sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

Carta ao arqueólogo do futuro.

Suposto e desconhecido arqueólogo,

Antes de mais nada , há uma primeira coisa que você deve saber sobre nós: no alvorecer do século XXI, tornou-se moda escrever para você.

Além de explicar o volume monstruoso de cartas e bilhetinhos que você tem encontrado junto aos escombros do que já fomos, esta estranha mania fornece algumas evidências a respeito da nossa civilização.

Denuncia, por exemplo, a nossa arrogância em pensar que seremos importantes o suficiente para que você procure desvendar o nosso passado. Mas demonstra, igualmente, a nossa crença na temporalidade de todas as coisas: ao que tudo indica, acreditamos que uma catástrofe terrível irá eliminar todo e qualquer registro de nossa cultura - de modo que você precisará de uma cartinha para entendê-la. A própria cartinha é, por outro lado, um testemunho de nossa credulidade: mesmo quando todos os bancos de dados forem consumidos pela tal catástrofe, a singela missiva sobreviverá.

Traçadas as linhas fundamentais que nos definem - a saber: arrogância, pessimismo e credulidade - resta lhe recomendar que rasgue toda e qualquer carta endereçada a você.

Em primeiríssimo lugar porque, longe de lhe fornecer informações corretas, elas pretendem divulgar um juízo de valor sobre a nossa civilização. De fato, não passam de um discurso construído demais, ideológico demais para servir-lhe de rumo.

Se quiser realmente saber quem fomos em toda a nossa complexidade, sugiro que você concentre todos os esforços para encontrar um exemplar de uma obra que fez muito sucesso entre nós. Presente em quase todas as residências, ela poderá lhe fornecer uma síntese segura e desinteressada a respeito do século XXI. Chama-se, "Guia de Programação da TV".

Estou certa de que, cedo ou tarde, você vai acabar se deparando com um.

domingo, 28 de novembro de 2004

Homos Esquerdus

Além da já conhecida lentidão evolucional, a espécie acima citada parece não sofrer grandes alterações relacionadas à mudanças de habitat.

Pois agora é a imprensa espanhola que está ameaçada de cerceamento a partir de uma suposta regulamentação profissional: a Izquierda Unida, com o apoio do PSOE, quer criar o Estatuto do Periodista Profesional.

Maiores detalhes podem ser obtidos no blog do meu amigo Carmelo Jordá.

As dúvidas do Blix.

Se eu fosse ex-chefe dos inspetores de armamentos da ONU no Iraque - e se tivesse batido pé, às vésperas da guerra, defendendo a não existência de armas químicas naquele país - certamente que colocaria em dúvida a descoberta do laboratório em Fallujah.

Pois é esta a postura de Hans Blix, ao se pronunciar sobre o caso em uma palestra na Universidade de Oxford.: "Vejamos o que foi encontrado lá", disse ele antes de afirmar que as conclusões eram precipitadas.

Ora bolas, Blix....encontraram matéria-prima para a fabricação de explosivos e toxinas, além de manuais explicando como fabricar explosivos e substâncias tóxicas, incluindo o antraz.

A única coisa que não encontraram foi a sua vergonha na cara...Esta ninguém mais sabe onde procurar.

Estamos de volta

Agora à bordo de uma máquina mais rápida - e do polêmico windows XP.

Agraceço as manifestações de solidariedade e comunico que a coisa vai ser retomada lentamente. Um dia antes de instalarem o micro novo, consegui uma fratura no pulso. Dá pra teclar...mas lentamente e sem abuso. Some-se a isso o trabalho que andava acumulando...e vocês podem imaginar o resto.

segunda-feira, 8 de novembro de 2004

Obituario

Comunicamos o falecimento do micro-computador desta que vos escreve (sem acentos ou cedilhas, posto que se encontra em teclado alheio e inospito). Ainda recuperando-se do choque, a Nariz Gelado Corporation comunica que voltara as atividades tao logo seja possivel.

Ate la contamos com a compreensao de todos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2004

Medo?

A aparição de Bin Laden nos dias que antecederam à eleição está servindo de estímulo para que alguns transfiram a lógica brasileira para o cenário americano: "O medo venceu a esperança", dizem eles.

Sinto muito pessoas... o medo venceu na Espanha. Nos EUA venceu a autonomia ou , como querem os progressistas, a "auto-determinação dos povos".

quarta-feira, 3 de novembro de 2004

Elefante na Cabeça.

Tudo o que eu poderia dizer hoje, eu já havia dito naquele post de 05 de setembro.

Bush ganhou porque pautou seu discurso nos mitos fundacionais da nação: liberdade, democracia, divina providência e heroísmo. Eis do que são feitos os americanos.

terça-feira, 2 de novembro de 2004

Bom Dia

À despeito do alardeado empate técnico, todas as pesquisas realizadas nos últimos cinco meses sempre apresentaram - com maior ou menor diferença - Bush na frente. Empate técnico sim, mas nem uma única vez com Kerry à frente. O que significa que o dia de hoje será excelente.

O poder atômico do Brasil II

O brasileirinho médio acusa a Casa Branca de ser pouco diplomática. Mas não entende que esclarecer a questão atômica brasileira é estratégia diplomática fundamental para apertar o Irã.

O poder atômico do Brasil I

É natural que os americanos se preocupem com as atividades atômicas de um país cujo governo vive declarando amor à Cuba.

domingo, 31 de outubro de 2004

Cartão Vermelho

Nos próximos dias, assistiremos àquele já familiar coro orquestrado entre o PT e a imprensa.

Desta vez, o esforço será no sentido de mostrar que a perda de prefeituras importantes - como a de São Paulo e a de Porto Alegre - não sinaliza uma rejeição ao governo federal.

Fiquem certos de que foi exatamente isso, amigos. De fato, o PT injetou, nos últimos dois anos, uma enorme quantia de dinheiro em São Paulo - o maior colégio eleitoral do país. Se nem com todo este esforço foi possível garantir a vitória, já podemos vislumbrar as imensas dificuldades que se apresentarão para a almejada reeleição em 2006.

De minha parte, estou orgulhosa de meus conterrâneos gaúchos. Fica, agora, definitivamente garantido aquilo que já fora parcialmente conquistado com a eleição do governador Germano Rigotto: bandeiras de Cuba e do MST não serão mais vistas nas fachadas dos prédios governamentais do meu Rio Grande.