
O dinheiro apreendido com os aloprados petistas em 2006.
Antes de mais nada, eu acho que a matéria da Veja é mais uma daquelas que vão causar barulho somente entre nós. Na urna, o impacto será insignificante. E digo isso porque a denúncia carece daquilo que o caso José Roberto Arruda oferece em abundância: um vídeo didático, sob medida para analfabetos funcionais, que mostre a bandidagem metendo a mão no dinheiro. Sem isso, queridos, não tem jogo - pelo menos, não um jogo que faça a urna pender para o nosso lado.
Não me interpretem mal: não estou criticando a Veja. A revista trabalha com o que tem. Não pode sair inventando provas. Só estou dizendo que as evidências apresentadas são do mesmo tipo que a Veja tantas vezes publicou no passado: coisa para quem lê e entende o que lê. E depois, mesmo que seja bem explorado por uma publicidade inteligente, o episódio ainda enfrentaria a barreira dos valores - o pessoal do Bolsa Família, já disse várias vezes, tá nem aí para a corrupção.
Então, prefiro comemorar uma pequena vitória: o fato de que aquela pergunta, tantas vezes repetida ao longo de 2006, finalmente foi respondida. A origem dos R$ 1,7 milhão com os quais os aloprados petistas pretendiam comprar um dossiê contra José Serra parece, agora, bem clara:
"VEJA obteve imagens de cheques que mostram a suspeitíssima movimentação bancária da Bancoop. O primeiro, no valor de 50 000 reais, além de exibir a palavra “saque” no verso, traz o código SQ21, que tem o mesmo significado (saque) e se repete na maioria dos cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma. O segundo destina-se à empresa Caso Sistemas de Segurança, do “aloprado” Freud Godoy, e pertence a uma série que até agora já soma 1,5 milhão de reais."