqui e ali que estuda a possibilidade de abandonar o PSDB, o próprio Serra se apresenta como um integrante duvidoso, com quem a legenda não sabe mais se pode ou não contar. Postura que, vamos combinar, justifica que ele fique afastado de qualquer decisão.

Mas é a mesma matéria da Folha de S. Paulo que explica a razão de tanta celeuma:  dos 21 parlamentares em exercício na Assembleia Legislativa de São Paulo, 14 são favoráveis à candidatura de Aécio. Apenas três pensam que Serra deveria ser o candidato do partido na corrida presidencial do próximo ano. 

Ou seja: bateu o desespero porque nem mesmo entre seus aliados estaduais Serra está conseguindo adesão.  Ou, como diria minha avó, o nível da água chegou àquela parte macia da anatomia.

E, no desespero, os poucos serristas que ainda restam partem para o ataque.  Recados aqui e ali, artigos sob encomenda, colunas de jornalistas usadas como mural de recados: é o vale tudo dos desesperados, tentando salvar uma possibilidade de candidatura que já virou pó.

Na própria matéria do Estadão de hoje, temos uma ameaça. Ao comentar a possibilidade de  realização de previas, o deputado estadual Orlando Morando observa que não realizá-las fará com que Serra atormente a campanha de Aécio em 2014:  "Aécio sabe que Serra pode ser uma pedra no caminho. O senador vai tomar estocada a campanha inteira".

Cada um esperneia como quer – ou como pode.  Mas o fato inegável é que esta campanha tacanha das últimas semanas tem feito Serra encolher. A cada dia que passa, ele parece menor. Agora faz picuinha até por conta de um simples almoço. Se continuar neste ritmo, em breve não sobrará mais nem a sombra do estadista que ele um dia foi. 

sábado, 24 de agosto de 2013

Tudo pelo poder: como a ambição de José Serra pode reeleger Dilma



Ele já perdeu duas eleições presidenciais e, nas últimas semanas, voltou a pressionar o PSDB e aliados para sair candidato a presidente mais uma vez.

Excelente administrador público, José Serra é um péssimo candidato: não tem carisma, não acata as recomendações dos profissionais de marketing que poderiam sanar esta deficiência e é um verdadeiro desastre na construção de alianças.

Depois de perder para Lula em 2002, para Dilma em 2010, e sofrer uma derrota humilhante contra Fernando Haddad no ano passado, Serra parecia conformado com o fato de que Aécio Neves seria o nome para 2014.

Mas bastou a popularidade de Dilma cair, no calor das manifestações de junho – mostrando que, talvez, existam chances de derrotá-la em 2014 - para Serra voltar a colocar sua ambição à frente dos interesses do partido e dos eleitores que querem ver o PT fora do poder. 

Na imprensa, nos bastidores, em telefonemas para antigos aliados – até mesmo para aqueles a quem já traiu – José Serra não tem feito outra coisa a não ser tumultuar o ambiente partidário para tentar impor ao PSDB seu sonho pessoal.  Obstinado e inflexível, tem semeado a discórdia e cultivado inimigos em um grupo que, tradicionalmente, já peca pela falta de união: a oposição nacional. O PT agradece.

Avesso à realização de prévias partidárias em 2009, ele agora se diz favorável a elas: quer enfrentar Aécio Neves numa disputa interna pela vaga à presidência.  E ameaça: ou o PSDB aceita afundar com ele numa terceira tentativa de ganhar a eleição presidencial, ou ele abandona o partido.

A resposta inteligente de Aécio Neves – que aceitou a hipótese de prévias, desde que realizadas depois de 05 de outubro, prazo máximo para que candidatos à eleição do próximo ano mudem de legenda – foi sentida por Serra como o nocaute de um novato contra um pugilista experiente.  Serra passou a exigir novas regras para a realização de prévias – aquelas previstas no estatuto do partido já não lhe servem.

