domingo, 8 de julho de 2007

A crise e o caráter...

A edição de hoje do Diário Catarinense traz entrevistas com o senador Jefferson Péres e o ex-senador Jorge Bornhausen. A pauta, logicamente, girou em torno da crise Renan Calheiros. E, coisa interessante, fez emergir opiniões muito parecidas a respeito do presidente do senado.

"Ele é um político atuante e sempre teve um trânsito muito bom entre todos os partidos. É uma pessoa afável. Votei nele para a presidência. Não tem inimigos no Senado. Eu lamentei o que ocorreu. Se ele tivesse pedido uma licença da Casa e se tivesse feito uma composição do Conselho de Ética mais respeitável, acho que ele já teria se livrado disso. Esse desgaste do Legislativo não é de hoje. Aqui se acentuou no episódio valerioduto, mensalão e seguido da absolvição por decisão da Câmara ou pela renúncia para fugir à punição."

(Jefferson Péres)

"Quando surgiram as manifestações contra o presidente, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ele se mostrou muito confiante. Tinha vindo de uma reeleição para presidente da Casa, onde fez 51 votos. É um homem muito educado e estimado, e com a sua palavra o seu assunto estaria resolvido. Mas apresentou uma defesa, na minha opinião, inconsistente, e aí começaram a surgir as reações. A princípio individualmente, de senadores que se posicionaram de maneira forte. Depois o DEM tomou uma posição conjunta, e as coisas foram sendo sacudidas. O procedimento do presidente do Senado foi equivocado. Não poderia fazer sua defesa de modo imperial, sentado na cadeira de presidente do Senado. O senador não tem direito a ser imune, e sua vida é pública. Era necessário seu afastamento da presidência. Os senadores que deram cobertura àquela situação, eu lamento. Agiram corporativamente, ou em nome do governo. Afinal, ele é um dos integrantes do governo."

(Jorge Bornhausen)

Inegável que, por terem convivido com Renan Calheiros, tanto Bornhausen quanto Péres estão mais qualificados do que eu para emitir qualquer opinião a respeito da sua personalidade. Mas é inegável também que o homem que tem se apresentado à opinião pública nos últimos trinta dias nada tem de afável ou educado. Ao contrário: indelicado com a filha e a ex-amante, agressivo com a imprensa, debochado com a opinião pública e arrogante com seus pares, o Renan Calheiros que temos visto ultimamente é condenável sob todos os aspectos.

Logo, o desafio seria descobrir qual das duas versões está mais próxima da realidade - o Renan afável e educado, assim reconhecido por senadores que conviveram com ele, ou este Renan dos últimos trinta dias. Na dúvida, prefiro ficar com a sabedoria popular: é nos momentos de crise que mostramos nossa verdadeira natureza.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Goodfellas, good feeling

Ontem, na lista de discussão do Apostos - sim, nós temos uma listinha para ficar maquinando contra vocês, leitores - o Negão sugeriu que o Brasil está povoado por zumbis políticos, que assistem passivos, sem dar um "ai", a este show de bandalheira explícita.

Pois agora o Renan me saiu com essa: " Se eu deixar a presidência, serei um senador zumbi, um morto-vivo. Não farei isso.”

Não, eu não acho que o Renan ande bisbilhotando a nossa intimidade. Criatura em desesperada mutação, ele apenas abandonou as fracassadas desculpas pseudo-kafkianas e pseudo-freudianas por algo mais de acordo com as suas qualidades. Agora vai de filme trash mesmo.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Inseticida, água e desinfetante...

Ninguém discute que o Congresso Nacional precisa de uma faxina - e tenho apontado para isto com alguma insistência nos últimos quatro anos. Mas também tenho insistido que ninguém, ao ver imunda a sua casa, pensa em abandoná-la para ir atrás de outra.

Que o leitor fique com o pé atrás sempre que se deparar com um discurso que começa a crescer de forma perigosa e que pode se resumir na indagação "Congresso pra quê?". Que observe quem emite este tipo de discurso - e qual papel desempenhou para que as coisas chegassem onde estão.

Sendo mais clara: os que começam, hoje, mesmo que de forma subliminar, a emitir este discurso da inutilidade do Congresso Nacional são os mesmos que implantaram um sistema de compra e venda de deputados, consagrado como "mensalão". São os mesmo que tinham, até ontem, o "senador- boiadeiro" como aliado - e que patrocinaram não só a sua reeleição à presidência do Senado como, também, as maracutaias ocorridas na Comissão de Ética daquela casa nas últimas semanas. Que a imprensa - a séria - fique muito atenta para isso.

