terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Imbatível

Sim, ele ainda quer negociar - e sempre dá um jeito de poupar Lula.

Mas quando se trata de jogar a betti no ventilador, Roberto Jefferson é show garantido.

Reparem na riqueza das expressões e no uso primoroso da voz - especialmente no ponto "gente importante".

Não sei se, algum dia, o Brasil voltará a viver sob tamanho lamaçal. Mas de uma coisa estou certa: vai ser jogo duro encontrar um político performático como Jefferson.






http://www.canal100.com.br/vin_02.mpg



Fonte:este vídeo foi gentilmente pirateado do UOL Notícias

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Trash classe C

Parece que Serra mandou um recado a Lula:

- Mostre os seus que eu mostro os meus.

Falava, o governador de São Paulo, de revelar os gastos do governo com ele e sua família - desde que Lula faça o mesmo, claro.

Como eu disse há três dias, ao prever um troca-troca assim no horizonte próximo, esta é a mesma proposta que ACM fez para Paulo Okamotto: "você mostra a sua que eu mostro a minha" - movimentação bancária, pessoal; deixem de ser maliciosos.

Okamotto não topou - e ACM sabia que seria assim. Exatamente como Serra, que sabe que Lula não vai topar.

O show não pode parar, diziam os antigos. Mas que showzinho de quinta estão a nos oferecer.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Queiram desculpar a impaciência... Mas é muita falta de informação!

"Os petistas e tucanos de internet, essas novas categorias do cenário político, irresponsáveis e agressivas, ficariam surpresíssimos se ouvissem a troca de elogios que Serra e ilustres lulistas trocam fora dos holofotes".

(Eliane Cantanhêde, na Folha de S. Paulo de hoje)

Me parece que os tucanos e petistas de imprensa, estas velhas categorias do cenário político, tão dissimuladas e viciadas, conhecem nada de internet. Caso contrário, saberiam que a troca de elogios entre Serra e ilustres lulistas não surpreende a ninguém - e faz tempo.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

De CPIs e silêncios

Por mim, as contas dos cartões corporativos do governo Fernando Henrique, tanto quanto as contas dos cartões corporativos do governo Lula, devem ser devassadas. Idem para as contas dos cartões corporativos do governo de São Paulo - por que não as de todos os governos estaduais?

O único problema deste tipo de proposta - "você mostra as suas que eu mostro as minhas" - é que acaba ninguém mostrando coisa alguma. Os podres de todos viram moeda de troca e fica por isso mesmo. Foi assim na CPI das ONGs - quando, para evitar uma investigação do Comunidade Solidária de dona Ruth Cardoso, a oposição aceitou poupar a Rede 13 de dona Lurian Cordeiro Lula da Silva Sato.

Talvez por isso, os últimos dias me fizeram recordar aquela ocasião em que, para tentar convencer Paulo Okamotto a abrir seu sigilo bancário e telefônico, o falecido Antônio Carlos Magalhães ofereceu abrir o seu. O "mostra-mostra", é claro, não emplacou. Ficou apenas a sensação de que Okamotto tem razões muito fortes para querer manter em segredo suas movimentações bancárias - que petista perderia a chance de quebrar o sigilo de ACM?

É sabido que o governo tem uma excelente tropa de choque - sempre escalada para momentos críticos. Por isso, não basta instalar CPIs. É preciso formá-las com oposicionistas que não se disponham a negociar o silêncio. Coisa rara por esses dias.

Ps: peço perdão pelos longos períodos de ausência. Mas como a casa está cheia de visitas e este cidadão está prestando grandes serviços à nação, achei por bem liberá-o de afazeres outros e assumir o entretenimento da turma sozinha - não reclamo; como ele fica em casa, assume o fogão. Acho que vou neste ritmo - devagar quase parando - até semana que vem.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Tô nem aí

popgay2008.jpg

Segurança pra quê? Lurian, ao centro, como jurada do Pop Gay 2008.

O concurso reuniu cerca de 50 mil pessoas no centro de Florianópolis.

Foto: Alexandra Zanela/ Clic RBS

Da coluna Informe Político, no Diário Catarinense de hoje:

"A primeira filha, Lurian Cordeiro Lula da Silva Sato, não parece ter se incomodado com a questão do cartão corporativo e com os gastos assinados pelo servidor João RobertoFernandes Júnior, do GSI, para a segurança dela e da família. Divertía-se, na noite de segunda-feira, como jurada do Pop Gay, em Florianópolis".

Que coisa mais esquisita. Eu pensei ter lido que a divulgação das depesas do cartão corporativo colocava em risco a segurança de Lurian. Pelo visto, ela não pensa assim.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

E desde quando crime tem cor?

"A saída da ministra é uma vitória das pessoas que não concordaram com a criação da própria secretaria. É uma vitória das pessoas contrárias às políticas de ações afirmativas para a população negra".

A pérola acima foi expelida por Kabengele Munanga, professor de antropologia e diretor de estudos africanos da USP. Veio junto com outras, publicadas em matéria da Folha de S. Paulo de hoje, sobre a queda da ministra Matilde Ribeiro.