Longe dos microfones e holofotes da imprensa, aliados de longa data não escondem sua perplexidade com a postura predatória demonstrada por José Serra .  Ele, que já era conhecido por sua inépcia nas relações interpessoais, subiu o tom – a ponto de perder, nos últimos dias, assessores que o acompanhavam há quase uma década.

Mais do que o drama pessoal de um homem que não se conforma com suas limitações, a trajetória percorrida por José Serra nas últimas semanas é o prelúdio de uma tragédia eleitoral. Não por acaso, apoios discretos a Serra têm vindo de dentro do Palácio do Planalto. Ali não há dúvidas: tudo o que José Serra tem feito por esses dias é pavimentar a reeleição de Dilma Rousseff. 

Leia também:

domingo, 18 de agosto de 2013

Um personagem: Paulo Pixulé

Vi o  Yashá Gallazzi esnobando nas tirinhas e resolvi brincar também.
Mas como sou amadora, melhor clicar na imagem ou não dá leitura.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O maior colégio eleitoral do Brasil é o Brasil

Davi e Golias: em eleição, tamanho não garante simpatia.


Raramente bairrismos e regionalismos são boas estratégias eleitorais. E o mais importante: nas raras situações em que funcionam é em associação com a estratégia do underdog: quando, no melhor estilo Davi e Golias, se consegue angariar simpatias justamente porque o candidato é um Davi – alguém vindo de um colégio eleitoral considerado menos importante, ou que, por razões diversas, tem menos chance de vencer.
 
Assim, o bairrismo/regionalismo eleitoral pode funcionar quando você declara, por exemplo, “chega de eleger governadores da capital; é hora do interior mostrar sua força”; ou quando diz “chega de eleger presidentes do sudeste, é hora de um represente do ... (insira aqui qualquer outra região do país)”.

Quando, porém, um Golias adota o discurso de que representa “o maior colégio eleitoral”, “a maior economia”, etc e tal, a coisa pode trabalhar mais contra do que a favor. Grandes cidades, grandes estados, grandes centros de um modo geral, costumam ser vistos como arrogantes pelos demais – sensação que um discurso sobre “grandezas” de qualquer espécie só reforça. E arrogância, amigos, nunca foi uma boa matéria prima em política.

Por isso, sempre que eu leio e ouço sobre São Paulo ser “o maior colégio eleitoral do Brasil” – e sobre o seu peso na decisão de pleitos presidenciais, eu fico pensando em como algumas pessoas não tem, realmente, qualquer noção sobre o que importa ou não em uma campanha eleitoral. Pior: não têm noção sobre como alguns discursos, aparentemente geniais, podem se revelar verdadeiros ovos de serpentes.

Ser o oriundo do maior colégio eleitoral do Brasil não garantiu a eleição do paulista Alckmin em 2006. Também não foi suficiente para garantir a vitória – ou impedir o massacre – do paulista José Serra na presidencial de 2010. Acho que isto dá bem a medida da importância da coisa para fins eleitorais.

É verdade que, se lembro bem, nenhum dos dois usou o tamanho do colégio eleitoral -  ou o poderio econômico de São Paulo -  em suas campanhas. Mas a militância, principalmente na internet, usava muito. E já vi, aqui e ali, que estão começando a usar novamente para discutir candidaturas e pré-candidaturas.

Meu conselho é: muita cautela antes de embarcar nesta disputa juvenil de “o meu colégio eleitoral é maior que o seu”. Em 2014 teremos alguns underdogs no páreo. Vocês podem tomar uma invertida. 

sábado, 10 de agosto de 2013

PMDB x PT: a guerra que esperávamos

Michel Temer, em foto de Helvio Romero
Era uma vez um partido menor, com um líder de passado nebuloso e verve fácil, que se amasiara com o PT no poder. Um dia, sem mais nem menos, em meio a uma questiúncula por cargos, José Dirceu resolveu torrar publicamente este partido.  O partido era o PTB, seu líder atendia pelo nome de Roberto Jefferson e o final desta história foi o mensalão.

Agora vocês podem imaginar o que virá pela frente com esta tentativa do PT de trazer à tona os segredos nada republicanos do PMDB, o maior e mais poderoso partido do Brasil?