A casa, queridos, é bonita e, uma vez limpa e detetizada, passará a cumprir o seu verdadeiro papel - que, definitivamente, não é o de garantir imunidade parlamentar a quadrilheiros ameaçados pela justiça mas, sim, o de representar a vontade soberana do povo.

Lutamos para ter um Congresso Nacional. É preciso expulsar ratos e baratas. É preciso lavar a podridão ali estabelecida. Abandoná-lo, porém, está fora de questão.

Tá difícil

Dá para comemorar a renúncia do Roriz quando, no lugar dele, assume um Gim Argelo - ou quando o próprio Roriz pode voltar a se candidatar em 2010?

quarta-feira, 4 de julho de 2007

O bolivarianismo de Lula: como o PT pretende fazer da Rede Globo a sua RCTV

Atendendo ao pedido do próprio Reinaldo Azevedo, convido os leitores a irem até lá para ler o artigo cujo título reproduzi acima.

Chamo a atenção para a sua importância e reforço o pedido do Reinaldo para que o artigo seja divulgado de todas as formas possíveis.

É pra valer, senhores?

Ontem à noite, prometi que daria aos senhores senadores uma dica sobre como incentivar Renan Calheiros a se afastar da cadeira de presidente do Senado - de onde lhes dirige olhares arrogantes, quanto afirma e reafirma que dali ninguém lhe tira.

Longe de mim querer entender mais do Senado do que suas excelências. Ocorre que, ao que tudo indica, os costumes pomposos daquela casa acabaram por fazer com que nossos senadores esquecessem uma receita muito simples da vida política: a mobilização franca - como devem ser todos os atos de protesto que queiram, de fato, atingir algum objetivo.

Portanto, senhores, se todos aqueles discursos e apartes, proferidos ontem , são algo mais do que apenas jogo de cena, façam como faz qualquer cidadão comum: mobilizem-se e boicotem as sessões do Senado. Não, eu não estou falando de trancar a pauta. Estou falando de não comparecimento mesmo. Estou falando de esvaziar as sessões, negando-se a delas participar, até que o vosso presidente se afaste do cargo.

Estejam certos de que este ato, que pode até lhes parecer radical ou primário, receberia apoio da opinião pública. Quando nada, porque deixaria claro que os senhores estão, de fato, interessados em resgatar a imagem do Senado Federal. Porque, sinceramente, aqueles discursos de ontem, proferidos com visível receio - sabe-se lá de quê - , não convenceram.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Olhando de cima

Desde às 16 horas, vários senadores estão se manifestando em plenário pelo afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado.


Arthur Virgílio, falando em nome do PSDB, puxou a frente. Depois foi a vez de Tasso Jereissati - que, neste momento, continua na tribuna, concedendo aparte a José Agripino. Também já se manifestaram pela renuncia os senadores Cristovam Buarque e Pedro Simon.

Quanto a Renan... Bem... Ele assiste a tudo com uma postura inacreditavelmente de arrogante e desafiadora: queixo elevado, meio sorriso, olha os colegas de cima - assim que surgir uma boa foto ilustrando a coisa, eu posto.

Parece estar funcionando: os senadores parecem todos bastante intimidados. Embora se manifestem pelo afastamento, o fazem com muita delicadeza, como se pedissem desculpas.

Ora, bolas, senadores... Se os senhores estão realmente interessados em estimular Renan Calheiros a largar o osso, devo dizer que há uma forma muito fácil para atingir tal objetivo - uma que lhes garantirá o total apoio da opinião pública. Mais tarde, quando a sessão de hoje estiver encerrada, eu lhes darei a dica.

Disque, monstro: 0800 61 22 11

O telefone acima é da Central de Relacionamento com o Cidadão", do Senado Federal.

Foi divulgado hoje cedo pela CBN e está, desde então, congestionado - como congestionadas também estão as caixas postais dos senadores.

Pois continuem escrevendo e ligando para lá.


No momento, esta é a forma mais rápida e eficiente de mostrarmos a nossa indignação com a safadeza de Leomar Quintanilha - que, ontem, sem consultar ninguém, devolveu a representação do PSOL contra Renan Calheiros à Mesa Diretora do Senado.

E pouco importa se o seu e-mail será lido ou se a sua ligação será atendida. Quem acompanha a atividade dos senadores em plenário sabe que eles são mais sensíveis aos números do que à palavras em si. Congestionar as vias de comunicação do Senado é, portanto, a melhor forma de avisá-los que a audácia e o deboche de Renan Calheiros e Joaquim Roriz acabaram por despertar o monstro.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Nadando na Lama?