Além de Munanga, foram ouvidos Edgard Moura Amaral, secretário nacional de formação dos agentes pastorais negros, e Nelson Inocêncio, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da UnB. Para eles Matilde Ribeiro foi vítima de uma campanha promovida por um segmento social que é contrário a ações anti-racistas, ou seja: que é racista.

Ora senhores doutores... Tomem vergonha nessas vossas caras. A ministra Matilde se viu obrigada a pedir demissão porque, ao que tudo indica, fez mau uso do cartão corporativo que o governo lhe confiou - principalmente porque não teve como explicar-se aos seus superiores e à sociedade.

Prestem atenção, senhores: até onde eu sei, a lei neste país é para todos - brancos, amarelos, vermelhos, pardos e, vejam só!, para negros também. Matilde Ribeiro não é pior nem melhor do que os sete ministros de Lula que caíram antes dela - que, por sinal, formavam um arco-íris étnico. E nada, absolutamente nada, pode ser mais abjeto do que os senhores vindo a público para sugerir que a sociedade, a fim de evitar ser rotulada de "racista", faça vistas grossas para as infrações cometidas por autoridades negras.

Um registro

O Coturno Noturno publicou em 31 de janeiro:


"Os gastos com cartões corporativos do Gabinete do Presidente em Santa Catarina"

Foi o primeiro post de uma série, publicada nos últimos quatro dias, sobre o mesmo tema: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Hoje, você pode ler na capa da Folha de S. Paulo:

" Segurança da filha de Lula paga R$ 55 mil com cartão oficial."

É maravilhoso que a grande mídia esteja atenta para as denúncias feitas em blogs independentes - conferindo e aprofundando, com o profissionalismo de sempre, as informações levantadas por eles.

Mas não custava nada, vez por outra, fazer uma citaçãozinha. Ou, quem sabe, a fim de não privilegiar um único blog, fazer uma matéria tipo "Cidadania na web: blogs políticos fiscalizam contas públicas".

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Três perguntas e um depoimento

1) Delúbio Soares viajou com Marcos Valério para o exterior?

2) Delúbio Soares encontrou-se com autoridades chinesas?

3) Delúbio Soares freqüentava a Granja do Torto entre 2003 e 2005?

Estas são as três perguntas que Marcelo Leonardo, advogado de Marcos Valério, fez questão de registrar ao final do depoimento de Delúbio na semana passada - e que Delúbio negou-se a responder. Parece que as três perguntinhas - consideradas ameaçadoras por quem acompanha o processo de perto - estão causando choro e ranger de dentes entre os envolvidos.

Se as questões em tela desagradam aos petistas, mãos à obra: vamos ver se estes temas foram ventilados ao longo dos depoimentos prestados anteriormente pelos envolvidos.

Comecemos com o depoimento do próprio Delúbio Soares à CPMI dos Correios, em 20 de julho de 2005. Há coisas interessantes ali:

(...)

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – O senhor esteve em Taiwan um ano atrás?

O SR. DELÚBIO SOARES – Nunca, Deputado.

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Há dois anos?

O SR. DELÚBIO SOARES – Após o depoimento da pessoa que acusa de Taiwan, cuja denúncia ouvi nos jornais, após esse procedimento, vou tomar minhas medidas jurídicas. Ela disse que vai confirmar hoje...

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – A mulher do Valdemar Costa Neto disse que o senhor esteve em Taiwan. Enfim, que o senhor recebeu dinheiro de Taiwan.

O SR. DELÚBIO SOARES – Nunca estive em Taiwan, nunca recebi ninguém de Taiwan, não sei onde... Sei onde fica, porque acabei de ir à China no ano passado. Sei que fica em frente. Fui à China, mas não a Taiwan.

O SR. POMPEO DE MATTOS (PDT – RS) – Que é do ladinho ali.

(...)

O SR. EFRAIM MORAIS (PFL – PB) – O Sr. Presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou, na entrevista que deu ao Fantástico, em Paris – o senhor vai dizer que mantém a resposta anterior, que já perguntaram isso, mas eu vou fazer esta pergunta –, que, há três anos, não acompanha mais a direção do PT, não sabe mais o que acontece no PT. Sua Excelência disse que não participa mais das reuniões do Diretório Nacional, nem nas festas, nem nas festas do Torto, nem nas festas do Partido, em função de ter assumido a Presidência da República.

Eu lhe pergunto: a recíproca é verdadeira?

O SR. DELÚBIO SOARES – Eu me resguardo o direito de não responder a essa questão.

O SR. EFRAIM MORAIS (PFL – PB) – Essa ninguém tinha feito a V. Sª. Ou seja, o Presidente Lula se afasta da direção do PT e não freqüenta mais as reuniões da cúpula do Partido. Mas a cúpula do Partido freqüentava o Palácio do Planalto? O senhor foi alguma vez ao Palácio do Planalto?

O SR. DELÚBIO SOARES – Já. Respondi essa questão anteriormente.

O SR. EFRAIM MORAIS (PFL – PB) – Uma vez?