Preparem a pipoca porque está em curso um verdadeiro apocalipse republicano. Não vai sobrar pedra sobre pedra. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Desenhando a questão "José Serra"

Perdão pela insistência com o tema. Mas é que eu vejo o pessoal vir aqui comentar que José Serra é "o melhor quadro do PSDB", que é "o mais preparado tecnicamente" e concluo que eu devo estar escrevendo em grego.  

Para ser bem clara, vou evitar entrar na discussão de o "melhor" e o "mais". Vou aceitar o critério de vocês para ir ao que, de fato, tenho dito nos últimos tempos: para fins eleitorais, isto tem efeito zero. Ser o mais preparado, ser o melhor quadro técnico de um partido, não é a mesma coisa que ser um bom candidato.  

Na situação oposta: alguém totalmente desprovido de condições para governar, mas que reúna características de um bom candidato, tem grandes chances de ganhar uma eleição. 

Não é possível que isto não tenha saltado aos olhos de vocês em 2010 e 2012. Em ambos os casos ficou evidente que, com o marketing certo, qualquer poste derrota José Serra. 

E como eu já sei quase todos os “ah, mas” que virão na área de comentários, vou encerrar este post antecipando alguns deles: 

“Ah, mas o Serra foi sabotado pelo próprio partido” – ok, assim como o Alckmin foi sabotado em 2006. Mas a questão óbvia é: foi sabotado porque não conseguiu promover a união em torno de seu nome. E a pergunta é: se não conseguiu isto em 2002 e 2010 por que devemos acreditar que conseguirá agora? 

“Ah, mas o marqueteiro do Serra é uma anta” – sim e não. Primeiramente: em 2002 o marqueteiro era Nizan Guanaes. Deus sabe que eu tenho minhas diferenças com o González – especialmente com relação à estética. Mas o maior problema ali sempre foi a relação entre ambos. Serra faz o que quer e González permite. Não há indícios de que tal coisa possa vir a mudar. Ao contrário: as informações de bastidores dão conta de que Serra está se assessorando com alguém que lhe é mais subordinado ainda. 

“Ah, mas o Lula conseguiu na quarta tentativa” - acontece que nunca faltou carisma a Lula. O que Lula fez, ao longo das quatro tentativas, foi afinar o discurso, lapidar a imagem e construir alianças que lhe permitissem chegar ao poder. Carisma (que nada tem a ver com caráter, pelo amor da santinha) é uma condição fundamental para alguém que quer se eleger presidente. Sem isso, nada feito. Carisma se inventa? Não. É uma matéria prima, mais ou menos abundante, que pode ser lapidada.  Serra além de não ter esta matéria prima em abundância, também não permite intervenções neste sentido. Lula permitiu, Dilma permitiu, Haddad permitiu. Todos eles se deram bem contra Serra. 

“Ah, mas Serra tem recall” – sim. Em Santa Catarina, Esperidião e Ângela Amin também têm recall. Compreensível, pois já governaram e, assim como Serra, já participaram de muitas eleições. Então, tanto faz qual seja o cargo em jogo, antes do início da campanha os Amin sempre aparecem bem cotados. Mas basta aparecerem na televisão para começarem a despencar – exatamente como acontece com Serra. Não sei o que aparece nas qualitativas do Serra. No caso dos Amin, a reação é típica de fadiga da imagem: “não dá mais” “estão velhos”, “já passou o tempo deles” são algumas das reações que se coleta. 

“Ah, mas mesmo indo para outro partido,mesmo sem chance de ganhar, Serra pode ajudar a levar a eleição para o segundo turno” – nossa, que grande estratégia. Dividindo os votos do PSDB, vão para o segundo turno Dilma e Marina Silva. Não é uma beleza de perspectiva? 

“Ah, mas o Serra tem direito de ir atrás de seu grande sonho”– bom, mas direito, por direito, temos eu, você e toda a torcida do Flamengo. O que não temos é chance de ganhar. Coisa que, já ficou evidente, o Serra também não tem. Se você acha que o sonho de um só homem justifica correr o risco de um segundo turno entre Dilma e Marina, vá fundo. Só não me convide para ir com você. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

De zero em zero, Serra nos levou à derrota.