Este é o Parque Aquático Maria Lenk, que custou R$ 74,8 milhões aos cofres públicos e será sede das competições de natação, nado sincronizado e saltos ornamentais dos Jogos Panamericanos Rio 2007.

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O Parque Aquático Maria Lenk: inexplicáveis R$ 74,8 milhões.


A previsão inicial de custo para o Maria Lenk era maior: R$ 206 milhões. O motivo da fabulosa economia é inusitado: por problemas na Justiça e escassez de tempo, o projeto "não pôde ser executado da maneira como foi planejado".

Agora, abaixo, você vê o parque aquático da Unisul, uma universidade catarinense, inaugurado há poucos dias, durante os JUBS, Jogos Universitários do Brasil.

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O Parque Aquático da Unisul: qualidade reconhecida, com uma

verba dez vezes menor.

A obra impressiona:um edifício com 12.225m2, construído em uma estrutura mista de concreto armado e estrutura metálica. Lá dentro, piscina olímpica térmica, piscinas de aquecimento, plataformas de salto, vestiários, salas de fisioterapia, trampolins, enfim, tudo o que é necessário para realizar todas as provas olímpicas de natação.

Para que não sobrem dúvidas sobre a qualidade da obra, vale a pena ler a opinião dos atletas:

É a melhor piscina coberta do país”, garante a árbitra-geral da natação nas Olimpíadas Universitárias, Maria Cristina Ferreira Santos.

Já Tatiana Gama, campeã dos 200 metros nado medley, compara o complexo a piscinas de Espanha e Portugal. “Aqui no Brasil é a melhor. Nem a piscina do Pan tem essa estrutura, porque não é coberta. E a piscina coberta que temos em São Paulo, a do Pinheiros, tem teto muito baixo e por isso é muito quente.”

Pois bem, leitor... Sabe quanto este complexo, considerado pelos nadadores brasileiros como o melhor da América Latina, custou? Até agora R$ 6 milhões.

Durante o primeiro mandato de Lula, a obra parou e os recursos foram congelados. Finalmente, quando a verba estatal foi liberada, descobriu-se que ela havia sido reduzida para R$ 4,5 milhões - e a universidade completou o restante para inaugurar o complexo. Ainda faltam alguns detalhes, mas observem que se o investimento chegar a R$ 8 milhões, o trampolim de saltos terá até elevador para conduzir os atletas.

É isto mesmo que você leu: o parque aquático que nossos nadadores consideram o melhor da América Latina custou dez vezes menos que o Maria Lenk, especialmente construído para o Pan.

O que pode explicar esta diferença? Desconfio que tem a ver com o fato de que o parque aquático catarinense é fruto de um convênio, intermediado pelo então senador Jorge Bornhausen, entre uma universidade privada e o governo Fernando Henrique Cardoso. É por isso, aliás, que o projeto tem uma contrapartida: a universidade, destinará parte dos atendimentos a projetos sociais com crianças carentes - o que já vem fazendo através de muitos projetos voltados para o atendimento à comunidade.

No momento, porém, o que importa é chamar a atenção para a diferença dos valores envolvidos nas duas obras.

Não sou nadadora - mal me defendo na água. Mas parece que a piscina do Pan está cheia lama. Um Pan que, é bom não esquecer, começou orçado em U$ 250 milhões e já ultrapassa U$ 2 bilhões.

domingo, 1 de julho de 2007

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Second Life: esta blogueira, em visita ao diretório do Democratas, na Ilha São Paulo Jardins.

"Audaciosamente, indo onde nenhum blog jamais esteve..."

Hã?

Tá bom, isto é bobagem... há um milhão de blogueiros por lá. Mas o fato é que, curiosa a respeito de novas fronteiras, fui xeretar o Second Life. Mais perdida que cego em tiroteio, ando explorando este mundo paralelo sob a identidade NarizGelado Benelli. Não se assanhem, porém, petralhas: embora o sobrenome preserve a minha ascendência italiana, ele foi escolhido, como mandam as normas de ingresso, entre aqueles que o próprio Second Life oferece.


Devo dizer que se ainda não me meti em grandes enrascadas, foi graças à gentileza de alguns residentes que encontrei pelo caminho: muitos adoram servir de guia aos novatos - mas é bom ter feeling para distingüir entre os sinceros e os mal intencionados.

Também é verdade que, exceto pelos diretórios do Democratas e do PSDB - além de um front light divulgando o blog do Reinaldo Azevedo - , ainda não encontrei indícios de que a política seja um tema crucial naquele mundo. Mas se um dia vier a ser, encontrará esta blogueira pronta para a briga.