O SR. DELÚBIO SOARES – Várias vezes. Já respondi essa questão.

(...)

O SR. ALBERTO GOLDMAN (PSDB – SP) – Após a eleição, o senhor teve contatos políticos, conversas políticas com o Presidente Lula, após a eleição dele?

O SR. DELÚBIO SOARES – Tive vários encontros com o Presidente Lula, conforme já noticiei e já expliquei a esta CPI.

Pois bem... Os dois últimos trechos parecem responder parcialmente a terceira pergunta registrada por Marcelo Leonardo. Faltaria decobrir se algum destes contatos admitidos por Delúbio ocorreram na Granja do Torto. Como descobrir tal coisa sem contar com Delúbio - já que ele não vai mesmo falar? Não sei. mas valeria a pena soltar os farejadores em cima da coisa.


Mais interessante é o primeiro trecho. Não lhes parece que ele estaria relacionado às duas primeiras perguntas formuladas pelo advogado de Valério? Isto posto, não seria interessante averiguar a data desta viagem de Delúbio à China - e, caso isto ainda não tenha sido feito, descobrir onde estava Marcos Valério naquela ocasião? Seria coisinha fácil de resolver. Ainda que Valério e Delúbio tenham, providencialmente, emitido o novo modelo de passaporte, a PF teria, necessariamente, recolhido os antigos. Onde estarão os passaportes verdinhos de Marcos Valério e Delúbio Soares?

Coronel e os cartões

Nem vou perder meu tempo falando da coisa... O Coronel se tornou a principal referência para o tema cartões corporativos. O Coturno tem antecipado a maioria das denúncias que a imprensa apresentou nos últimos dias.

Primeiro foi a Matilde. Depois, os funcionários da presidência em Florianópolis. Agora é a Comandante da Marinha, Ana Paula Rosner.

Não tem pra ninguém. Para cada cabeça que rola, uma marquinha na coronha da 12.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Um compadre no túnel do tempo... Ou de como vão-se os anéis e ficam os dedos.

Do Estadão de hoje:

"O PT e o empresário Mauro Dutra, dono da empresa de informática Novadata e amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estão entre os alvos da segunda etapa do inquérito da Polícia Federal que investiga corrupção nos Correios. Entregue ao Ministério Público para oferecimento de denúncia, o relatório final do inquérito indicia oito pessoas por corrupção e formação de quadrilha e pede a abertura de dez novas linhas de investigação contra outros suspeitos. A PF ainda não tem 'prova cabal' do envolvimento de Dutra nas irregularidades nos Correios, conforme destaca no relatório o delegado Daniel França, encarregado do inquérito. Mas seu nome está entre os novos alvos em razão de indícios de que teria feito “acertos com servidores de pelo menos duas áreas” da estatal para vencer licitação. Consta ainda no documento que o empresário teria usado seu prestígio para obter reajuste de R$ 5,5 milhões no valor de outro contrato, de junho de 2002, para serviços na área de informática, cujo montante original era de R$ 98 milhões."

Deste blog, em 19 de dezembro último:

"Oportuno lembrar que o requerimento número 094/07, que convoca Mauro Dutra a depor, é um dos que estão inviabilizando a CPI das ONGs - que, por falta de acordo entre oposição e situação, está parada desde 27 de novembro. A tropa de choque governista quer ver o amigo de Lula longe dos microfones.

Está conseguindo." Na íntegra.

Deste blog, em 25 de novembro último:

"Na reunião de terça-feira, os senadores peemedebistas Valdir Raupp e Leomar Quintanilha deram o ar da graça pela primeira vez desde que a CPI das ONGs foi criada. O motivo da visita: derrubar os requerimentos de convocação ou quebra de sigilo de dirigentes de ONGs ligadas ao governo - tarefa para a qual contaram com o "apoio moral" do senador Almeida Lima, que não pertence àquela CPI mas foi acompanhar a coisa de perto. Dentre os requerimentos que a tropa de choque governista pretendia barrar, estavam o de número 094/07, que convoca a depor Mauro Farias Dutra - responsavel pela ONG Ágora e amigo do presidente Lula - e o de número 115/07, que convoca o aloprado Jorge Lorenzetti - churrasqueiro presidencial e fundador da ONG Unitrabalho. Também havia pedidos de quebra de sigilo fiscal, telefônico e bancário da Ágora." Na íntegra.

Da Folha Online, em 18 de outubro de 2005:

"Deputados e senadores do PFL e PSDB insistiam desde o início da CPI dos Correios para convocar o compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o dono da empresa Novadata, Mauro Dutra, para prestar depoimento. Desconfiavam que a amizade com o presidente facilitou a situação da empresa nas licitações com órgãos públicos, inclusive com os Correios. Governistas resistiam em votar o requerimento. Consideravam que a oposição tentava atingir o presidente Lula com a convocação do empresário.

Dutra compareceu à subrelatoria de Contratos da CPI nesta terça-feira, mas nenhum deputado ou senador do PFL ou PSDB esteve no plenário para questionar Mauro Dutra". Na íntegra.