Leio lá no blog do Camarotti que, a despeito dos altos índices de rejeição, José Serra está animado, achando que as candidaturas de Aécio Neves e  Eduardo campo “não empolgaram”.

Serra também teria dito que quanto maior o número de candidatos no primeiro turno, maior a chance de a oposição colocar um nome no segundo - momento em que, vejam bem, a disputa “ficará zerada”.

Ok, o conceito de que o segundo turno é uma nova eleição é mais velho que a minha bisavó. O problema é que quando o placar zera, Serra quebra a cara – e leva a gente com ele.

Em 2002, no final do primeiro turno, José Serra prometeu ao partido que agora tudo seria diferente porque a disputa com Lula estava zerada.  Então, ele dizia: “Agora é uma nova etapa. Começamos em uma segunda-feira. Serão três semanas para debater o Brasil e mostrar como os problemas podem ser resolvidos”. Vimos no que deu.  

Em outubro de 2009, quando Serra articulava - como agora - para levar a oposição, outra vez, à derrota, o recado veio em entrevista de seu marqueteiro, Luiz González, ao jornal Valor Econômico. Dizendo que eleição seria uma “guerra de biografias” (Serra x a desconhecida Dilma), González cravou sobre o segundo turno: “a possibilidade em que acredito: o PMDB não vai para ninguém. Aí zera e a eleição fica polarizada entre Serra e Dilma”. Vimos no que deu.

A imprensa, claro, está adorando a postura de Serra. Dá corda e espaço, estimulando sua vaidosa ambição. Menos porque acredite que ele tenha alguma chance em 2014 e mais porque ególatras fora da realidade costumam render boas pautas.

domingo, 28 de julho de 2013

Vadias, bandidas e inúteis

Ontem, no Rio de Janeiro, os participantes da Marcha das Vadias assistiram, bovinamente, enquanto integrantes do movimento introduziam em seus respectivos ânus e vaginas imagens sacras do catolicismo.

Embora a imprensa, por razões que eu desconheço, esteja dando mais destaque para o que aconteceu depois - as imagens foram quebradas após a “performance” – as cenas estão espalhadas pela internet. Clique aqui se quiser vê-las.

Vadias bandidas

Ao contrário do que defende o link acima indicado – que afirma que as cenas “assustaram os próprios manifestantes” – não houve um só incidente que indique tal coisa. Não se registrou qualquer reação contrária entre os manifestantes. As fotos, aliás, evidenciam aprovação dos que rodeavam o crime. Também não há notícias de que organização do evento – que agora diz que a performance não foi planejada por eles – tenha tentado impedir o ato. E quando ninguém faz nada para impedir algo assim, todos são cúmplices.

As cenas já seriam condenáveis somente pelo conteúdo sexual explícito no meio da rua. O que aconteceu ontem já é crime sem levar em conta qualquer questão religiosa.  Se considerarmos que houve vilipendio público de objeto religioso, outro crime. Tentativa de perturbar ou impedir cerimônia ou prática religiosa – outro crime. Notem que são crimes previstos no Código Penal.  E as fotos de pelo menos dois dos criminosos estão disponíveis aqui e aqui. A lei só não será cumprida se as autoridades não quiserem. 

Para além da questão jurídica e policial, fica a vergonha de ser brasileira num hora dessas. Porque nunca, em lugar algum do mundo, se viu tamanha falta de civilidade e selvageria. Isto em meio a um evento religioso internacional.

Vadias inúteis

Confesso que nunca dei a mínima para a tal Marcha das Vadias. Sempre me pareceu aquele tipo de evento festivo e inútil, meio carnavalesco, de gente que fica berrando por causas vazias.

Inútil porque o verdadeiro combate à violência feminina se dá na porta da delegacia, fazendo valer a Lei Maria da Penha, e criando meios de apoio para que as vítimas não retornem aos agressores – o que acontece em inúmeros casos.  Causas vazias porque liberdade para oferecer o buraco do corpo que se quiser, a quem se quiser, minha avó já tinha – e sem precisar ir para o meio de uma praça berrar sobre isso.

Igualdade e liberdade se conquista com trabalho – e com a decisão de viver dentro de um padrão que se possa bancar, sem depender financeiramente de ninguém. E isto é verdade para todos – homens e mulheres. Direito ao aborto se defende pleiteando legislação e votando em representantes que o façam. Respeito se conquista com postura: é só não se deixar desrespeitar -  e levar o caso à Justiça se a situação assim exigir.

Se as vadias ainda fossem para a praça berrar contra uma Rihanna quando ela volta a se envolver romanticamente com quem lhe encheu a cara de porrada, eu entenderia. O péssimo exemplo público ofende muito mais o gênero do que qualquer postura masculina. Outra boa causa seria combater aquela prostituição socialmente aceita nas capas de revistas, com moças jovens e belas, sem qualquer profissão definida, casando a cada seis meses com homens mais velhos e mais  feios, por interesse puramente financeiro. Este é o tipo de coisa retrógrada, que ofende mais o gênero do que qualquer instituição política ou religiosa.

Só que você jamais verá uma integrante da Marcha das Vadias berrando contra as rihannas, marias chuteiras e prostitutas das capas das revistas porque, no fundo, ir para a praça de seios à mostra, com palavrões pintados no corpo, é só um meio de tentar emplacar numa capa de revista – e, quem sabe, arrumar um velho rico que as sustente, ainda que lhes encha de porrada. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Marina Silva, dissimulação e petismo envergonhado

Não pode haver surpresa com o fato de que Marina Silva apareça, nas últimas pesquisas, como a grande beneficiária das manifestações nacionais que andaram pedindo o fim da política e dos políticos.

Sem cargo legislativo ou executivo desde 2009 – e sem partido até o início deste ano - a fundadora do PT, ex- vereadora, ex-deputada estadual, ex-senadora e ex-ministra do governo Lula vem alimentando, com sucesso, uma imagem de criatura pura, jamais maculada pelos trâmites tradicionais da política nacional.

Mas não é só dos desavisados que ignoram sua longa carreira política dentro de um sistema que hoje ela diz condenar, que o marketing de Marina Silva se beneficia. Ela também encanta porque se apresenta como ícone do petismo envergonhado – a turma que votou em Lula em 2002 e sentiu-se traída em meados de 2005, quando o mensalão veio à tona. Para estes, Marina coloca-se como representante máxima da decepção e revolta com um PT que "se desviou do bom caminho", adotando táticas que condenara até chegar ao poder
.
Seria lindo se não fosse uma mentira deslavada – do tipo que só está colando porque ninguém tem coragem de chamar Marina Silva pelo que ela realmente é: uma oportunista, com ares de santa e ambições comuns a qualquer outro político que caminhe sobre a face da terra. “Qualquer outro político” é, na verdade, uma injustiça. Marina pode ser comparada aos piores se considerarmos como ela manipula a opinião pública dizendo combater um sistema no qual tem se banqueteado há pelo menos três décadas.

Hoje Marina se diz chocada com o maior escândalo de corrupção que a república já viu: o mensalão petista. E, embora jamais o diga literalmente, sua postura sempre deixa subentendido nas entrelinhas que o mensalão foi o motivo pelo qual ela teria abandonado o PT.

Nada mais ilusório. Na verdade, depois que as denúncias do mensalão estouraram, Marina se manteve no PT por quatro longos anos. De 2005 a 2009 ela conviveu, ombro a ombro, com os colegas mensaleiros – governando, sem qualquer pudor, com eles e para Lula. Queixava-se, sim, da “generalização” com a qual o senso comum julgava todos os membros do partido pelos atos de uns poucos – discurso que, aliás, mantém até hoje. 

Se Marina saiu do PT em  2009 não foi por estar escandalizada com a falta de ética do partido – fosse isso, teria motivos de sobra para sair em já em 2005.  Marina só saiu do PT porque abandonara o governo Lula, um ano antes, derrotada numa disputa política– daquelas bem típicas da política que ela hoje diz renegar – com o então ministro de assuntos estratégicos de Lula, Roberto Mangabeira Unger.

Afastada do governo, Marina Silva foi viver da política tradicional que ela hoje condena: reassumiu sua vaga no Senado Federal, de onde saiu apenas para candidatar-se à presidência da república pelo Partido Verde.

Tendo conquistado quase 20 milhões de votos no pleito de 2010, ela se manteve no PV até meados de 2011, quando parece ter percebido que ali não haveria espaço para suas ambições pessoais. 

Dissimulada, em 07 de julho de 2011 Marina comunicou sua desfiliação do Partido Verde jurando, por todos os santos, que fazia tal coisa sem qualquer motivação eleitoral. Desde então tem trabalhado dia e noite para construir um partido que lhe permita candidatar-se novamente à presidência.

É por isso que sorrio constrangida sempre que alguém me diz que Marina Silva pode ser um “novo caminho” para a política nacional. Em primeiro lugar porque, como se viu, não há nada de novo em Marina Silva. Desde os tempos de Chico Mendes, tudo nela é dissimulação e vitimismo colocados a serviço do marketing eleitoral. 

Depois, porque é óbvio que Marina só pode convencer a dois tipos de eleitor: os jovenzinhos crédulos e os ex-petistas que se dizem envergonhados. Os primeiros serão ludibriados por sua falta de cultura política. Os segundos se deixarão iludir novamente porque, ao que parece, não resistem à lábia de um falso messias. 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Serra e o velho de Voltaire

"Não pode o homem ter mais que certo número de dentes, cabelos e ideias. Tempo vem em que inevitavelmente perde os dentes, os cabelos e as ideias". (Voltaire)

Na mais próspera e estável democracia da história moderna, quem perde uma eleição presidencial entende o recado: segue na vida partidária, como congressista, mas abre mão do sonho pessoal de residir no número 1600 da Pennsylvania Avenue.

Foi o que fizeram George McGovern, Walter Mondale e Michael Dukakis. Tradição também seguida por Bob Dole, Al Gore, John Kerry e John McCain. Espera-se o mesmo de Mitt Romney.

Para além da intenção genuína de querer ver o partido chegar ao poder – ou nele manter-se –, o sujeito entende o recado das urnas de primeira também - e, talvez, principalmente- para evitar um desgaste pessoal: não há espaço, na democracia americana, para presidenciáveis profissionais. Ross Perot, o milionário excêntrico que concorreu como independente, tornou-se motivo de piada entre os eleitores em 1996, quando insistiu – na primeira, em 1992, até respeitaram sua intenção.

Por aqui, não. Claro que não. Por aqui há uma espécie de caudilhismo eleitoral, com perdedores querendo eternizar-se na cédula para todo o sempre, na esperança de que, mesmo eles sendo os mesmos, o povo um dia mude de ideia. Não dá pra dizer que é uma jabuticaba – a coisa se repete em recantos latino-americanos. Mas aqui é moda desde os primórdios da República.

Ruy Barbosa insistiu em 1910 e 1919 – nunca levou.  O mesmo destino tiveram Eduardo Gomes e Ademar de Barros. Com o fim do regime militar, a lista de insistentes fracassados incluiu Leonel Brizola, Enéas Carneiro, Ciro Gomes e José Serra. Salvo engano, a tática de vencer o eleitor pela insistência só deu certo três vezes: com Prudente de Moraes, que tentou em 1891 e levou em 1894, Afonso Pena, que tentou em 1894 e levou em 1906, e com Lula – o único a tentar por quatro vezes.

Nos Estados Unidos da América espera-se que um político preparado a ponto de candidatar-se presidente, após ter sido rejeitado pelas urnas, use sua imensa capacidade a serviço do país – no partido, no Congresso, em alguma entidade ou instituto. O que não se aceita é que ele se torne um desocupado a perambular pela nação, tentando derrubar seus prováveis sucessores.  Eu diria que é o pragmatismo yankee estimulando a vergonha na cara.

Por aqui, não. Por aqui José Serra tenta forçar seu terceiro fracasso sem que ninguém – imprensa, partido, assessores ou pessoas próximas – consiga lhe convencer do ridículo da situação.  

Como o velho de Voltaire que abre este post, o que vemos agora é um José Serra sem cabelos, sem dentes e sem ideias, a se arrastar pelos corredores do poder, tentando convencer a si e aos tolos de que tem o carisma de um Lula -  e que vai emplacar na terceira vez. O partido que se dane. O país idem. 

terça-feira, 16 de julho de 2013

"Menos marketing, mais franqueza" e outras histórias da Carochinha

Na perspectiva do panorama visto de Brasília, a campanha eleitoral será totalmente diferente das dos últimos anos em que prevaleceu o marketing sobre o diálogo franco e maduro com a sociedade”.
(Dora Kramer, em sua coluna de hoje para o Estadão)

Há uma porção de erros nesta afirmação – que, se entendi direito, não é o que pensa Dora Kramer, e sim o que ela tem ouvido de seus interlocutores no Palácio do Planalto. Só me resta torcer para que os petistas estejam mesmo acreditando nesta bobagem de "menos marketing" - e que a oposição passe longe dela.

Em primeiro lugar a declaração acima evidencia a ilusão, bastante comum, de que o marketing político se opõe ao diálogo franco com a sociedade. Ora, queridos: sem marketing político a maioria da população nem sequer sabe que o diálogo está acontecendo. Sem marketing político, o tal diálogo franco com a sociedade é prazer reservado a poucos, nos debates que varam a madrugada, no Roda Viva e em outros recantos de baixíssima audiência.

Obviamente, nas entrelinhas desta declaração percebe-se, também, aquela gostosa demonização do marketing político – a quem o senso comum tupiniquim tem atribuído todas as mazelas políticas da nação. Já escrevi no passado sobre como o bom marketing - que é o de sucesso e, por isso mesmo, alvo constante de ressentimentos - não mente.  Cliquem aqui para reler.

Mas há mais: na revelação do petista à colunista está a certeza, agora evidenciada pelas ruas, de que as pessoas estão fartas dos políticos tradicionais, que querem algo diferente do que aí está. É esta certeza que, ao que tudo indica, está embalando a nova postura dos que habitam o Palácio do Planalto. 

A rejeição aos políticos tradicionais pode até ser novidade para alguns setores da política e da imprensa. Mas para o marketing político esta tendência mundial é tão velha quanto a primeira eleição de Obama - que tinha como principal característica, fartamente explorada por seus marqueteiros, um "jeito diferente de se comportar";  uma "postura independente" das tradições e círculos políticos consagrados do cenário americano.  

Em praias brasileiras, isto que hoje muitos acham que é novidade desembarcou em 2010. Foi a bordo desta estratégia  - da candidata “sem marketing”, “diferente”, que “não tem jeito de político convencional” - que Marina Silva alcançou quase 20 milhões de votos.  Por óbvio que, agora, quando as ruas escancararam aquilo que antes só os marqueteiros conseguiam enxergar, Marina vai seguir firme no mesmo discurso.

Raimundo Colombo é outro exemplo.  O catarinense – que em sua biografia diz não acreditar em marketing, mas contratou para si um dos melhores marqueteiros do país – tinha como principal característica a seu favor o fato de “ser diferente” e “não parecer um político como os outros”. Era isto que aparecia nas pesquisas qualitativas – e que alicerçou toda a sua vitoriosa jornada rumo ao governo do estado.

Daí se conclui aquele óbvio que a oposição deve levar em conta se quiser ter alguma chance: essa história de “menos marketing e mais qualquer-coisa-idealista-ou-romântica-que-você- quiser-inserir-neste-trecho nada mais é do que o bom e velho marketing político. Na veia. E da melhor qualidade.